domingo, 7 de maio de 2017

A descoberta da Mas Alba na revista El Gourmet: o início de 'Girando em Girona'


Girona é um lugar que ingressou na minha imaginação em março de 2012, quando li sobre seus encantos históricos e culinários em uma matéria da revista gastronômica argentina, a ‘El Gourmet’. Eu estava de férias em Buenos Aires, e cheguei à revista por um acaso feliz: ela estava junto a mais três ou quatro edições da "El Gourmet" de 2011, no interior de uma pequena estante do café da manhã do hotel. O garçom me dera toda a pilha de revistas de presente, quando me aproximei para ver quais eram os volumes. Na ocasião, a curiosidade me absorveu por algumas horas, mas logo dirigi minha volúpia para os cenários portenhos, reservando aquela viagem à gaveta do não-sei-quando. 

A matéria falava não apenas da província de Girona, mas trazia também a capital, de mesmo nome. Nas páginas, fotografias das  cabras da  Queijaria Mas Alba, dos queijos e da gruta de maturação, um ótimo texto sobre a história da queijaria e hospedaria rural, e os dados para contato. Mais importante de tudo, a referência de que seria possível ao hóspede agendar uma visita à produção queijeira. 

Na capa da edição de maio de 2011, está a chamada: "Girona- Caminatas y comilonas en la  Cataluña Gourmet". "Caminatas y comilonas" quer dizer, em bom português,  caminhadas e comilanças, e esta é apenas uma singela piscada para o flerte com o local. Escrito com  bom nível de informação e com um quê de poesia, a revista traz um território fascinante e enigmático. Destaque para as muralhas medievais, as ruelas estreitíssimas, a pluralidade de paisagens, culturas e religiões. Do ponto de vista gastronômico,  é grande a lista dos porquês, no texto, que fazem o viço culinário da província: o estímulo ao consumo de produtos alimentares autóctones, a força do pequeno produtor, a exemplo da queijaria Mas Alba e da cerveja Moska de Girona, os vários restaurantes com Estrelas Michelin e as riquezas naturais interessantes traduzidas para a cozinha. Outros encantos? Lendas e todo um espectro das fantasias que permeiam o desconhecido na mente do viajante.

O tempo chegou. Em  janeiro de 2014, quando definiu-se a possibilidade da viagem para Girona, lembrei da leitura e fui procurar a revista na biblioteca da cozinha, com livros e páginas soltas de gastronomia. Abri a edição nas indicações turísticas e liguei para o telefone indicado da queijaria, meu principal destino. Queria acompanhar um dia da produção dos queijos e hospedar-me na casa. O propósito de escrever um livro de cozinha viajeira que apresentasse as riquezas locais nasceu ali. Seguimos as combinações por email. E sim, reservaria também o jantar. Teve início, então, meu entusiasmo. Em seguida, chegaria a hora de conhecer os sabores do território gironino. 

Tudo confirmado, me dei conta: era hora de procurar o Moleskine que me acompanharia em meus trajetos. Uma caderneta que, cabendo na bolsa, testemunhasse minhas impressões e guardasse, nas folhas protegidas pelo elástico, as histórias e os percursos vividos. Naquele dia, voltei para casa com meu Moleskine amarelo pronto para o embarque. 
No próximo post, as notas escritas in loco.

Com carinho,
Betina

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Participe! Vou adorar compartilhar emoções culinárias com você! Com carinho, Betina