segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Degustação de queijos galegos no Mercado de Abastos de Santiago de Compostela



Queridos leitores! 

A partir desta postagem, venho contar um pouco sobre o que aprendi da culinária da Galícia, região onde estive em setembro último, para o "I Congresso Internacional de Língua, Literatura e Gastronomia", em Santiago de Compostela. 
Há muito para partilhar, motivo pelo qual farei uma série de posts nas próximas semanas de novembro. E começo apresentando a Dona Olga, do Mercado de Abastos, de Compostela. Na foto, com ela, está minha mãe, recebendo a prova de um dos queijos galegos típicos. 
Pois a Dona Olga fez de nossa visita ao mercado uma sessão de degustação de queijos regionais, dando lascas de cada um, explicando origem e modo de produção. Provamos o Arzúa-Ulloa, de casca firme e centro macio, levemente ácido e de consistência bem cremosa; o segundo foi o Tetilla, assim chamado por sua forma, lembrando uma mama;  o  terceiro, San Simón,  é defumado e de casca e núcleo mais firmes, com sabor forte. Todos deliciosos, mas o meu favorito é o Arzúa, que combinou tanto com uma salada com figos e verdes quanto com o perfeito  'membrillo', a marmelada, em nosso idioma, ou codonyat, em catalão.
Todos são produtos com denominação de origem, motivo pelo qual cada um merece uma postagem individual sobre suas características. 
O Tetilla e o San Simón, embora fossem  também presentes no café da manhã, não  nos chamaram tanto a atenção quanto o primeiro. 
Da Dona Olga compramos uma fatia robusta do membrillo feito com frutas em seu interior, muito bom, além de avelãs e amêndoas em sacos de papel pardo. E tivemos o privilégio de conhecer esses produtos tão típicos por sua voz, alegre e melodiosa, ao saudar-nos com delícias galegas. 
Mais do que os queijos, do que o doce, o que ficou foi a experiência desse contato com ela, ciceroneando a cozinha da Galícia por sua atitude doadora e convidativa aos sabores de sua banca. 
A meu ver, uma das principais riquezas de uma viagem está na conversa com os vendedores do mercado local, pois nos presenteiam com algo precioso, o relato, o detalhe, o como-se-faz e o como-se-come, a curiosidade sobre o produto, as amostras para degustação. 
Através da visita ao mercado, é possível conhecer muito sobre a gastronomia de uma dada região. E não só pelas iguarias, mas pelas pessoas que nos apresentam a elas, com toda sua sabedoria e generosidade para partilhar a vida da cozinha de seu território. Um dos aspectos que se destaca é que a banca deixa de ter um número ou uma especificação em nossa memória de viajantes, e passa a ser " a banca da dona Olga", como as receitas dos cadernos de família, que têm, em seu nome, a figura de quem é especialista no quitute ou de quem deu as dicas. A presença de alguém a conduzir nossa experiência no conhecimento de sabores de um espaço geográfico é um dado que fica na lembrança, fazendo parte das recordações que armazenamos com afeto. 

Vocês costumam visitar os mercados das cidades que visitam? Vou adorar ler suas lembranças!

Amanhã, outras recordações culinárias da viagem para Compostela. 

Com carinho,
Betina


Dona Olga, apresentando os queijos locais.

Membrillo e queijos

uma vista da banca da Dona Olga

Queijo Tetilla, ao lado do Arzúa.


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Participe! Vou adorar compartilhar emoções culinárias com você! Com carinho, Betina