sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Porque amanhã é sábado!

Hoje é sexta, o dia começa não com um café árabe pleno de significado, mas com o instantâneo nosso de cada dia. O fim de semana está chegando, sim, mas na sexta ainda é a semana. Em especial agora, que fevereiro, a bem dizer, terminou, e a cidade está voltando.  Porto Alegre voltando a Porto Alegre, para a vida útil recomeçar. Adoro este balanço rotineiro que embala o ano. E uma das melhores coisas é a retomada de alguns hábitos e o começo de outros, como assumir o trajeto das caminhadas na Feira Ecológica dos sábados de manhã.  E então, amanhã é dia de feira, e como é bom!
Há duas semanas, no feriado de carnaval, fui fazer as compras de orgânicos pela manhã.  Não era tarde,   entre nove e dez, e a feirinha ja estava pra lá de movimentada. Delicioso de ver o dinamismo, a animação dos produtores, a vida radiante dos verdes, dos tubérculos,  das frutas ou das pimentas que ficam se exibindo nas tendas. Uma alegria só.  Gentes em conversas vibrantes, sujeitos em silêncio contemplativo no exame dos  alimentos. Aromas de temperinhos,  de legumes, da térmica de café, das iguarias, todos disputando a atenção do meu olfato. Os cheiros chegam a ser tangíveis,  me percebo por instantes pensando no temperamento dos temperos, calmos ou enérgicos,  apaziguadores ou briguentos. Feito nós.  A  feira é mesmo uma bela escola de percepções, de exercicio dos sentidos e de clicks para fora e para dentro.  De encontros com sabores, com memórias e até com partes nossas que vinham adormecidas.
Pois um destes encontros tive com o rabanete.
Foi a primeira coisa que plantei na vida, pequenina ainda, na horta da escola. Primeira serie, que eu lembre. Plantei, cuidei, colhi, levei pra casa, para servir no almoço. Não tenho registro se gostei ou não,  mas sim de que me orgulhei pela autoria daquele sujeito  vestido de vermelho forte, exibindo-se à mesa. Claro, topei com a figura outras vezes na vida, sabia de sua personalidade ardida, incisiva. Pungente. Mas muito sedutor, crocante e decidido. Mil adjdtivos, mas eu nunca sentia um pendor mais arrojado por este personagem de infância.  E foi ali, na feira daquele sábado,  que tive a ideia de fazer canapés com os tais rabanetes. Em casa, para a mesa do almoço-recordando a refeição que destinei à minha produção,  no passado- cortei os tais em fatias finas, como se fossem torradinhas, e por cima coloquei duas coberturas distintas, para dar variedade ao aperitivo. Uma, de queijo de cabra, mostarda e melado; outra, com o mesmo queijo, azeite de oliva, raspas de limão e pimenta calabresa em flocos. Fiz os adornos para embelezar os quitutes e servi. O resultado me alegrou,  as combinações ficaram estimulantes, o uso do rabanete no canapé funcionou, fiz uma criação rápida e fácil de aprontar, de repetir. Foi um belo reencontro com este produto, pois eu mesma, por algum preconceito, nunca tinha preparado nada que o envolvesse. No minimo, a experiência valeu como quebra de paradigma.
Tive outras percepções e descobertas naquela manhã,  com novos aromas e texturas, nas tendas por que passava. Mas esta é uma outra história.  O que me encanta num cenario como este é a reunião da saúde com o prazer, na simplicidade de um passeio rotineiro. No proximo post, mostro a foto dos canapés.
Bom final de semana!
Com carinho,
Betina

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