sexta-feira, 18 de abril de 2014

Feriado da Pascoa: o renascimento da criança!

Bom dia! Ha quanto tempo nao escrevo, coisa de um mês ou dois. Correrias de sempre, novos projetos, livro de cozinha viajistica sendo escrito, a descoberta de um território enigmatico que deu origem a uma pesquisa culinaria, o estudo vagaroso do idioma catalão  através de suas receitas...todos foram processos envolventes em tempo e emoção,  explorações externas-e internas-que adiaram meu retorno ao blog. Pois voltei para a Pascoa, festa mais contente do ano, para mim.

Como ja contei certa vez, no meu "Pequeno Alfarrabio de Acepipes e Doçuras", comecei a fazer chocolates para presentear meu irmão,  na Pascoa de 1988...queria surpreendê-lo com uma cesta de minha autoria, e, dali em diante, minha fabriqueta "Cacau Company" fez inumeras invenções e peripecias nas Pascoas familiares. No entanto, sempre esta data foi especial em nossa cozinha, símbolo de calor do forno aquecendo a casa e a alma da gente. 

Bom, nem tudo são lembranças doces...Perdemos a Vó Leia, personagem de tantas das minhas historias de vida culinaria, na Sexta-Feira Santa de 1995,-logo ela, tão cuidadosa com as ressalvas deste dia. Foi uma data triste, tristissima, mas a força animica desta celebração perdurou, e continuo sentindo, a cada ano, o prazer deste festejo.  Foi a mesma Vó Leia que me levou a aprender chocolates, num curso curtissimo de uma tarde chuvosa em Porto Alegre, e foi também ela a participar, com a mãe,  dos preparativos do meu bazar de chocolates para a Páscoa de 1992. Uma das maiores riquezas deste Bazar foi a ajuda incansavel da minha amiga de infancia, Andréa, na feitura dos doces e na organização das vendas. Tudo muito com ares de feito-em-casa, em familia, partilhando com bons amigos a doçura que este tempo significa.

Este periodo é de reunião na cozinha, os aventais em movimento, o cheiro de coisa-boa espalhado pela casa toda e da Macela recem colhida no mato, coelhinhos decorando os lares e as lembranças,  a procura dos ninhos escondidos, o barulho precioso do abrir o papel dos grandes ovos de chocolate, depois de longas buscas...ha uma magia que permeia esta ocasião,  um renascimento da criança dentro de cada um, um brincar saboroso que acredita na vinda do Coelho...sinto, mesmo, é uma inocência que me salva da adultice permanente,  e que me salva do tradicional dito "Ja passei da epoca de acreditar em Coelhinho da Páscoa!"... ha uma parte minha, e talvez sua, que se desveste de aduto e que volta a sentir-se criança procurando pelo ninho, descobrindo as delicias da cesta de palha, numa atmosfera alegre e curiosa em nosso íntimo, como se a Pascoa vitalizasse a criança que fomos. A meu ver, este  também é o renascimento que celebramos no Domingo, mas  num sentido individual. Para além  da conotação religiosa que conhecemos e respeitamos, acredito que este seja um tempo de darmos voz à nossa criança,  na docura, na pureza e na faceirice de surpreender-se ao encontrar o ninho escondido.
Que seja uma Festa de partilha e de felicidade a todos os amigos e leitores!
Gracias pela visita!
Com carinho,
Betina
Chocolates do Bazar de Páscoa,  1992!

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Participe! Vou adorar compartilhar emoções culinárias com você! Com carinho, Betina