sábado, 4 de janeiro de 2014

Uma conversa leva à outra....Doces Antigos e a Cozinha de Verão!




 E foi no que deu minha produção de doces antigos aqui em casa, neste final de ano. Era figo pra cá, abóbora pra lá, açúcar espalhado desejando sorte, panelas, brumas de poções misturadas à colher-de-pau...
Confesso: fiz 'releituras' à minha moda, com Vinho Madeira e Noz Moscada na calda do figo; conhaque, pimenta-preta e raspas de laranja, na calda da abóbora...Se a Vó Léia visse, não sei o que diria dessas pitadas de ousadia nos doces caseiros tradicionais, mas ela também, a seu modo, era inventadeira...

Eu quis mesmo foi dar minha assinatura, com toques que caracterizam meu comportamento culinário: a intuição/improvisação, a vida das especiarias, a 'Serendipity'...ao mesmo tempo, procurei manter as formas e consistências que via em muitos doces da Vó: os cristalizados, as chimias...assim, fiz minha homenagem à memória culinária que ela construiu e que hoje me habita, mas ousei em colocar um pouco de mim, ali, como na foto da figada com o queijo Brie e o detalhe do figo cristalizado, compondo o 'traje'. 

Fiz fotos de todos os tipos, para mostrar as tantas perspectivas e horizontes que nos dão os ingredientes, e deixo para cada leitor sua leitura, suas ideias e mudanças, seu toque de doce 'à moda de...', como diziam os receituários de cozinha de antigamente.

Há receitas a contar. Há detalhes, pitadas e, vezes, mancheias a refletir sobre o 'como-se-faz' dos doces e de suas aberturas para inovações, sempre respeitando os ingredientes disponíveis na estação. 
Aos pouquinhos, vamos conversando...

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No momento, estou  na pesquisa dos textos da inglesa Elizabeth David sobre a cozinha de Verão (de seu livro 'Summer Cooking') e adentrando outras de suas obras, escritas, em sua maioria, na metade do Século XX. Incrível como, naquele tempo, ela já trazia noções tão plenas do que hoje em dia sabemos, como a importância da escolha dos vegetais, legumes, ervas e frutas de cada estação no preparo dos alimentos...a necessidade de uso dos ingredientes frescos, puros, dentro do possível, para nosso fazer culinário...a força da inovação, da flexibilidade para criar e fazer diferente uma receita, quando não dispomos do elemento descrito... Ou o desafio da mudança, simples assim, para treinarmos a quebra de paradigma nas combinações (esta carne com aquela erva, por exemplo; este vegetal com este preparo e não com outro...), e por aí vai...Em suma, nas mesas veranescas, o que faz a diferença é o toque de frescor dos alimentos, a Natureza nas cores e aromas, a inovação no modo de apresentar os pratos, sejam quentes ou frios. O que importa mesmo, segundo minha leitura de seus ensaios, é que possamos trazer o verão para a mesa por nossa abertura às possibilidades, pelo respeito à estação e ao potencial de cada ingrediente.

Coincidência ou não, voltamos ao primeiro tema do post de hoje: o múltiplo proveito de frutas disponíveis na estação, para criar os doces...

Estou ainda no começo da pesquisa...Há muito o que contar, refletir, criar...

Com carinho, agradeço a visita ao Blog!
Betina








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