segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Lendo sobre a [Cozinha de Verão], de Elizabeth David...

A leitura da obra da ensaísta inglesa Elizabeth David nos convida a viajar aos destinos que percorreu, aos mercados onde esteve, aos lares por onde passou, em muitos países. A escritora levou a cozinha do Mediterrâneo, da Itália e da França para seu país, para seu idioma, e fez com que ingredientes até então desconhecidos por seus conterrâneos passassem a ser adquiridos, de tão famosos os relatos...Foi uma ensaísta de culinária, sim, e exímia...mas vejo, em seus textos, sua observação a detalhes, a nuances nas paisagens e nos alimentos; vejo seu empenho em trazer notícias de suas pesquisas, pormenores da História daqui e dali, levando o leitor pela mão, para que 'enxergue' suas descrições com os próprios olhos. Sim, esta é a sensação que tenho, de que fui ao mercado e vi todas aquelas cores e formas que ela 'mostra' em palavras. Enfim, o trabalho é fabuloso! 

Lendo a parte de Cozinha de Verão, me deparo com situações inusitadas, como o capítulo em que ela sugere os improvisos possíveis e necessários na culinária, quando vamos a um final de semana de verão em uma casa que não a nossa: que ingredientes levar? De que detalhes não podemos esquecer, ao chegarmos em uma cozinha que nos é estranha? Como termos sucesso improvisando pratos, para que saiam apetitosos e bem apresentados? Além destes pontos,  cito a referência aos piqueniques, ao uso apropriado das ervas e especiarias no verão, aos livros pesquisados e devidamente registrados...

A leitura de suas viagens transcende a informação sobre os resultados da comida ou o próprio 'como-se-faz': trata-se, a meu ver, de uma expressão belíssima de seus percursos, de sua sensibilidade ao perceber a luz de uma feira pela manhã, ou de sua ousadia em 'harmonizar' omelete com vinho em um ensaio bárbaro, que lhe rendeu o nome de um de seus melhores livros, "An omelette and a glass of wine". Além disso, a autora nos comunica, nos idos de 1955, noções que hoje vemos associadas, muitas vezes, à filosofia do 'Slow Food', como a importância de aproveitar os alimentos da estação e do local, e a necessidade da valorização do produtor dos ingredientes que compramos, a força do local e do sazonal na cozinha que praticamos.... traz, também, o amor às panelas e àqueles para quem cozinhamos, elemento essencial do fazer culinário com prazer e qualidade.

O livro, com certeza, ultrapassa a qualidade de um receituário gastronômico, chegando mais perto de uma obra no campo da escrita de viagens, de experiências vividas a pleno pelos 5 sentidos...

Para conhecer uma das obras, os 'Clássicos' de Elizabeth David ('Elizabeth David Classics'), 
clique aqui!

E bom proveito! Ainda há muito a explorar destas riquezas!

Com carinho,
Betina


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