domingo, 12 de janeiro de 2014

Faz sentido?

Em viagem, passeando na feirinha local...
...com "olhar estrangeiro"

E por falar em vegetais da estação, produtores locais, 'Slow Food' e coisa-e-tal, aqui vai uma dica...quando tiver tempo livre, vá até uma feira de sua cidade, ou mesmo ao supermercado, com olhar 'estrangeiro', como se fosse viajante, e até falasse outro idioma. Tudo ali é novo, as frutas, legumes e verduras, ervas, especiarias, batatas, cogumelos, tudo. Leve uma caderneta em branco. Então olhe, num primeiro instante, com curiosidade, como se nunca tivesse visto aquele alimento. Anote a impressão. Explore com os olhos, toque as texturas, descubra os sons e os silêncios, as cores e formas...registre, se preferir, neste ponto. Ou deixe para depois, usando a memória...anote o nome e o sobrenome de cada dito-cujo, 'Alface-Crespa, Pimentão-Vermelho, Repolho-Roxo"...Como se nunca tivesse visto, de verdade.


E o "olhar local", no Mercado Público de Porto Alegre


 Se tiver ideias para novos pratos, escreva. O mais importante é vivenciar o conhecido como estranho a nós, como a primeira visita ao mercado de um lugar novo, para realmente absorver tudo o que há para ser explorado, desvendado por uma receita. Para realmente perceber os ingredientes em seus pormenores. Para aproximar-se do 'estranho' como desafio. Aliás, pelo Dicionário Houaiss, a etimologia de estranho é "at. extranèus,a,um 'que é de fora', de extra; ver estranh-; f.hist. sXIII estranho, sXIII estranno, sXIII extraneo, sXIII estrayo, sXIII extranyo". Em uma das acepções da palavra, significa "que ou o que é de fora, que ou o que é estrangeiro"; em outra, "que causa espanto ou admiração pela novidade; desconhecido, novo".

Chegue em casa, tente desenhar os legumes, as verduras, as frutas, do modo como se lembra deles, construindo seu próprio glossário, fazendo de conta que está descobrindo uma nova linguagem.

E está.

Quando fazemos isto, nos aproximamos com intimidade daquilo que escolhemos como alimento, e nosso campo de impressões, memórias, ideias e sabores aumenta muito: nos apropriamos mais de nosso paladar, do que gostamos ou não...Podemos descobrir um alimento que nunca nos chamou a atenção, por despertar para ele. É mais fácil realizarmos este processo em um local estranho, desconhecido, porque é quando estamos sedentos pela novidade; em nosso território, muitas vezes, seguimos o cotidiano algo anestesiados, nem percebendo nuances da rotina, das compras, das verduras na prateleira da venda que fica a duas quadras de casa...Em viagem, inundados pela curiosidade, na ânsia pelo inusitado, tocamos em cada coisa como uma criança descobrindo o mundo; no entanto, não o fazemos, em geral, na feira ou supermercado de sempre.

Fotografe, faça Zoom, como você talvez se permitisse se fosse um turista e estivesse ali a passeio.

E está.

Pelo corre-corre, os detalhes de nossas compras rotineiras nos escapam; de um modo semelhante, deixamos de perceber sabores e de nos agradar mais deste ou daquele alimento, simplesmente porque, tantas vezes, não prestamos atenção no que preparamos, no que comemos. Ao realizarmos este 'novo olhar', na feira ou no mercado local, ampliaremos não apenas nosso cardápio de possibilidades culinárias, mas também nosso cardápio de percepções, de exploração sensorial, de linguagem, do prazer de degustar o que nos apetece...Ampliaremos nossa capacidade de vivenciar o fenômeno do sabor, uma 'obra' de autoria totalmente individual, pois depende de nossos registros sensoriais, cognitivos e emocionais. E então descobriremos mais um pouco de nós. E acrescentaremos mais elementos ao nosso campo de sentidos.

Faz sentido?

Bom domingo!!!

Com carinho,
Betina




2 comentários:

  1. novamente...encantada. Identificada com a proposta... Deliciada... Gracias!

    ResponderExcluir
  2. Que bom, Ange!!!!!!!!!!!!! Adorei tua visita!!!! Obrigada pelo comentário!! Besitos e bom domingo!

    ResponderExcluir

Participe! Vou adorar compartilhar emoções culinárias com você! Com carinho, Betina