quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A receita é uma história contada a muitas vozes...

Pensando na salada de atum da Vó Léia, fiz um labirinto de reflexões...Por que comida de vó é tão saborosa? Qual o tempero que realmente torna o prato das nossas avós absolutamente incomparável? Podemos estar em partes diferentes do mundo, em fusos horários opostos, e termos paladares muito diversos...tenho certeza: há alguma receita de sua avó, ou muitas, que fazem parte de sua existência de um modo único: um Goulash, um bife à Milanesa, uma macarronada, um bolo de frutas...

Refiro as avós, que são um mundo à parte, mas a transmissão de receitas ao longo de uma família é algo que transcende a questão genética: é memória, é afeto, é arquivo de experiências. Quando recebi as receitas da Vó Alda, escritas à mão, pela prima Carmem Lescano, em 2012, senti uma gratidão profunda pela minha prima, que guardou este tesouro e, no justo momento, partilhou-o comigo. E eu o partilhei com meus leitores-comensais, no "Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras", na abertura do capítulo 'Nossas Avós', na transmissão dos registros de uma avó para o neto ou a neta que habita cada leitor. Voltamos para o tema 'Avó'? Estamos falando em todos aqueles que fazem parte do caminho de uma receita até que ela chegue a nós. Estamos falando do contar de uma história que, muitas vezes, percorre idades e oceanos, e chega à nossa cozinha, à nossa despensa...com a bagagem de afeto que vem viajando, sabe-se lá, gerações!

A receita é uma história contada a muitas vozes, e cada cozinha ecoa estes sons durante o preparo de um quitute, de um doce, de um sabor antigo.

 E você: lembra de algum prato que tenha atravessado os cadernos culinários de sua família? 

Com carinho,
Betina

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