quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Os figos cristalizados, finalmente! E um Feliz Natal!!!!!!

Olá!!!!!!!!! 

Há quanto tempo não escrevo...Com as correrias de fim de ano, deixei para escrever com calma sobre os últimos acontecimentos. Pois é: no plural, mesmo; no entanto, posso dizer que diversas ideias derivaram de um fator muito singular: os 'figos pra doce', vendidos pela Dona Lola. Lembra dela? A doceira aquela que vende 'laranja pra doce' e 'abóbora na cal', na rua onde trabalho, e que virou personagem do blog.

Dia desses, pouco antes do Natal, a campainha toca, com alguma insistência. Vou à sacada, ver quem é. Lá de baixo, no portão, em voz de boa notícia, ela grita: "Trouxe figos pra ti!!!!!!!!!!". Fiquei radiante! Eu tinha pensado em chamá-la para comprá-los, mas acabei adiando a ligação...Há uns meses, eu tinha dito que queria, para os figos cristalizados do Natal...só não imaginei que ela lembrasse. Me criei com a Vó Léia fazendo dúzias deste doce para as Festas e para os presentes de final de ano. Eram peças exuberantes, com um quê de pedra preciosa - na forma, na cor, na superfície brilhante pelo açúcar cristal que cobre a fruta...
Não encontro as fotografias de seus feitos, nem peguei o 'como-se-faz' da Vó, apenas guardei na memória uma das marcas mais profundas dos Natais da nossa infância...São  tão vivos em mim os registros do aroma, do sabor, da doçura,  que atravessaram os tempos...Agora, confesso: eu não saberia como  reproduzí-los se não fosse pela Dona Lola. 

"Trouxe figos pra ti!!!" foi quase uma senha para o cofre das minhas primeiras lembranças: do cheiro da cozinha na casa da Vó na época de Natal, dos pacotes enfeitados com papel celofane, círculo de cartolina e fita vermelha, feitos pela mãe para as peças diamânticas...Tudo é pleno de vida neste período do ano, quando se trata de vivências de família. Parece que a Doceira adivinhou. 

 "Um cento e meio", ela disse, alcançando a sacola. Tive a nítida sensação de ser abraçada pelo aroma dos figos, naquele momento. Aliás, um abraço com o aconchego da lembrança. Dona Lola vende os figos já descascados, o que nos poupa da parte mais trabalhosa da feitura do doce. E ainda ensina a fazer!!!!

"Pra cada cento, usa pouquinho menos de 2 quilos de açúcar. Bota tudo junto na panela, os figos, o açúcar e a água que cubra. Deixa no fogo por pelo menos duas horas, até que fiquem macios. Em geral, 2 horas e meia, três horas, cuidando sempre. O mais importante é que, antes de tudo, tens que fazer uma cruz na base do figo, com a faca, que é por onde a calda vai entrar, pra ele ficar suculento por dentro. Quando prontos, tira da calda, escorre e passa no açúcar cristal"... Faço tudo como ela ensinou, com algumas mudancinhas...

Então, sento à mesa da copa, com a vasilha dos figos e uma musiquinha leve (em geral, Bossa Nova). Um a um, faço a cruz na base da fruta, com a faca, aprofundando para o interior nos dois riscos da cruz. Prefiro fazer paneladas de 50 figos com um quilo de açúcar e sim, 'água que cubra', mas coloco, junto, um cálice (dos de vinho branco) de rum e uma pitadinha de alguma especiaria (cardamomo, noz moscada). Quando o conjunto ferve, em fogo médio, abaixo o fogo pelo tempo restante. O tempo em média é de 2 horas e 30 minutos, 3 horas...Na última meia hora, quando eu vejo que alguns dos figos começam a ter um tom brilhoso e levemente translúcido, aumento o fogo até que a calda esteja no ponto. Deixo escorrer em uma panela grande, com uma peneira e, depois de uma hora, passo-os no açúcar cristal. O ideal é fazer de véspera, pois a reação do figo com o açúcar fica melhor com o passar das horas: este incorpora os cristais, o que favorece que a casquinha fique firme e contraste com o interior, carnoso e suculento.

Em seguida, as fotos do como-se-faz! 

Bom proveito, e um lindo dia de Natal!!!!!!!!!!!!!

Com carinho,
Betina


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