quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Quem sabe...?

Eu vi que a Dona Lola espremeu a boca querendo dizer, mas guardou pra si. Daria alguma dica sobre o doce de abóbora, ou era pra murmurar suas crendices? Fofoca não era, que a doceira reservava pra si as observações que tecia devagarinho...Não contava a ninguém, mas sabia com quem prosear e com quem não trocar palavra. 

E foi assim que Dona Lola foi se apresentando, abóbora daqui, figos dali. No sorriso morno, se via: tinha um segredo nos olhos. 

A receita dos figos cristalizados de Natal? Trouxe há uns dois meses, tim-tim por tim-tim...E então eu vi: não era dos figos que tinha a dizer, nas suas entrelinhas. Falavam, nas redondezas, de suas simpatias e crendices, mas eu não ouvira dela nada a respeito. Bom, eu tinha uma impressão: era mágica que ela carregava nas sacolas de frutas. O não-sei-quê? Uma força telúrica. Uma força de raiz, isto sim.

Ainda é cedo para descobrir...quem sabe o caminho seja: "a cada doce, uma pista" ?

Agora é esperar sua próxima visita...

Em breve!

Com carinho,
Betina


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Dona Lola, nossa personagem...e outras notícias!

Pois a Dona Lola, na semana passada, voltou, que há mais de um mês vinha sumida. E trouxe, desta vez, não as laranjas pra doce, mas as abóboras em pedaços, já preparadas na cal. Recomendou: 'pra cada vinte pedaços de abóbora, um quilo de açúcar  e água que apenas cubra tudo, deixa ferver e abaixa o fogo; lembra de furar com um garfo, cada pedaço. Quando fica pronto? Quando estiverem macios, umas duas horas. E em novembro trago os figos para o Natal...'. Ela explica com o olhar distante, mirando ao longe suas caçarolas. Tem um como-se-faz tão instintivo que, para lembrar de cada etapa ou de cada medida, precisa ver-se plena no ato culinário, saber-se ali, viva no vapor inebriante de sua cozinha.

 Para mim, há um outro mistério na sua sapiência de forno-e-fogão, que ultrapassa as receitas que dá: Dona Lola tem um segredo, um não-sei-quê de personagem. Sim, tem algo pra contar, uma carta pra trazer. Tem uma chave, guardadinha na lida com os alimentos. Surge num repente e desaparece num plim. Afinal, pra onde vai? Acho que pra dentro de alguma história que ainda vou ler.

Que ela guarda um segredo...Ah, isto guarda!

E esta semana tenho novidades: visitei, em Gramado, o restaurante Bêrga Motta, no Ecoparque Sperry, que oferece Comfort Food! A experiência transcende a boa comida: é um alimento pra alma da gente! Essas e outras notícias aqui, neste mês de outubro...

Com carinho,
Betina