domingo, 18 de agosto de 2013

A 'Tiborna' e a 'Bagna Cauda': mesas de alegria!!!

E leio que o Pão Alentejano é o centro de um ritual português de celebração, a Tiborna. Este termo se refere também a um doce, a um modo de preparo do bacalhau e a uma maneira de degustar-se o Pão Alentejano. E vi, noutra fonte, uma Tiborna de Tomates, que é uma cobertura para saborear com as fatias tostadas do pão, num modo semelhante à 'bruschetta' italiana.

Vale a pena entrar neste blog, que acabei de conhecer, do autor Ivan Câmara Corrêa. Ali, encontrei um texto pulsante, um olhar poético para os sabores do Alentejo. Chamou minha atenção um ponto curioso: o ritual ocorre pela confraternização com a família e com  os amigos, na ocasião da extração do azeite feito de azeitonas prensadas a frio. Os comensais reúnem-se em torno da mesa e usufruem do azeite novo: embebe-se nele o Pão Alentejano, partido com a mão em pedaços. Tempera-se a mistura, bebe-se vinho, celebra-se a extração do azeite. Ceelebra-se a natureza e os presentes que oferece.

Ao ler sobre o ritual da Tiborna, lembrei-me daquele que envolve a comunhão entre amigos e familiares, na partilha da Bagna Cauda, receita do Piemonte, na Itália. Esta prática italiana é também associada aos fenômenos produtivos da Natureza, já que parece existir um papel das colheitas na motivação para a festa.

"(...)Pesquisando, depois, conheci algumas de suas raízes profundas: é uma tradição do Piemonte, região italiana, originalmente chamado "Bagna Caòda".  Conta-se que no passado, no Medievo rural, os camponeses da região, instintivamente, faziam um agradecimento pagão às forças da natureza: através do ritualístico preparo de uma receita 'tão singular e diversa', mantinham sua tradição. Ligavam a realização do prato com um conjunto de manifestações que, pelo que entendo, representavam um encontro de alegria à mesa."*

O pano de fundo de ambas é a alegria com que as pessoas dividem uma refeição, o modo como se sentem agraciadas pela intimidade com a Natureza. Pessoas que comem do pão e que bebem do vinho  numa Tradição que reúne sabor, História e convívio. E sim, sustentabilidade, pois os protudos explorados são os ingredientes da Natureza local, naquela determinada época. A celebração ocorre, em geral, entre os que participaram das colheitas, das extrações: os pequenos produtores. Há uma presença muito forte, nestas duas vivências, dos princípios do Movimento Slow Food. Conhece?

 Trocando em miúdos, são oportunidades para celebrar a partilha da mesa farta, com ingredientes ofertados pelos recursos naturais da região e do período do ano.

*  (Trecho meu no post A "Bagna Cauda", uma mesa de alegria!)

Visite o link e deleite-se com esta escrita!

Com carinho,
Betina

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