sábado, 17 de agosto de 2013

Chimia de Tomates, nova edição!

Contando da chimia de tomates...Na semana passada, a receita pediu um novo ingrediente...há tempos sua fórmula era a mesma: tomates, melado e limão (raspa e suco). Pois foi de uma hora para outra que percebi um desejo da mistura: uma pitadinha de canela. Sim, a mistura tem seus desejos, basta que estejamos atentos... Deu-se uma alquimia bárbara, então: a convidada deixou apenas sua sombra, o suficiente para causar um leve fervor no conjunto, sem ser percebida em sua identidade. Combinou com os tomates (italiano, cereja e 'pelati'), com a doçura amadeirada do melado, com o ímpeto do limão, com a robustez da pimenta calabresa em flocos. Ah, outra mudancinha providencial: raspas e suco de um Limão Siciliano...

Confesso que, mesmo sentindo vontade de colocar o novo ingrediente, hesitei em mudar a receita tradicional da minha chimia. Quebrar paradigmas não é fácil...Fiquei pensando se, ao acrescentar elementos, a minha chimia ainda seria a minha chimia, ou se, a partir dali, deveria escrever noutra página no caderno as mudanças. Com título diferente, inclusive. Outro tempo, outra receita? 

A coragem valeu a pena, a canela deu um viço persistente, ainda que sorrateiro, o Limão Siciliano trouxe sabor  alegre. Não houve mudança na personalidade da chimia...quem sabe aprendeu apenas um novo passo de dança. 

Ousar é preciso! 

Receita?

Tomate italiano, 4 unidades.
'Pomodori Pelati', 1 lata.
Tomatinho cereja, 1 caixinha pequena.
Melado q.b.
Limão Tahiti, 2 unidades (raspa e suco)
Limão Siciliano, 1 unidade, raspa e suco.
Pimenta calabresa em flocos, a gosto.
Canela, 1 a 2 pitadinhas, a gosto.

Numa panela em fogo médio, colocar todos os ingredientes e mexer com a colher de pau, com constância e leveza, para deixar-se tomar pela força dos cheiros e das cores que se transformam, com o tempo de preparo. Acrescentar a pimenta e a canela aos poucos, até que se perceba o prazer da mistura. Mexer e mexer, sempre, buscando a textura final: uma pasta densa, de um vermelho fechado, um aspecto fosco e vibrante, ao  mesmo tempo. Quando encontramos o ponto de estrada, a receita está quase pronta. O resultado é uma consistência firme, corposa, com alguns grumos dos tomates não desmanchados por completo e com as raspas dos dois tipos de limão, cá e lá. 

Para saborear com pães, queijos, fiambres...

Bom Proveito!

Com carinho,
Betina

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Oi, Cris!

      Que bom receber tua visita! A chimia fica ótima com pães, cucas, torradinhas...É demorada no preparo, mas acho tão prazeroso mexer devagarinho, acompanhar as mudanças no aspecto, sentir o cheiro se transformando, que para mim é uma delícia curtir a demora! Bjss

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Participe! Vou adorar compartilhar emoções culinárias com você! Com carinho, Betina