domingo, 19 de maio de 2013

Um deleite escondido...

Acomodada em um Café de bairro, pelas quatro da tarde de um dia de maio, abro meu 'Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras' nas folhas pautadas. 
Começo a prosa, enquanto espero...

Era preciso esperar a chegada do entardecer. Faltava pouco, o inexorável suspiro do aguardo tomava conta. Coisa de uma hora ou duas, mas a ansiedade crescia, minuteira. Aquele encontro era uma decisão, movimento interno percorrido por mim, em silêncio. Queria, e ponto. Adiava o definitivo, rondada por minhas dúvidas, sabendo que, ao final, a resposta era evidente. Não poderia, não poderia evitar. Ou melhor: poderia, mas não desejava evitar. Inebriada no avanço da tarde, já sentia seu cheiro, seu calor. Únicos. No toque da pele, um rugoso firme, contraste com o aconchego da essência. Dentro era macio, confiável, disso eu sabia. Não haveria novidade, e sim o prazer do reencontro. Era o mesmo, sempre que nos sentíamos juntos, face-a-face. Às vezes, por um desejo improviso, nos víamos num repente; noutras, combinávamos horário, local, marcávamos na agenda. Chuva ou sol, não importava, eu respondia sempre 'sim' ao ímpeto das vontades. Ainda que negasse para mim mesma, acabava admitindo: fazia sacrifícios na semana para tornar aquele momento possível. Despistava compromissos, virava o dia do avesso para estar ali. Era um deleite clandestino, furtivo. Ninguém conhecia o segredo, além de minhas páginas do diário. Quebrava a disciplina, rompia acordos precisos. Tudo por um prazer momentâneo, um encontro sem qualquer futuro. Disso eu sabia, mas a volúpia era tirana, um querer que me tornava impetuosa até que saciasse o desejo. Antes do horário marcado, lá estava eu, na espera. Bastava um olhar firme, na direção certa, e ele estaria ali, à mesa. Acontecia sempre do mesmo modo, e era como a primeira vez,   o primeiro sabor, o primeiro fascínio.
 Ele sempre viçoso, quente, perfumado. 

Pronto!
Estava ali meu Croissant, recém-saído do forno, para acompanhar o expresso. 
Seria um entardecer e tanto...

:)

Gracias pela visita!

Com carinho,
Betina


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