domingo, 28 de abril de 2013

"Nega Maluca" em figurino Gourmet...

Outra receita que para mim remete à sensação de conforto é a da 'Nega Maluca'...Quem já leu minhas postagens aqui no blog, ou conheceu os textos do 'Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras', sabe o quanto este bolo é presente nos meus trajetos culinários. Porque, para mim, fazer uma 'Nega Maluca' é um ato de amor, de aconchego. Sinto sua vida, quando está pronto, como um delicioso cobertor de inverno, com todos os adjetivos que puder imaginar do que se espere de um destes cobertores...

 Conheço cada uma de suas etapas só por observar suas cores, nuances e texturas, só por sentir diminuindo sua resistência à colher que mexe, à medida que acrescento os ovos, o leite...

Bom, a familiaridade com a receita me permite algumas ousadias, invencionices...Não modifico a estrutura de sua essência, mantenho os componentes principais, mas, confesso, faço substituições, vez que outra. Também não mudo a ordem de ingresso das personagens à cena, deixo tudo igualzinho. Mas...

Ok...O que andei aprontando?

De um curso de Culinária para eventos, que fiz este mês, 'Miniaturas para Catering', do Chef goiano Willian Mateus, muitas ideias surgiram, muito aprendizado foi adquirido. Por exemplo? O impacto surpreendente da mistura de azeite de oliva com o chocolate, em várias apresentações- entre elas, os bolos. Parece mentira, não? Pois é verdade!

Domingo passado, decidi experimentar. Fiz uma 'Nega Maluca' substituindo o óleo por azeite de oliva, na mesma quantidade. E percebi: dá uma sombra de sabor à massa, um mistério...está ali, mas não está revelado. Arrisquei um pouco mais: em uma tijelinha, misturei mel com 2 colheres (das de café) de cardamomo em pó, e deixei a mistura 'curtindo' por em torno de duas horas. Fiz o mesmo com as passas embebidas no vinho San Isidro (uma xícara de passas, aproximadamente, cobertas com o vinho.). Usei, além disto, uma barra de chocolate amargo, picada, dentro da massa, e nozes em pedacinhos. 

Quem provou, aprovou! O resultado foi desafiante, pela tentativa de desvendar os ingredientes que compunham aquela maluquice. A mordida tornava-se uma provocação para a descoberta, surgindo, no meio do caminho, consistências diversas, sabores imponentes, perfumes exóticos.

Foi de propósito que agreguei vários elementos à receita, ao invés de mudar um, apenas. Sei que foi um risco desmedido, uma volúpia, mas desejava realizar uma experiência culinária que buscasse tocar a anima de quem saboreasse o bolo. E constatei: o ato curioso do desvendar a identidade das personagens combinava-se, em todos, com um olhar inusitado. Talvez pela força instigante que apenas sobrevoa o sabor, deixando sua sombra entremeada aos demais sabores, talvez pela surpresa de um novo bolo. Uma receita que começa a contar uma história e, na hora H, conta outro enredo, bem longe do imaginado.

A 'Nega Maluca' não perdeu seus referenciais, não. Modernizou-se, vestiu figurino 'Gourmet', mantendo intactos os pontos que a tornam única, como o glacê do final. Triplo, imergindo nas entranhas do bolo.
E, o mais importante de tudo, mantendo sua essência de 'cobertor'.

Amanhã, a dita-cuja, em detalhes...

Gracias pela visita!

Com carinho,
Betina


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