sábado, 20 de abril de 2013

Mais um pouquinho de Brillat-Savarin...

...Prometi continuar hoje, com ideias sobre 'A Influência da Gastronomia na Felicidade Conjugal'. Então, aqui estou!

Brillat-Savarin segue o capítulo apontando as benesses da vida gastronômica para o casal. Refere que a alimentação, sendo uma necessidade partilhada, leva o casal à mesa; no entanto, o modo como ambos desfrutam da refeição é um ponto importantíssimo para a felicidade da vida. Neste desfrutar, leia-se aproveitar tanto os pratos em si quanto o momento de que fazem parte, ou seja, saborear-se a experiência plena.

Então, o autor conta a história de dois casais em sua relação, comunicando que a cena gastronômica traduz muito do amor conjugal. Um nobre herdeiro e sua esposa encontram-se à mesa de jantar à noite, sentam em extremidades opostas e trocam raras palavras, com alguma implicância elegante, alimentando-se sem prazer. Não há partilha, mas um silêncio dos quereres. O irmão do nobre, deserdado por ter decidido por um casamento que contrariava o desejo dos pais, vive humildemente com a esposa, numa união de partilha, prazer e cumplicidade.

"O homem é recebido com o calor terno e com os mais doces cuidados, na chegada em sua modesta sala de jantar. Acomoda-se à mesa frugal, mas isto significa que os pratos servidos a ele não serão excelentes? Foi a própria Pamela quem os preparou! Eles comem com alegria, enquanto conversam sobre seus projetos, sobre os acontecimentos do seu dia, sobre o amor e afeição que sentem. Meia garrafa de Vinho Madeira ajuda-os a prolongar a refeição e a companhia. Logo, a mesma cama os recebe e, após o êxtase do amor partilhado, um doce sono fará com que esqueçam o presente e sonhem com um futuro ainda melhor".

Assim, neste livro publicado em 1825, o autor  comunica o valor da refeição como símbolo de afeto e prazer entre o casal. Observe a temática, a linguagem, a envolvente descrição do cenário: não seria improvável este parágrafo em nossos dias, não fosse pela condição de nobreza apresentada no trecho. E por quê? A meu ver, porque o prazer culinário é Humano, repetindo-se em diversos lugares e tempos da História. E esta é uma de suas principais riquezas: está dentro de nós, é parte de nossas vivências, memórias, de nossa relação conjugal, e tantas outras 'fatias' de nossa essência. É parte de nossa felicidade!

Obrigada pela visita!
Abraços,
Betina



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