domingo, 31 de março de 2013

Feliz Páscoa!!! Lembrando o Bazar da Cacau Company, em 1992!


Desejando uma Feliz Páscoa aos leitores, compartilho a guirlanda de coelhinhos, e outros 'feitos', elaborados especialmente para o Bazar da nossa 'Cacau Company', em  abril de 1992. Montar o bazar foi delicioso, na partilha de afazeres, de desejos e de realizações! Bom...Eu, claro, fiz os chocolates, com a valiosíssima ajuda da Andréa, minha vizinha e amiga de sempre: foram tardes de muitas risadas e boas conversas, em meio a formas, crocantes e sabores! A mãe participou de modo fenomenal, criando inventices, compondo esta guirlanda, os bercinhos dos bebês, os vasinhos de flores de bala de goma, e tantas outras peripécias nas embalagens e nas decorações. A Vó Léia, sempre pronta para o que viesse, também fez parte da equipe, embrulhando os chocolates, colaborando com as guirlandas, com as doçuras para o chá da tarde, inventando moda! 
E o meu irmão? O testador oficial da Cacau Company!

Há quem lembre até hoje daquela tarde de 11 de abril! Para mim, ficou a mágica de partilhar a Páscoa com uma bela festa de doces amizades!

Feliz Páscoa!!!

Abraços,
Betina








sábado, 30 de março de 2013

O prazer na rotina?

E por que refiro os pequenos prazeres? Bom, sentir-me feliz com os acontecimentos rotineiros torna a felicidade mais acessível, mais viável. Tenho uma escolha: posso vivenciá-la apenas desfrutando de banquetes onerosos e extrapolantes, como faziam na Roma Antiga, ou posso degustar um belo café-da-manhã, antes do trabalho. Claro, o exemplo é extremo, mas a ideia desta comparação maluca é mostrar que, sentindo prazer nos detalhes cotidianos, o bem-estar psicofísico que a felicidade provoca fica muito mais fácil de alcançar.

E vamos além disto: sentir este prazer 'retilíneo' é fundamental, mas também é necessário criarmos situações de novidade, estímulos diversos, que 'despertem' o cérebro para o desconhecido, não acomodando nosso gozo nos prazeres de sempre. Estímulos diversos, mas sem exageros. Complicado, hein?

Não, é simples. A gente é que complica. Somos um pouco como os antigos romanos, querendo tudo em quantidade e intensidade, satisfação máxima, luxúria, comida em excesso, lazer no volume mais alto, para contrapor nossa rotina adoidada de trabalho. Temos pouco tempo para a diversão, então é preciso desfrutar ao extremo cada oportunidade: noitadas, viagens, orgias alimentares...A meu ver, entra aqui a importância de mudar o ponto de vista, de diminuir o volume, de escutar o prazer como um som ambiente, que pode fazer parte do nosso dia-a-dia. Não há por que esperar por um feriadão ou pelas férias para 'curtir a vida', e então voltar para a rotina atribulada e ficar esbaforido de stress até a próxima folga. Com isto, não quero dizer, em hipótese alguma, que férias e feriadões não sejam fundamentais: são, sim, imprescindíveis. 

Quero dizer que não são suficientes. Este é o ponto.

Esperar para sentir felicidade em umas férias de arromba? Um desperdício, pois há necessidade biológica de senti-la cotidianamente, e uma rotina prazerosa pode propiciar isto. Estabelecer uma atividade lúdica, que nos faça felizes, é um modo de estimular nosso cérebro a produzir substâncias ligadas ao prazer e ao bem-estar. Para mim, as vivências de cozinha são um exemplo disto, como fazer um bolo, fazer pão, montar uma mesa de lanche da tarde. Escrever também é um exemplo disto. 

Experiências prazerosas melhoram nossa imunidade, nossa disposição para o dia de trabalho, nosso bem-viver. Fazemos com prazer, fazemos bem-feito, desenvolvemos expertise, há o aumento de nossa percepção de auto-eficácia e sentimos ainda mais prazer. Repetimos, e a sensação de felicidade aumenta, irradia-se para outras tarefas da rotina, ficamos de bem conosco. Estamos abrindo um espaço em nosso dia para o que nos motiva, e a raiz da palavra motivação é 'movimento': fazemos bem, nos faz bem, e queremos fazer mais, mobilizamos esforços para incluir esta atividade como novo hábito. Essencial. No entanto, se este prazer torna-se exacerbado, funciona também como um vício, como uma droga, e deixa de ser saudável. Como em tudo, vale a dosagem, o equilíbrio. Se uma receita pede duas xícaras de açúcar, não colocamos quatro xícaras, apenas porque nos agrada o gosto doce. É imperativo respeitar medidas na culinária. E na vida, também. O prazer é maléfico em quantidades muito altas, assim como sua ausência também é prejudicial à saúde. 

Equilíbrio, equilíbrio.

E por falar em equilíbrio, aqui vai uma pitada do contrário: o romano Apicius, a quem se atribui o primeiro livro de receitas de cozinha da História, usou grande parte de sua imensa fortuna em estrepolias gastronômicas impensáveis. Fez milhares de banquetes, viagens, loucuras, em prol de comer do bom e do melhor, esbanjou uma fortuna em ingredientes caríssimos...Gastou tanto, mas tanto, que  lhe sobrou o que considerou pouco para que pudesse continuar vivendo com tal abundância. Contudo, o que restou de sua fortuna era ainda bastante, mas Apicius queria sempre mais, e mais, e mais... Queria não ter limites, mas teve medo de tê-los, dali em diante. Então, envenenou-se. Cometeu este ato por acreditar que empobreceria e não conseguiria manter-se, alimentar-se, saciar a gula que pautava sua existência. Pelo jeito, abdicou da vida, para não abdicar da gula.

O saborear é mais duradouro quando não é afoito, quando não precisa de grandes porções para a satisfação. E, como no dito popular, 'tudo o que é demais, enjoa'. Pode até não enjoar, mas, a partir de um determinado ponto, sacia a demanda fisiológica pelo prazer, e torna-se excesso. Como em Apicius...

Há outros dois quesitos importantes, em se tratando de felicidade: 

1) O papel das novidades na vivência do prazer;
2) As relações que fazem parte da nossa rotina: cônjuge, familiares, amigos, colegas, chefes, funcionários, prestadores de serviço, e assim por diante. Há diversas formas de tornarmos nosso dia melhor, estabelecendo um bom convívio com quem é parte de nossa jornada. 

E esta é uma outra parte da conversa...

Por enquanto, fico por aqui.

Obrigada pela visita!

Abraços,
Betina

Fonte: "Fique de bem com seu cérebro"-Suzana Herculano-Houzel. Ed. Sextante.


Bem-vivendo!

E agora é com você: 

1) Quais 'pequenos prazeres' rotineiros habitam o seu dia?

2) Que atividades tornam seu cotidiano mais feliz?

3) O que mantém você no 'agora'?

4) Identifique algo que você faça com expertise!

5) Quem você inclui em suas atividades prazerosas?

6) Há atividades lúdicas que goste de desenvolver sozinho?


Pense, escreva, desenhe, pinte e borde!

Este desafio é para despertar a consciência sobre 
as vivências prazerosas cotidianas, essenciais para o bem-viver.

 Uma dica: depois de responder, siga adiante, entrevistando sua família, seus amigos, seus colegas! Invente novas perguntas, provoque a reflexão sobre os 'pequenos prazeres' no dia-a-dia de cada um.

Bom Proveito!

...e até mais tarde!

Abraços,
Betina

A partilha do bacalhau na Sexta-Feira Santa!

Bom, hoje tivemos um radiante bacalhau em família, na comemoração desta Sexta-Feira Santa! Daquelas coisas que repito: a alegria da partilha, de conversar em volta da mesa, por horas. Risadas, memórias, sabor de família, mesmo. Sabor de ver o prato nascendo, enquanto degustávamos os aperitivos e ouvíamos boa música.

E fizemos até um Tapenade para acompanhar as bolachinhas!!! Azeitonas verdes, desta vez (o terço de um pacote, aproximadamente), combinadas com três filetes de anchovas, algumas folhinhas de manjericão, um dente de alho e o suco de meio limão: tudo no processador, que ficasse uma pasta rústica, com os pedacinhos dos ingredientes ainda 'identificáveis'. O resultado ficou contundente. Aliás, impetuoso: havia um tom de força, que se pronunciava de imediato, dado pelas azeitonas e pela anchova, contrastando com a refrescância do manjericão e do limão. Rapidíssimo de fazer, sai em dois toques. Por isto que é bom manter a despensa abastecida de boas surpresas!!!

E tudo acontecendo na cozinha. Enquanto conversávamos, o bacalhau era preparado na panela de ferro, e o cheirinho celebrava aquela parte deliciosa de compartilhar: o preparo. Para mim, este momento é muito significativo, pois nos torna de expectadores a participantes da cena culinária. Somos parte da história daquele almoço, conhecemos os ingredientes 'desde que nasceram' dentro da panela.

Por onde olhássemos, havia vida: na união dos compostos, colaborando para o aroma, na textura, no gosto, na melodia, nas cores do prato. Havia vida na conversa de cozinha, no bate-papo duradouro que acompanhou a comilança, na atmosfera festiva. E o bacalhau estava de repetir, repetir, repetir...

Hoje, posso afirmar, a culinária cumpriu um de seus principais objetivos: a integração, a comensalidade, a partilha do sabor que produzimos. A partilha do sabor que somos, em cada comida feita por nós. 

Uma reunião informal, um prazer calmo, uma boa cozinha: elementos que florescem , quando juntos. 
O produto-final? A felicidade!

Amanhã tem mais!!!

Boa noite!

Abraços,
Betina


sexta-feira, 29 de março de 2013

Treinando o 'agora' enquanto mexe a polenta: apresentação interessantíssima de Cynthia Lair!

Esta apresentação reúne muito do modo como penso o ato culinário: a rica vivência do presente único, do 'estar no aqui e agora', mexendo a polenta ou cortando a cebola. A cozinha como meditação, como exercício de foco, de silêncio, de escutar-se, de vivenciar todos os nossos sentidos no instante mágico em que estamos preparando o alimento. E a palestrante diz algo como 'a sopa entende quando nos dedicamos a deixá-la melhor, e retribui, entregando-nos o sabor ainda mais prazeroso'.


Vale a pena ver! A experiência culinária promove uma riqueza enorme no campo da felicidade cotidiana!

Bom Proveito!!!

Abraços,
Betina

Pequenos e grandes prazeres

Olá!

Tive uma semana corrida, como todos nós quando março chega ao final e abril entra, anunciando que sim, o ano está seguindo. Adoro esta época de outono, rotineira, em que nosso percurso alinha-se ao aconchego dos dias de sair de casaquinho. Foi uma semana dificílima em termos de falta de tempo, e algumas vezes consegui vir ao Blog postar isto ou aquilo. Foram, em geral, textos mais curtos, então há assuntos pendentes a retomar...

Por exemplo?

Ainda não conversamos sobre os sabores e os excessos da Roma Antiga,  imperando o transbordar dos grandes prazeres e sendo promovida uma fisiologia desenfreada; em contraste, em nossos tempos, vemos nascendo um olhar para a Felicidade como potencial medida do desenvolvimento de um povo, já tendo o país Butão como excelente exemplo. Uma felicidade mais baseada nos pequenos prazeres do dia-a-dia, no cultivo a valores cotidianos, que despertem o bem-viver. 

Um impulso para a busca deste 'ser feliz' foi o fato de a ONU ter definido o Primeiro "Dia Internacional da Felicidade", no 20 de março último. Fiquei pensando, aqui com meus botões, por que alternava posts sobre a felicidade com aqueles sobre a alimentação romana: constatei o paradoxo como ponto de partida, considerando o prazer como eixo da reflexão...Seria uma luta entre algo do tipo: 'Pequenos Prazeres' X 'Grandes Prazeres', se fôssemos estabelecer um confronto entre as buscas daquela época e as de hoje.

 Sim, também estamos em uma época de excessos, da conquista do prazer máximo em qualquer experiência, assim como os romanos. Entretanto, há um núcleo de mudança: começamos, há um bom tempo, a valorizar o gozo pelos prazeres mansos, como um pãozinho quente, de casca crocante e miolo macio, a manteiga espreguiçando-se sobre a fatia: tudo brindado com uma taça de café preto, logo ao acordar.

 E podemos lembrar de outras gostosuras simples, como plantar alimentos, mesmo em uma sacada diminuta; como um piquenique num parque da cidade, num intervalo de almoço; como estar com amigos para uma boa conversa em volta da mesa da copa...e tantas outras pequenas alegrias que podem nos preencher, se permitirmos acolher o que nos faz simplesmente felizes. 

Amanhã, seguimos.

Obrigada pela visita!

Abraços,
Betina

quarta-feira, 27 de março de 2013

Um ano de "Serendipity in Cucina"


Bom dia!!!

Há um ano, numa manhã gelada de férias em Buenos Aires, em pleno março, tinha início o Serendipity in Cucina !!! Eu nem poderia imaginar o percurso do blog ao longo de sua primeira jornada anual, nem tinha ideia do que viria pela frente: todos os amigos, leitores, comensais do sabor escrito, descobertas, textos, o '´Pequeno Alfarrábio", novas e antigas receitas!

Estamos aqui, leitores! Hoje, comemoramos nosso aniversário de 1 ANO!!!

Agradeço muito pela partilha, e convido a seguirmos juntos para as próximas comemorações!!!

Um grato abraço!

Betina

terça-feira, 26 de março de 2013

Minha Entrevista sobre Escrita Culinária - Rádio UNESP

Boa Noite! 
Compartilho o link da entrevista feita por Oscar D´Ambrosio  na Rádio da UNESP, em que conto sobre os percursos deste blog, do "Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras" e de como tudo nasceu. Falando em escrita, em cozinha e em escrita de cozinha, campo internacionalmente conhecido como 'Food Writing'. 


Para os leitores de outros idiomas, em abril apresentarei a entrevista transcrita, aqui no blog. A versão em áudio, disponível no link, fica melhor com fone de ouvido.

Obrigada pela visita!

Abraços,
Betina


domingo, 24 de março de 2013

Qual sua receita de Páscoa?

Já que estamos por voltar ao tema 'Felicidade', depois da breve interrupção para a amostra de receitinhas da Roma Antiga...e aproveitando a chegada da Páscoa...é hora de perguntar:

Qual sua receita tradicional para a Sexta-Feira Santa? E para o Domingo de Páscoa? Aquela receita que identifica você, e pela qual todos perguntam "Trouxe????"

Faça o que você faz tão bem, o que lhe dá prazer na realização:
isto também é partilhar-se.
É, sobretudo, Felicidade!

Desejo bons preparativos para a semana!

Abraços,
Betina

Convite para lançamento em Sampa!

 
                                
 Convite aos amigos e leitores!
Lançamento do meu 
"Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras", Dia 02 de Abril, a partir das 18:30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo! 

Espero vocês por lá!
Abraços,
Betina

Outras doçuras da Roma Antiga: fáceis de fazer!

Além da 'Dulcia Domestica', as outras sobremesas romanas apresentadas no livro "Recetas con Historia", de Ángeles Díaz Simón, são também adequadas ao nosso tempo, na forma descrita pela autora. Maçãs assadas com frutas secas, Flan de queijo ('Tyropatinam') e Flan de frutas secas são outras doçuras possíveis. Quero fazer cada uma, para então registrar os experimentos aqui no blog...

Maçãs assadas com frutas secas: Famosas, citadas por Marcial, Apolo, Virgílio...Imprescindíveis na mesa da Roma Antiga. Elaboração? Assamos quatro maçãs, por aproximadamente meia hora, cobrindo-as com pinhões e com nozes, todos picados. No momento de servir, regamos as maçãs com mel amornado e espalhamos, sobre elas, a pimenta preta moída na hora...

Flan de queijo ('Tyriopatinam'): muito apreciado nos banquetes romanos, é atribuída a Apicio em várias versões, como uma espécie de flan. Elaboração? Aquecemos o leite (1/2 litro), misturando nele o mel (2 a 6 colheres cheias, das de sopa.) Deixamos que a mistura esfrie e adicionamos 250g de queijo (pode ser tipo Feta, requeijão ou queijo fresco), a pimenta e, por último, 5 ovos batidos. Misturamos e passamos tudo a uma forma com tampa, untada, levando-a ao forno 140ºC, em banho Maria. Quando pronto, deixamos esfriar, tiramos da forma e espalhamos, por cima, a pimenta preta recém moída. Farei em casa, para fornecer detalhes como: tempo de forno, porções, aspecto de cada etapa, etc...

Flan de Frutas Secas: outra versão do 'Tyropatinam' de Apicio, esta com sabores de outono. Moemos, no pilão, 250g de nozes e 50g de pinhões. Em um bowl, batemos 3 ovos, acrescentamos 1/2 litro de leite, 5 colheres (das de sopa) de mel, os 2 grãos de pimenta Preta moídos, 2 colheradas (das colheres de sopa) de azeite e as frutas secas. Colocamos em uma forma, em banho Maria, no forno, por uma hora, aproximadamente. Na receita, não há a indicação quanto à temperatura do forno, mas supõe-se que seja a mesma daquela de 'Tyropatinam' tradicional, ou seja, 140ºC.

Se você fizer as receitas em casa e quiser compartilhar os resultados, conte na sessão de comentários! Sua participação será muito bem-vinda! Se quiser sugerir adaptações, escreva, também!

Fonte: Recetas con Historia- Ángeles Díaz Simón-Ariel, 2011.
ISBN: 978-84-344-1329-0

Muito obrigada pela visita!
Abraços,
Betina

sábado, 23 de março de 2013

Outra versão da Dulcia Domestica

Encontro esta outra versão da 'Dulcia Domestica' num site interessantíssimo, o Healthy Foodie Travels. Aqui, a receita tem algumas diferenças quanto à apresentada no post anterior.

'Dulcia Domestica'

Ingredientes:

200g de tâmaras frescas ou secas
50g de 'Pinoli'
1 pitada de sal
1/2 xícarade Mulsum tinto (a receita do Mulsum, com vinho tinto).

Modo de Preparo:

Pique grosseiramente os 'Pinoli'. Ou, se preferir, use nozes, castanha do caju ou do Pará. Eu usaria também  estas possilidades, para experimentar várias versões da 'Dulcia'.

Abra as tâmaras e recheie-as com as nozes, castanhas ou Pinoli, fechando-as. Espalhe o sal por cima, colocando-as, junto ao Mulsum tinto, em uma frigideira, até que ferva. Refogue em fogo baixo por 10 minutos. Sirva morno ou frio.

Para o Mulsum, relembrando: 750ml de vinho branco e 1/2 xícara de mel. Aqueça o mel até que fique quase líquido, agregue o vinho à panela e misture, até obter uma solução. Deixe esfriar e coloque em uma bela garrafa, levando à geladeira. Após algumas horas, sirva frio. No caso deste doce, use o vinho tinto, no mesmo preparo.

Um deleite especial para servir de sobremesa, ou num fim de tarde como um 'petisco' doce, em guardanapinhos de papel enfeitados. Uma opção outonal de lamber os dedos, nos dias friozinhos que nos aguardam...

Bom Proveito!

Abraços,
Betina



Dulcia Domestica, uma sobremesa da Roma Antiga...

E como meu prazer culinário concentra-se principalmente nos acepipes e doçuras, partilho aqui uma sobremesa ("Secunda Mensa") que muito agradou meu paladar imaginário: a 'Dulcia Domestica', termo referente a doces caseiros.

Dulcia Domestica

Sabor surpreendente e extraordinário, que põe o ponto final nas refeições romanas. Recebe um toque de sal, imprescindível para aproveitar-se por inteiro experiência deste doce. Recomendados por Apicius, de quem contarei em uma postagem específica. 

Ingredientes:

10 tâmaras sem caroços
Nozes, pinolis e pimenta preta (calcula-se 1 noz, 6 pinolis e 2 grãos de pimenta por tâmara)
Mel e sal

Elaboração:

Moemos as nozes, os pinolis e a pimenta, amalgamando-os em um pouco de mel. Recheamos as tâmaras com esta mistura. Espalhamos, por cima, o sal (não muito fino). Colocamos, em uma panela, duas a três colheres (das de sopa) de mel, aquecendo-o; caramelizamos as tâmaras, retirando-as com cuidado para que não se rompam. Deixamos esfriar e servimos.
(fonte: Recetas con Historia-Ángeles Díaz Simón)

Há uma outra versão, que apresentarei na postagem seguinte, que usa o 'Mulsum' (vinho adoçado com mel) no preparo deste doce. Além do mais, outras sobremesas  da Roma Antiga merecem destaque, por sua história, seus ingredientes e pelo sabor que despertam no imaginário...

Bom Proveito!

Abraços,
Betina




Acepipes da Roma Antiga...

Enquanto preparo a postagem sobre a importância da Felicidade para a saúde, venho ao blog seguir nossa prosa sobre a História do 'comer', em vários tempos e lugares.
Partilho algumas passagens do livro 'Recetas con Historia', de Ángeles Días Simón.

Depois de falar na 'Olivarum Conditurae' e no 'Mulsum', da Roma Antiga, vi, neste livro, alguns acepipes e doçuras que podem entrar, facilmente, em nossos cadernos de receitas atuais. Basta manter a despensa com boa provisão de ingredientes, colocar o avental e instrumentar-se com boa imaginação e prática.

Uma das iguarias que mais chamou minha atenção: os 'Bucellatum', biscoitos salgados de azeitonas negras. Elaborados sobre as brasas, eram acompanhados de lentilha e cebolas, e servidos aos soldados romanos. São biscoitos imponentes, fartos, que despertam a curiosidade e o apetite necessários para darmos início aos aperitivos ('Gustatio', na Roma Antiga),  minha etapa favorita nas refeições de final de semana.

Bucellatum

Ingredientes

2 xícaras de farinha de trigo integral
2 colherinhas de azeite de oliva
Algumas azeitonas negras, sal, orégano, tomilho e um pouco de gergelim
Água morna, o necessário.

Elaboração:

Colocamos em uma tigela  a farinha, o sal, o azeite, o orégano e o tomilho. Vamos colocando, pouco a pouco, a água morna, amassando todos os ingredientes até formar uma massa homogênea que desgrude das mãos. Se for necessário, acrescentamos um pouco mais de farinha. Uma vez que se forme uma bola, incorporamos as azeitonas negras em pedacinhos e amassamos de novo. Abrimos a massa em uma superfície com farinha, e fazemos os biscoitos usando um copo. Por cima, espalhamos o gergelim.
Pré-aquecemos o forno a 250ºC, colocamos os biscoitos em uma forma durante 10 a 15 minutos, aproximadamente, até que estejam dourados. Saem umas 20 a 30 unidades do tamanho das bolachas 'Maria'.

Pode-se colocar levedura; neste caso, deixamos a massa repousar por meia hora antes de fazer os biscoitos que, com este ingrediente, ficam mais esponjosos.

Uma delícia para saborear com o Tapenade, por exemplo, ou com o 'Moretum', uma pastinha de queijo, atribuída a um poema de Virgílio.

Moretum

Ingredientes:

2 dentes de alho
Algumas folhas verdes de aipo
Coentro, cominho, sal e qualquer erva a gosto
Azeite de oliva virgem, vinagre e vinho
250g de queijo de cabra ralado ou despedaçado.

Elaboração:

Feito com um bom pilão, imprescindível na cozinha romana.

Trabalhamos o alho com o sal, acrescentando as folhas de aipo e as ervas. Amassamos bem. Incorporamos o queijo, acrescentando pouco a pouco umas colheradas de azeite, vinagre e vinho. Deixamos o conjunto repousar de um dia para outro. O resultado é uma pasta dura e untuosa, ideal para acompanhar os 'Bucellatum'.

Ambas as receitas foram extraídas do livro referido acima, 'Recetas con Historia', fantástico pela linguagem apetitosa, rico em relatos históricos sobre a cozinha de diversas épocas. Fiz uma tradução livre, mas indico a obra para as estantes de livros gastronômicos dos lares de quem gosta de botar a 'mão na massa'!!!

E um livro que não pode faltar, para quem tem prazer na leitura de aspectos históricos do comer, é o História da Alimentação, organizado por Jean Louis Flandrin e Massimo Montanari. Referência obrigatória na biblioteca de cozinha de quem deleita-se com os 'porquês' de nossas raízes gastronômicas. 

Escolhi receitinhas, hoje, que sejam fáceis e rápidas para um bom aperitivo de sábado e domingo...Há outros quitutes para registrar aqui no blog, algumas doçuras inusitadas, umas xícaras e colheres de história e cultura...

Bom Proveito!

Abraços,
Betina








sexta-feira, 22 de março de 2013

A 'Felicidade Interna Bruta'...

Boa noite!

Eu estava por escrever mais algumas receitas históricas interessantíssimas, as sugestões para nossos tempos, algumas ideias aqui e acolá...E veio o 20 de março de 2013, o primeiro "Dia Internacional da Felicidade"! Determinado pela ONU...

Bom, e como felicidade é um assunto muito sério, em termos de saúde, inclusive, decidi pensar nisto no post de hoje. Sou de ficar feliz com pequenas coisas do cotidiano: encontrar um amigo na rua, fazer um bolo saboroso, tomar um cafezinho em silêncio no meio de uma tarde corrida, numa daquelas cafeterias momentâneas nas vizinhanças do trabalho.

A cozinha, o Blog, a partilha, as risadas, o amor, uma invenção culinária: tudo me deixa feliz, mesmo quando efêmero ou em tempos difíceis. Mas há outras formas de perceber e de valorizar a felicidade, às vezes mais custosas, mais complicadas...

 O que você acha: haverá quem considere este 'ficar feliz' algo tão precioso que reserve para ocasiões especiais?  Haverá quem economize vivências rotineiras, simples, que  dão aquela sensação boa, alegre, prazerosa, guardando as 'milhas' de felicidade para algo astronomicamente importante? Ainda: haverá quem espere por algo que valha a pena para estar feliz, como se não quisesse 'gastar' a felicidade  no trivial? 
A meu ver, a tal felicidade não é uma ocorrência histórica, algo extraordinário que nos acontece. No meu sentir, é no exato 'ordinário' que ela habita. E isto é precioso, pois temos uma riqueza nas mãos, a ser vivida com maciez, com prazer, sem check-in, sem cerimônias. Claro, este é meu modo de perceber a dita-cuja, que hoje partilho nesta reflexão.

Agora, pensando...Isto de a ONU estabelecer um dia para a Felicidade pareceu-me curioso, de início. Disse para mim mesma: "...Mas a Felicidade precisa de um dia especial?"

Pois refleti sobre isto, ontem. Partilhei com amigos, família, gente querida. Lendo sobre o tema, percebi que há o propósito de promover a conscientização para a importância de ser feliz, algo proclamado internacionalmente. E não é verdade que isto às vezes nos escapa, se estamos felizes ou não? Que às vezes vamos seguindo, algo anestesiados, pelos caminhos do dia? Que nem prestamos atenção nos sabores do que comemos, nas texturas, nos aromas, na parte de nós que ingere sem degustar? Que cozinhamos com a cabeça nas preocupações?

E tantas outras verdades existem nesta privação cotidiana de alguns quanto ao 'saboreio' da felicidade diária. 

Foi quando li algo sobre o Butão, que usa a "Felicidade Interna Bruta" como indicador de desenvolvimento. Eu tinha ouvido falar sobre isto, mas nunca me detive muito, confesso. Ontem, ao ler sobre o fato de a ONU ter definido a relevância do tema, atribuindo-lhe um dia especial (pela primeira vez na História), fiquei curiosa.


Vale para pensar em como é possível conquistá-la, sentir o bem-estar, andar com leveza, e tantas outras vivências simples do nosso dia-a-dia. Ao usarmos nossas 'milhas' de Felicidade no simples percurso dos nossos afazeres, das nossas relações, e por aí vai, já instalamos o bem-viver. Não vou entrar no mérito de valorizar as dificuldades, que fazem parte das agendas de todos nós. Hoje, dedico-me a focar no que podemos buscar de bom, de simples, para a caminhada diária. E o próprio termo "Serendipity" quer dizer, em linhas gerais, um "acaso feliz"...Foi por isto que escolhi este nome para o blog, pelos tantos 'acasos felizes' que a cozinha pode propiciar, se estivermos atentos. Assim como acontece pela vida afora: se estivermos 'ligados', e não com a cabeça em problemas, estaremos presentes em nossa rotina e com maior abertura para percebermos oportunidades felizes.

Um treino bárbaro para esta atenção ao presente é o fazer culinário: pelo prazer que propicia e pela necessidade de estar focado em cada etapa da receita, em cada invenção, em cada descoberta.

Benefícios da Felicidade para a nossa saúde? Contarei em breve!

Gracias pela visita!
Um abraço,
Betina

quarta-feira, 20 de março de 2013

o "Dia Internacional da Felicidade"

Bom dia!

E já que hoje é o primeiro "Dia Internacional da Felicidade", declarado pela ONU e tudo, que tal dedicar um pedacinho das horas para um ato feliz, comemorando esta data? 

Sabemos que isto é burocrático, e que o importante é buscarmos esta meta rotineiramente. Então, hoje é mais um dia para a felicidade, assim como ontem, amanhã e depois. Entretanto, a meu ver, vale para a conscientização global fazermos parte deste entusiasmo: um dia inteirinho para o todo o Mundo pensar em ser feliz como objetivo. Fico em dúvida se é bom ou mal sinal esta história de precisar existir um dia especial para se comemorar a tal felicidade. Um modo de prestar atenção neste propósito?

Como vou celebrar? Hmmmm...Inventando na cozinha! Estou bolando algo para hoje. Vejamos...

E você: como vai passar o dia da Felicidade?

Abraços!
Betina

domingo, 17 de março de 2013

Sabores da Roma Antiga...Traduções possíveis!


Lembram que prometi, na semana passada, a  tradução da receita da 'Olivarum Conditurae', da Roma Antiga?


Cumprindo a promessa...

Olivarum Conditurae- Receita original de 'de Re Rustica'



"Muitas pessoas picam em pedaços pequeníssimos o alho-poró, a arruda e a menta, junto ao aipo, e agregam a este conjunto as azeitonas picadas. Após, adicionam um pouco de vinagre apimentado e uma porção  um pouco maior de mel ou de vinho de mel ("Honeyed Wine")*, chuviscam a mistura com o azeite de oliva e então a cobrem com um ramo de aipo."


(Tradução da versão em Inglês da receita em Latim)

Honeyed Wine: Mulsum, da Roma Antiga, atribuída aos festins romanos. É um preparado de vinho com mel- precisamente, 750ml de Vinho Branco seco e 1/2 xícara de mel. Aqueça o mel em uma panela, até que diminua a viscosidade e fique quase líquido; então, adicione o vinho, misturando os ingredientes até obter uma solução. Deixe esfriar e, com um funil, coloque em uma bela garrafa, levando à geladeira por diversas horas, antes de servir.

Voltando ao assunto, a 'Olivarum Conditurae'...

Redação Moderna

Ingredientes
1 alho-poró
1 ramo de arruda
3 folhas de menta
2 talos de aipo
2 colheres de sopa de Vinagre de Vinho Branco
1 colher de sopa de mel
60ml Azeite de Oliva
150g de azeitonas verdes
4 cravos
1 dente de alho
Pimenta

Preparação da "Olivarum Conditurae"
Método: Lave e corte em pedacinhos o alho-poró, fazendo-o ferver por 5 minutos. Pique as ervas grosseiramente, colocando-as no processador de alimentos, com o alho-poró e os ingredientes líquidos, fazendo uma pasta macia. Passe o composto para um bowl; tire os caroços das azeitonas e pique-as delicadamente, adicionando-as ao bowl. Faça o mesmo com o dente de alho. Tempere com sal e pimenta, misturando bem. Deixe na geladeira até servir. A mistura pode ser usada como patê ou como um dos ingredientes da Pizza Pompeiana (Pompeiian Pizza), que contarei em breve.

Bom, confesso que fiquei curiosa por esta receita do Olivarum Conditurae, com misturas tão estranhas, como o uso da arruda com a menta e o cravo, aliados às azeitonas, ao alho e...ao mel. Por esta exuberante apresentação, e por sua origem nas observações de Columella, escritor agrícola da Roma Antiga, eu julguei que não poderia deixar passar. Afinal de contas, parece ser esta a fonte do Tapenade. 

Mais do que isto, considero que o olhar para receitas e anotações históricas seja muito válido para experiências criativas na cozinha, com um tempero de 'reedição' de sabores. Acrescentei a nota sobre o "Mulsum", o vinho de mel da receita de Columella, para ampliar o leque de ideias em nossas invenções culinárias. Quem sabe fazemos um destes em casa, para oferecer numa salada de rúculas com tâmaras e presunto de parma crocante, num almoço de outono? 

Como é típico na cozinha, uma receita leva à outra...

Bom Proveito!!!

Obrigada pela visita!

Um abraço,
Betina Mariante Cardoso



sexta-feira, 15 de março de 2013

Refletindo sobre receitas históricas...

Daqueles percursos inusitados, em que dobramos numa rua qualquer e descobrimos algo fantástico...Pois com a história do Tapenade foi assim. Acabei conhecendo não apenas as variantes da receita, mas suas origens, o papel do Columella como escritor agrícola, sua versão deste acepipe- quiçá a primeira-, e um site com apontamentos históricos da Gastronomia.

A semana foi corrida, com os preparativos e o lançamento, ontem, então não consegui tempo suficiente para me dedicar a ler sobre a figura do Columella, seus feitos com árvores, flores e preparos. Meu desejo é postar a tradução da sua receita junto com detalhes sobre sua vivência na Roma Antiga, contando um pouco da riqueza que já vi em seu material. Decidi trabalhar em dois tempos: primeiro, passo a receita dele, já adaptada aos nossos tempos, conforme consta no site; num segundo momento, em breve, conto algumas de suas peripécias culinárias. Pelo que vi, não são poucas...

E ele fez uma espécie do que fazemos com a escrita gastronômica hoje em dia, antecipando uma tendência global: escrever sobre o alimento e sobre nossos costumes alimentares.

Entretanto, o motivo principal desta postagem é que, curiosando no referido site, em que descobri suas notas sobre o Tapenade, encontrei receitas de outros lugares e de outras épocas, também antigas (Medievais, Vitorianas, e tantas outras...). Achei tudo muito interessante e resolvi compartilhar o link aqui no blog. 
Temos sempre que ir longe na caminhada, a descoberta é infinita!!! Chegar a este material me trouxe o desejo de reler o percurso histórico da receita de cozinha e seu papel na experiência que vivemos hoje com a Gastronomia. Bom, o papel da receita, o papel da História, o papel dos registros culinários que adquirimos ao longo  dos séculos. 

Qual a importância desta bagagem?

Pelo jeito, esta é uma bela conversa...

Um abraço,
Betina Mariante Cardoso




quarta-feira, 13 de março de 2013

Estão todos convidados!!!!


Mas, afinal, o que é Tapenade?

Pois fiz o Tapenade, no sábado, seguindo o 'como-se-faz' do Chef Fernando Trocca, na edição da revista argentina El Gourmet, de maio de 2011. O interessante é a composição de ingredientes: duzentos gramas de azeitonas pretas, dois filetes de anchovas, quatro folhas de manjericão, um dente de alho e o suco de um limão. Por que interessante? Bom, digamos que, a meu ver, ele subverte a ordem do Tapenade: não só  elimina do projeto as alcaparras, como também o azeite de oliva, elementos em geral presentes nas anotações clássicas...

Afinal, o que um Tapenade clássico tem? Azeitonas, alcaparras, azeite de oliva, temperinhos e, às vezes, anchovas...Como existem muitas variantes, diz-se: Tapenade disto, daquilo, daquilo outro...Esta, a da revista, vem em uma matéria sobre o Chef, em que apresenta sete criações com azeitonas. Então, nomeia: Tapenade de Azeitonas Pretas. 

Os ingredientes no Processador!
Em processo...
Prontinho...Agora é só enfeitar!
Para servir em dia de visita!
Resultado final, visto de cima.
Preparado para dormir na geladeira, até o dia seguinte...
Montagem informal!
 A cor? Um roxo magnífico, desbotado de modo homogêneo. Uma elegância de traje, como um casaco de veludo invernal, nesse tom de roxo que adoro...
Do sabor? Há uma força intrigante na mistura destas com o limão, o viço do conjunto é impetuoso. E os olhos se abrem, quem sabe, de surpresa. Ao final, aparece, discreta, a presença das anchovas, e toma conta por um instante...As folhas de manjericão ficam subliminares na sensação de refrescância, dando uma sutileza que se espalha, sem a gente saber ao certo de onde vem. Para mim, essas folhinhas são o fator que faz a diferença!

Um ponto valiosíssimo: a rapidez do preparo. Coloquei todos os ingredientes no processador, poucos minutinhos de saculejo, e estava pronto nosso Tapenade. Ao processar, cuidei que a textura ficasse rugosa, mas percebi, vendo fotos na revista e em livros, que poderia ter feito a 'pastinha' ainda mais rústica, com os pedaços mais graúdos. Basta deixar na despensa um vidro de azeitonas pretas, outro de anchovas, pegar umas folhas do Manjericão da sacada, ter um dente de alho na reserva e o limão disponível: está aí nossa receita!!! Se as visitas resolvem chegar de surpresa, num toque você prepara este acepipe, para servir com biscoitos salgados ou torradinhas.

Se tiver tempo, prepare de um dia para o outro: é a grande  pedida! Proteja o recipiente com filme plástico, deixando-o descansar na geladeira pela noite, e sirva no dia seguinte. Os sabores se acentuam pela convivência... e o resultado é estupendo!

Num caderno anterior, encontro um recorte com a receita fornecida na revista Estilo Zaffari: 
é fácil de ter em casa: 250g de Azeitonas Pretas; 1 dente de alho;1 colher de alcaparras; 50g de anchovas; 60ml de azeite; Suco de 1 limão. Coimo fazer? Colocar todos os ingredientes no processador. Servir com torradas ou fatias de pão Também pode ser usado como molho frio para carnes e peixes. Quando recortei esta receita, nem conhecia o Tapenade, mas lembro bem de ter gostado pela força dos componentes e pela rapidez no preparo.

Há muita informação interessante, uma delas é a origem, que envolve uma dúvida: atribui-se à região da Provence, na França...No entanto, há relatos de que foi na Roma Antiga o real nascimento, como contei em post anterior. 

Amanhã tem mais: a tradução da receita do  Collumella, de um Tapenade da Roma Antiga, ainda mais estranho...e, ao que parece, delicioso!

Bom proveito!!!

Abraços, 
Betina Mariante Cardoso

segunda-feira, 11 de março de 2013

Entrevista sobre o Blog, o livro e a escrita culinária, publicada no CELPCYRO





Boa tarde!!!
Enquanto preparo a postagem sobre o Tapenade, com dicas das várias apresentações possíveis da receita, compartilho  entrevista realizada pela Profa. Dra. Elizabeth Brose , em que conto sobre a escrita culinária, o prazer de cozinhar, a realização deste blog e do "Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras" e a subjetividade na Gastronomia. 

Bom proveito!!!


Abraços,
Betina Mariante Cardoso

sábado, 9 de março de 2013

'Columella', Escritor Agrônomo da Roma Antiga: possível inventor do Tapenade


É delicioso perceber como cada nova receita abre um labirinto de possibilidades, variações, histórias, culturas. Ontem, por exemplo, fui pesquisar a história do Tapenade, uma pastinha de atribuída origem provençal, ótima para a hora dos aperitivos, e descobri que há uma série de modos diferentes deste acepipe: com alcaparras e sem alcaparras, com anchovas e sem anchovas, e por aí vai...Interessante é que a palavra 'Tapenade' seria referente ao termo 'alcaparras', na Provence, quando se criou a iguaria, mas algumas apresentações dispensam este ingrediente. Há também uma indicação de que sua origem seria na Roma Antiga, em que o nome seria Olivarum Conditurae, com azeitonas, alho-poró, aipo e alho, e também servida nas entradas. 

Enquanto preparo a postagem com as fotos da Tapenade que fiz ontem, pela receita do chef Fernando Trocca na revista argentina El Gourmet, trago a curiosíssima preparação Romana. Esta é feita por Lucius Junius Moderatus, de alcunha 'Columela', escritor agrônomo na Roma Antiga, e sua obra é considerada o mais extenso  e documentado repertório sobre a Agricultura Romana. Pois leio que ele lidou também com a Pecuária, a Apicultura, a cura de animais, passando pela elaboração de produtos e conservas...Escreveu 'De re Rustica' (Os trabalhos no Campo) e 'Liber de Arboribus' (Livro das Árvores). Neste último, aborda o cultivo arvense, como o da videira, até árvores como a oliveira ou as árvores de frutos. Fala também de flores como a violeta e a rosa.

Cheguei ao trabalho de Columela por pura Serendipity, procurando a história do Tapenade, mas fiquei encantada em saber de sua atividade como escritor agrônomo. Já naquela época, o autor escrevia sobre os alimentos, criava e registrava receitas, aproveitava técnicas e as relatava. Bem próximo do que fazemos hoje, quando escrevemos de cozinha, transmitimos nosso 'como-se-faz', relatamos experiências. De fato, a comunicação sobre os ingredientes e o 'alimentar-se', passando adiante a vivência dos sabores, é parte de nossa necessidade humana de compartilhar a mesa. Ao vivo ou em palavras...



Olivarum Conditurae (Columella- de Re Rustica) 
Acerbam pauseam mense Septembri vel Octobri, dum adhuc vindemia est, contundere; et aqua calida paululum maceratam exprime faeniculique seminibus et lentisci cum cocto sale modice permixta reconde in fideliam et mustum quam recentissimum infunde; tum fasciculum viridis faeniculi superpositum merge, ut olivae premantur et ius superemineat. Sic curata oliva tertio die possis uti. 

Fonte: http://www.celtnet.org.uk/recipes/roman/fetch-recipe.php?rid=roman-olive-celery-tapeande



'A seguir cenas do próximo capítulo'... A tradução desta nota sobre o "Olivarum Conditurae", a receita e as imagens do Tapenade experimentado aqui na cozinha, ontem. 

Bom Proveito!!!
Abraços,
 Betina Mariante Cardoso









 

sexta-feira, 8 de março de 2013

Tim-tim: chegamos aos 10.000 acessos neste primeiro ano!

Queridos leitores!!! Graças à nossa partilha, atingimos os 10.000 acessos, neste quase um ano de "Serendipity in Cucina", que aniversaria em 27 de março! Tantas gentes de países diferentes visitam o blog, que a alegria é multiplicada!!!

Compartilho a notícia, com um tim-tim!

...E, por falar em tim-tim, estou preparando as cenas do próximo capítulo: Tapenade, para o Happy Hour do sábado! Conhece? Escolhi a receita divulgada na revista argentina El Gourmet, que adoro.

Amanhã posto as fotos e as etapas do 'como-se-faz', além das adaptações possíveis.

Um abraço, e muito obrigada por partilharmos esta celebração! 
Betina Mariante Cardoso

Homenagem do Blog ao Dia Internacional da Mulher: Julia Child e todas nós...



Neste Dia Internacional da Mulher, o "Serendipity in Cucina"  puxa a brasa pro seu assado, homenageando Julia Child e tantas mulheres que fizeram, da cozinha, seu território de liberdade, de criação, de coragem, de persistência e de sucesso. Quer no âmbito mundial, como é o caso de Julia, quer no âmbito de nossas famílias, vale homenagearmos todas nós, mulheres que falaram e falam ao mundo através de seus sabores, temperos e histórias do 'como-se-faz'.

Em especial, uma homenagem às nossas Avós, que transferiram legados afetivos e culinários riquíssimos através de um prazer coletivo, a 'Comida de Vó', presente na memória e no imaginário de muitos. Esta força das avós, carimbada pelo carinho manso e pela expertise no preparo do alimento, é o calor atávico que se transmite por tantas gerações.

Acima de tudo, celebrando este Dia, o 'Serendipity in Cucina' parabeniza as Mulheres, em suas histórias e percursos, aqui e acolá, na cozinha e fora dela, em todos os tempos e espaços. 

Um abraço,
Betina Mariante Cardoso

Como uma sesta na rede...



Bom, hoje tive um dia corrido,  almocei qualquer salgado entre uma tarefa e outra, nem lembro se saboreei. Sim, houve uma tentativa, mas a coisa era tão ruim que não tive como forçar a barra. Afinal de contas, saborear é um prazer especial, pleno, que requer um estado de ânimo à altura. E não era o caso, naquele agito. Hoje, na turbulência, pude apenas mastigar, engolir, e segui a próxima ordem da agenda.

 Serviu de alerta: uma tarde sem sabor, burocrática como o salgado que absorvi.

Nisto, me dei conta: 'esqueci' de aplicar o que sempre digo: o prazer do alimento também nutre, tanto quanto os ingredientes que ingerimos. Um mastigar corrido custa muito caro ao nosso organismo, tanto do ponto de vista objetivo como subjetivo: privamos nosso dia de um momento único, do nosso contato com nossos sentidos e com nossa capacidade de degustarmos algo que nos dá felicidade. Mesmo que efêmera, só no momento de sentar à mesa,  a felicidade ao vivenciar a refeição é essencial para a saúde  e para o bem-estar.

 Então, vim buscar este relax na escrita. Fiz um repousinho, amansei os tumultos, e o post aconteceu.

E mais: agora à noite inventei um belo  lanche, feito de improviso na cozinha. Um prazer manso, pra compensar minha falta com algo fundamental: uma nutrição calma, sem atropelos, completa em todos os sentidos. Saborosa.
 Como uma sesta na rede...

Você degusta ou cumpre seus almoços?

Boa noite, e obrigada pela visita!
Abraços,
Betina Mariante Cardoso

quarta-feira, 6 de março de 2013

Sobre minha palestra "O subjetivo na cozinha: a culinária como metáfora"



"O ato culinário é, ao mesmo tempo, uma experiência individual e coletiva, uma oportunidade de autoconhecimento, de entrega a si mesmo e, simultaneamente, de partilha, de doação, de expressão dos afetos positivos. Exercício contínuo de liberdade e de disciplina, de firmeza e de flexibilidade, de gratificação e de tolerância às frustrações. De foco e de atenção no presente, pondo em ação cada um dos nossos cinco sentidos. Exercício de resiliência, a cada receita. Sobretudo, o ato culinário representa uma das circunstâncias mais propícias para experimentarmos o singular e o plural, para nos aproximar de nós mesmos e daqueles a quem admiramos, amamos e que são parte de nossa história."

"Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras"


De que modo a cozinha alimenta nossa subjetividade? Este é o tema da palestra “O subjetivo na cozinha: a culinária como metáfora”, que farei na ocasião do lançamento do meu caderno de crônicas culinárias “Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras”.

Aguardo vocês, amigos e leitores, para nossa prosa de forno-e-fogão!

13 de Março de 2013, às 19hs, na Livraria Cultura do Bourbon Country. Às 20hs, ocorrerá a sessão de autógrafos do 'caderno'.

Abraços,
Betina Mariante Cardoso

terça-feira, 5 de março de 2013

Outra vez, a partilha: palestra 'O subjetivo na cozinha: a culinária como metáfora'

E vocês...O que prepararam na cozinha, no final de semana?

Hoje deixo a pergunta, na espera das novas ideias culinárias para sábados e domingos!!!

 Estou aqui, trabalhando na apresentação da palestra de lançamento do meu 'Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras', no próximo dia 13 de março, às 19hs,  na Livraria Cultura do Bourbon Country, em Porto Alegre!!! 

Tema da nossa conversa no dia 13, na Livraria? "O Subjetivo na Cozinha: a Culinária como Metáfora"...E fiquei pensando em todo o rumo que percorremos, eu e vocês, nas prosas deste (quase) um ano de 'Serendipity in Cucina'. Para montar o conjunto, reli alguns posts, revisitei todos os comentários, alegrei-me com a partilha que construímos ao longo do período, na expectativa do que seguirá. Afinal de contas, fazer um caderno de crônicas culinárias, com as páginas para as criações do leitor na segunda parte do livro, foi a realização de um sonho meu. Um sonho partilhado, cheio de aromas de cozinha, de cores e de texturas que entregam vida ao cenário. 

Bom, acredito de coração que um caderno de receitas, daqueles manuscritos e manchados de massas, molhos e farinha, seja um documento subjetivo, intenso, e absolutamente TRANSFERÍVEL! Sim, escrevi certo, e esta é uma de suas maiores virtudes, poder ser passado de uma geração à outra. As confissões, notas e registros do 'como-se-faz' passam da bisa para a vó, então para a mãe, e para nossos filhos, e assim por diante. Por exemplo, um dia, descubro, através de uma prima, que minha avó paterna colocava 'FIM' ao completar o escrito de uma receita, datava e assinava. 

Há figuras que se tornam personagens de nossa lembrança, só pelas anotações que deixam nas folhas. Num instante, descubro caligrafias de gente muito importante na minha história, espalhadas no meu caderno. E reencontro tempos de mim, pelas receitas que já fiz, ou por aquelas que anotei para fazer um dia, ou por informações memoráveis na data, hora e local onde foram feitas ou boladas. Então, no meu sentir, um caderno de cozinha tem um valor afetivo muito precioso, por isto fiz o livro como caderno culinário. E, para celebrar o subjetivo de cada um nas terras do 'forno-e-fogão', quis incluir esta parte no projeto: uma porção de páginas só do leitor, que vira co-autor do meu 'Pequeno Alfarrábio'.

Outra vez, a partilha.

O que estou armando para nossa conversa?

Amanhã conto mais...

Abraços,
Betina Mariante Cardoso

domingo, 3 de março de 2013

A Aventura dos Scones!!!


Pois ontem vivi uma experiência mágica na cozinha. Curiosava há dias uma das minhas revistas favoritas, a El Gourmet, na edição de agosto de 2011, deliciando-me com a matéria sobre o chef pâtissier Argentino Oswaldo Gross, como relatei na postagem anterior.
Queria fazer algo especial para o lanche da tarde, para esperar as crianças, que viriam pelas 18hs...Escolhi a receita de Scones clássicos, dada pelo Sr. Gross. Na fotografia, pareciam tão apetitosos, tão macios os bolinhos, que senti vontade de tentar. O desafio? Seguir as medidas à risca, algo que defendo, mas que me esforço para cumprir...(risos...).

Segui a receita...400g de Farinha de Trigo, 60g de Açúcar e 20g de Fermento em Pó (químico), processados com 120g de manteiga fria, cortada em cubinhos, até conseguir uma textura granulada. 
Em separado, numa vasilha, uni 50g de Iogurte Natural, 150g de Creme de Leite (usei a Nata tipo light) e 1 ovo, misturando-os sem bater, até atingir uma textura homogênea. Então, uni as duas preparações e trabalhei a massa manualmente, sem amassar muito. Precisei de um pouco mais de farinha, além do indicado, até que a massa soltasse das mãos. 
Com o rolo, estirei a massa a 2cm e dobrei-a sobre si mesma. Estirei-a mais uma vez, até que tivesse 3cm de espessura. Fui ao extremo desta vez: medi com a nossa régua de cozinha! 
Cortei os bolinhos não com o cortador de 6cm de diâmetro, como ele indica, mas com o cortador em forma de coração. Não resisti!!!

Untei a forma com manteiga, coloquei os corações ali e pincelei cada um com a gema levemente diluida em água, como costumo fazer. 
Com o forno pré-aquecido a 180ºC, assei os scones por 20 minutos. (Na receita, está indicada esta temperatura para um tempo de 15 a 18 minutos.)

Alguns pontos fizeram parte da mágica: a atmosfera do final de tarde... a chegada das crianças durante o preparo... a ajuda do meu sobrinho de 5 anos, que fez questão de abrir a massa, cortar os corações e pincelá-los com a gema, sob minha atenta- e corujíssima- supervisão...o encanto por preparar uma receita totalmente nova para mim e de ter acertado a mão (terá sido a conhecida Sorte de Principiante?)

 Bom, já tinha visto algumas vezes os 'Scones' em livros de receitas, mas, sabe-se lá por quê, nunca tinha me interessado em testá-los.

A bem da verdade, adorei conhecer a maciez destes bolinhos, que têm uma textura fofa, de um bolo farelento, delicioso de morder! Li que esta característica é dada pela manteiga fria, quando adicionada ao conjunto. 

Surpreender-me com esta riqueza, que pode incorporar vários ingredientes para as próximas adaptações, provocou  em mim aquela alegria de criança, com um brinquedo novo em mãos. Claro, partilhar o preparo com meu sobrinho, que descobria no novo 'brinquedo' uma grande diversão, fez uma diferença e tanto na faceirice. Isto com certeza, pois foi incrível observar sua compenetração e prazer nas tarefas que se propôs a realizar.

Senti o fascínio pela descoberta de um quitute, a ser explorado em mil invenções futuras. Descoberta que nasceu de arriscar um caminho em branco, até aquele momento. Coisa que, já contei lá e acolá, eu adoro!

E, como diz o clássico Gourmand  Jean Anthelme Brillat-Savarin...


Obrigada pela visita, e bom proveito!!!
Abraços,
Betina Mariante Cardoso



sábado, 2 de março de 2013

Desafio para o lanche da tarde!

E você, conte o que está preparando pro lanche da tarde!!!

Pois encontrei uma receita de Scones, pelo chef patissier  argentino Osvaldo Gross, na revista El Gourmet (n. 71, agosto 2011). Procurando, encontrei sua página de Clássicos no site do elgourmet.com, e vim compartilhar aqui no Blog. 

A propósito...
"O scone é um pão rápido (quick bread - expressão usada para diferenciar os pães que não utilizam fermento biológico) de origem escocesa. Ele é muito popular no Reino Unido e também nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Irlanda. O que faz o scone ser diferente de um pão simples é que a manteiga que é adicionada deve ficar em pequenos pedaços, dando uma textura toda especial" 
(fonte: inglesgourmet.com/2011/09/scones/). 


Esta é uma especialidade que nunca fiz...Vamos ver como me saio...
(Afinal, vou exercitar meu maior desafio na cozinha: seguir receitas à risca!)

Ingredientes a postos, figurino apropriado, musiquinha de fundo: Ao trabalho!!!

Qual seu maior desafio na cozinha?

Abraços,
Betina