sábado, 2 de fevereiro de 2013

Sobre Santa Maria, RS, Brasil

Nesta semana, não há escritos, não há sabores. Não consigo pensar em nenhum tema, nenhum post, nenhuma degustação possível frente à tragédia de Santa Maria, que tirou, de tantas famílias, desejos pulsantes nas vidas dos jovens que faleceram. Há uma tristeza espalhada em todos nós, gaúchos, uma perplexidade pelo inusitado desastre, sim, mas também pelo descompromisso, pela irresponsabilidade, pela falta de ética, pelo sem-nome de erros que resultaram naquela fatalidade. Há algo em nós que também morre. Há algo em mim que dói de modo intenso, mesmo que eu, diretamente, não conhecesse nenhuma vítima: a dor nasce de nosso Humano mais profundo, em nossa carne e em nossa alma. É como se eu houvesse perdido alguém muito próximo, que não voltou pra casa naquela noite, que não partilhou, com a família, o café da manhã de domingo, o churrasco, a sesta, o lanche da tarde. Há vidas que foram ceifadas, pais que perderam seus filhos, amores que perderam seus amores, e tantas outras perdas e impossibilidades. Graças a Deus, há também sobreviventes, solidariedade, apoio, amor, abraços apertados de conforto, tentativas de se respirar de novo. Entretanto, não há motivos para se falar em gostos, sabores, cheiros, sons, texturas. Em respeito à Tragédia, o que há é o silêncio do prazer, das vontades, dos sentidos. Uma reflexão em cada um de nós e em todos nós, nestes dias de pesar.

                                                       
Obrigada pela visita. Em breve, retomo o rumo de nossa prosa.

Abraço,
Betina Mariante Cardoso

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