quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Passeios de Foco

E foi a partir do desejo de explorar o sentido da Visão para as peripécias culinárias que surgiram meus 'passeios de foco'. É como eu chamo as saídas de campo para lugares com alguma característica especial, dentro da minha cidade, como uma Floricultura ou o Mercado Público. Sim, estes foram os primeiros, mas estou planejando os próximos...

E viro, de certo modo, personagem de mim: sinto-me viajante em terras de longe, só para manter livre o olhar, um olhar virgem do conhecido, do 'de sempre'. Um olhar predisposto à descoberta em cada giro do pescoço à esquerda, à direita, à frente. Lembra-se de quando contei, lá nas primeiras postagens do blog, que minha forma de vivenciar a cozinha é muito semelhante à forma como experimento as cidades estranhas?

Deixo-me capturar pela curiosidade, pelo detalhe espontâneo que surge no meu campo de sensações. Digo isto porque, nestes passeios, não só a visão me toca, mas me entrego aos sentidos, decido que eles devem me escolher, me chamar. O mais predominante, nestas saídas, é o da Visão, mas há um entrelaçamento tão forte deste com o olfato que a intensidade do ver-sentir torna-se grande, imponente. 
A escolha das imagens a fotografar, então, é feita ao acaso, como não poderia deixar de ser, mas responde à seguinte pergunta:  "O que esta imagem me fez sentir?" ou "Esta impressão me toca?" 

Então, as cenas que me tomam em cheio - e que registro na máquina fotográfica- são um mapa para dentro de mim: fazem com que eu descubra que elementos, que cores, que impactos me mobilizam. A sensação de prazer, nestes 'passeios de foco', é enorme, pois sinto a vida pulsante nas fotografias escolhidas, conheço um pouco mais de mim quando compreendo que focos busca meu olhar.

Não mencionando aqui  as questões de estar no presente e de permitir-se o prazer, minha intenção é demonstrar como é importante explorarmos nossos sentidos em toda sua extensão, desbravar suas fronteiras, apresentar a nós mesmos as 'nossas' fotos, nosso jeito de enxergar as figuras de um cenário. 

Numa real sensibilização do olhar, propiciamos que nosso 'jeito de ver' seja treinado a conectar o que vejo com o que sinto, elemento crucial na escolha dos ingredientes para nosso prato favorito.Aprender a olhar nos dá mais segurança na feitura de um quitute ou no perseguir, obstinada, a cor exata do creme do Tiramisù, em cada uma das etapas e ao final do processo. E isto, sem dúvidas, incrementa o prazer da experiência culinária!!

Em breve, algumas fotos dos 'Passeios de foco'.

Obrigada pela leitura!

Abraços,
Betina Mariante Cardoso

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