quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Entre Paixões e Sabores... (Parte II)

Toda essa prosa sobre Paixão e Amor acabou nascendo na vizinhança do 'Valentine´s Day', dia dos Namorados ao redor do Mundo. Nos últimos dias, um assunto foi levando ao outro e, quando eu vi, cheguei no tema, quase por acaso. Não que não tenha percebido a proximidade da data, mas foi por acaso que acabei falando em amor.O Dia dos Namorados no nosso Brasil, 12 de junho, é o que comemoro, então dia 14  de fevereiro não é um dia de celebração, para mim. No entanto, como este blog tem queridos leitores por tantos países, sendo os Estados Unidos um dos principais, além da Alemanha, França, Portugal, Russia, Itália, Espanha, e tantos outros,  fica aqui a homenagem a este dia, em minha reflexão.

Considerando as explicações embasadas no livro 'A Natureza do Amor', de Donatella Marazziti, o apaixonamento é uma das idades do amor, necessário ao seu desenvolvimento. Nos apaixonamos por algumas pessoas ao longo da vida, mas não por outras pessoas. Não há espaço para o 'mais ou menos', em se tratando de paixão. A gente se apaixona ou não se apaixona por alguém. Este é um desfecho objetivo, dado pela definição da Amígdala Cerebral, que diz: 'gosto disto' ou 'não gosto disto', com base nas informações que vêm pelos 5 sentidos, através do Tálamo. Este 'gosto' não significa o 'gostar' de que temos compreensão cognitiva, e sim refere-se à resposta nuroquímica da Amígdala frente à informação que chega pela visão, tato, olfato, gustação, audição sobre aquele 'alguém'. É como se esta estrutura 'reconhecesse' esta informação como 'bem-vinda', e se dá todo o circuito explicado ontem. 

Abstraindo longe, esta mesma resposta objetiva é dada por nossa capacidade de sentir gostos, os cinco gostos básicos: doce, salgado, ácido, amargo e umami. Assim como na paixão, aqui não há espaço para o 'mais ou menos': um destes cinco gostos, inadvertidamente, vamos sentir. Sempre. Não há o detalhe, o gozo, o regozijo que há no sabor; há, isto sim, a resposta cerebral a um dos cinco gostos que nós, Humanos, somos capazes de sentir. E ponto. Por isto comparei o apaixonamento à nossa capacidade de sentir gostos: objetiva.

O que eu acho mais interessante: toda esta decodificação, ao final, ocorre em nossos sistemas anatômicos e fisiológicos sem, no entanto, chegar por primeiro ao Neocórtex. Lembram que ele é o último a ficar sabendo do que está acontecendo em casa? Pois, na minha opinião, é quando ele entra em cena que começa o 'saborear': o detalhamento, o prazer demorado, o usufruto vivenciado em todas as mordidas, a delicadeza das percepções subliminares de um sabor que quase não se pronuncia, as entrelinhas de uma doçura que o gosto não pôde diferenciar: é doce e ponto, diz o 'gosto'.

Para mim, o amor é este saborear lento, minucioso, rico de prazeres diminutos e, ao mesmo tempo, rico de matizes de aromas, de misturas...É  quando chega a vez deste saborear persistente e mais sutil que estamos no estágio do vínculo, do apego, do amor propriamente dito, reconhecido pela Neurociência como o estágio em que predomina a oxitocina e suas virtudes. A etapa do amor a ser vivido com  demora, em suas nuances. Pois a tal da Oxitocina nos faz ter vontade de estar com nosso par, nos faz desejar a construção de uma vida com ele, conhecer seus detalhes, saborear a rotina, esmiuçar seus defeitos e qualidades e amá-lo como é, degustando os momentos cotidianos. 
Como fazemos, em cada mordida de um doce que nos faz feliz e nos dá um bem-estar calmo e bom de sentir.

Então contei, acima, minha abstração maluca sobre as diferenças entre o 'Gosto' e o 'Sabor', 'Paixão' e 'Amor'. Quem sabe, um artifício pra falar neste tema tão presente em todos nós... E hoje ainda mais, mundo afora!

Que todos tenham um feliz 'Valantine´s Day'!

Abraços,
Betina


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Participe! Vou adorar compartilhar emoções culinárias com você! Com carinho, Betina