sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O sorriso contagia: do pedaço de bolo aos neurônios-espelho...



O emblemático 'Bolo de Melado da Anilda', de que já falei tantas vezes...Pois é, registro de felicidade, para mim. Já contei deste registro, e de tantos outros, trazendo o bolo como um personagem vivo de minha história. Por isso resolvi usar esta doçura como exemplo dos mecanismos de felicidade que somos capazes de dar e receber, graças aos nossos sistemas fisiológicos, bioquímicos, anatômicos..."A felicidade começa no cérebro", como escreve a Neurocientista carioca Suzana Herculano-Houzel, autora do livro 'Fique de bem com seu cérebro'. Vamos caminhar um pouco por suas páginas?

Este é um livro, em linhas gerais, sobre a Neurociência das emoções e atitudes positivas, ligadas à saúde e ao bem-estar. A linguagem é deliciosa, leve, e temos a sensação de que a autora está explicando coisas super complexas de um modo muito natural, numa daquelas conversas na mesa da copa. Os exemplos são cotidianos, podem acontecer na vida de todos nós, e são dirigidos a produzir a consciência para uma vida melhor. Ela explica o que acontece conosco em situações e emoções rotineiras, detalhando o funcionamento do nosso cérebro e o que podemos fazer, ativamente, para incrementar a saúde física e emocional. traz uma bibliografia completa, estabelece correlatos entre a pesquisa e nossas vivências mais simples, aponta referências relevantes no campo da Ciência, que trouxeram dados importantes. Enfim, é um daqueles trabalhos para ter em mãos, ler de quando em quando, anotar na caderneta os pontos de 'Plim', aqueles que ecoam em nós.

E um destes pontos de 'Plim', na minha caderneta, é a Felicidade, capítulo 4 ("Sorria e busque a felicidade"), do livro "Fique de Bem com seu cérebro", de Suzana Herculano-Houzel.

E o que anotei?

"A felicidade é contagiosa" é o subtítulo. "O cérebro faz o corpo expressar felicidade, mas uma manifestação de felicidade também pode deixar o cérebro feliz. Segundo o psicólogo Paul Ekman, especialista e pioneiro no estudo das emoções, adotar a expressão facial de uma emoção pode bastar para produzir no corpo as alterações fisiológicas normalmente associadas a ela. Ou seja, adote um semblante de medo, e o seu corpo manifestará medo; ilumine seu rosto com uma expressão de felicidade genuína, contraindo o músculo orbicular das pálpebras, e seu corpo começará a se preparar para esta emoção. Sorrir traz felicidade, mas só o sorriso verdadeiro consegue fazer isto.

(...) Ver alguém sorrir proporciona um efeito idêntico, pois ativa as mesmas áreas do cérebro que são acionadas quando nós mesmos sorrimos."

E então a autora explica sobre nossas áreas cerebrais associadas ao despertar do sorriso, referindo algo muito importante: "ver uma pessoa sorrindo pode ser suficiente para nos fazer sentir que estamos sorrindo por dentro, também."

Entramos, assim, na compreensão dos ditos "neurônios-espelho", cuja existência foi descoberta no início do Século XXI. Estes consistem, numa explicação simplificada, na base para a empatia, para a percepção do outro, a partir da capacidade da expressão facial e da postura corporal de contaminarem as emoções alheias, como define a autora. E avança: "Quando você vê alguém sorrindo, os seus neurônios-espelho provocam as contrações musculares necessárias para que você imite, ou espelhe, a ação da pessoa."

Procurando compreender...O nosso corpo responde à informação de felicidade dada pelo cérebro, nos SENTIMOS felizes no corpo quando o cérebro envia a mensagem de que há felicidade circulante. E o cérebro também envia esta mensagem quando recebe a informação, pelos neurônios-espelho, de que nosso amigo está feliz, sorrindo, provavelmente degustando o pedaço de bolo de cenoura com cobertura de chocolate, que recém ganhou de presente, feito por nós.

Bom, o cérebro informa o corpo sobre o estado de felicidade, através de reações específicas, com resultados motores (a formação do sorriso, por exemplo.); além disso, o corpo pode informar o cérebro, pela via contrária: sorrimos para 'avisar' o cérebro que pode sentir felicidade, ou medo, ou raiva...Escolhemos a felicidade, bem melhor! E há uma terceira rota: o cérebro recebe a informação a partir do contato com o outro, pelos 'neurônios-espelho': se ele sorri, o cérebro recebe e aciona a empatia, a percepção das emoções do nosso amigo que está sorrindo de bolo na mão, com o chocolate derretendo pelo laranja macio do conjunto. Sorrimos também, quem resiste?

Por fim, dentre tantas informações especiais neste capítulo, ressalto o que a autora diz sobre fazer bem a outra pessoa: "O bem que fazemos aos outros retorna ao nosso cérebro quando vemos o resultado estampado no rosto da outra pessoa". Benefícios para o nosso corpo, fazer o bem ao outro. Isto não diminui o valor do altruísmo, ao contrário: aumenta o poder da partilha.

Recomendo muitíssimo a leitura desta belíssima obra da autora Suzana Herculano-Houzel. E, sobre felicidade, aproveito para contar que, em 2006, em Harvard, uma aula sobre FELICIDADE atingiu uma audiência inédita...

Mas esta já é uma outra conversa no balcão da cozinha, junto da massa sovada para o pão.

Gracias pela visita!

Boa noite!!

Abraços,
Betina Mariante Cardoso


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