quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Silêncio do Pão

E, no repouso do Pão de Salame e Funcho, havia um silêncio bom de escutar. Um silêncio de harmonia, de crescimento, de convívio manso entre os ingredientes que habitavam a receita. Um silêncio que, fermentando, acolhia em sua intimidade os temperamentos de cada componente. E permitia que, ao final, todos tivessem seu papel na modificação da massa. Um belíssimo trabalho em equipe, feito em quietude, sem alardes. Um silêncio feito de vida em processo, a vida do Pão de Salame e Funcho. Vida que crescia do mutirão da Farinha, do Fermento, da Água, do Queijo Parmesão, do Azeite de Oliva, e, claro, do Salame. Fiquei observando, procurando aprender com o instante. Os elementos desempenhando sua função: ocupados com sua força singular, sim, mas também participando em sintonia com os demais, compondo o coletivo. Um silêncio macio, como a pele da massa ao final do repouso: uma pele calma e plena de esperança. E um silêncio fértil, rico em possibilidades, na expectativa do calor vindouro, no forno.

Escutei, atenta, à vida que nascia ali.

Gracias pela visita!
Abraços,
Betina Mariante Cardoso

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