terça-feira, 6 de novembro de 2012

O 'código de barras' do alimento...

Depois de contar do começo da minha nova leitura, ontem, uma série de reflexões tomou espaço. 'A Fisiologia do Gosto", de Brillat-Savarin, apresenta escritos sobre aspectos universais, não apenas ligados à Gastronomia, mas há temas ligados à nossa humanidade mais profunda, como o fato de ele referir que os Prazeres da Mesa não estão associados tanto à fome, ao apetite, mas à capacidade humana de convívio, de comunicação, de interação e afeto, de recepção do viajante, de surgimento dos idiomas, e por aí vai...Então, o prazer de comer, como referi ontem, é ligado à nossa biologia, algo para satisfazer a necessidade de o sujeito alimentar-se, assim como ocorre também com os animais. A diferença ocorre na vivência prazerosa da mesa, onde há a reunião e a comensalidade, a ligação com o outro, algo que é exclusivamente nosso.
Escrevi sobre esta diferença entre a satisfação da sobrevivência, o papel das emoções e da compreensão e elaboração racional, quando trabalhei no texto 'Nossos três cérebros por um chocolate quente'. 

Pois é, e Brillat-Savarin trata do assunto de um modo surpreendente para sua época. Há um capítulo exclusivo sobre o apetite, outro sobre os sentidos, este sobre o prazer, e tantos os horizontes que a comida pode despertar em nossos campos da memória, das emoções, da imaginação. No entanto, podemos 'adormecer' para estas possibilidades, por exemplo, ao comer correndo, ao não saborearmos, ao perdermos o apetite, ao exagerarmos no estímulo aos sentidos. Todos estes comportamentos são formas de não valorizarmos a riqueza que temos à disposição através da vivência do comer.

E onde está um segredo para usufruirmos do alimento nos nossos vários domínios? 
Considero que um dos principais segredos esteja no corpo. É ele que decodifica a satisfação das necessidades, do prazer, da reflexão, do entusiasmo. É o corpo que 'lê o código de barras' do alimento, e conta para o cérebro, através dos nossos cinco sentidos, como compreender o que estamos vivendo, em termos de sensações, de sentimentos, de lembranças. Então, é essencial estarmos atentos à saúde do corpo, para que possamos receber, na refeição, todos os benefícios de corpo e de alma que a cozinha tem o potencial de nutrir. Nesta atenção à saúde, está o foco no presente de nossa realidade física. Sentimos calor? Sentimos frio? Sentimos fome ou ausência dela? Temos desejo de doce ou salgado? Ou amargo ou ácido? O que esta acontecendo dentro de nós?

Se voltamos nosso olhar para nós mesmos, redescobrimos caminhos nossos que havíamos esquecido. E o alimento é um personagem fundamental desta descoberta.

Até amanhã! E obrigada pela visita!!

Abraço,
Betina Mariante Cardoso

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