segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Uma Serendipity na Estante!

Já faz um tempinho. Eu mexia nas estantes de livros, procurando uma obra específica - que aliás nunca encontrei ali, mas noutra prateleira da casa. Ao puxar um volume, 'pulou', intrometido, um manuscrito de cozinha que fiz no verão de 1987, na casa de praia dos meus avós maternos. A capa, feita de colagens, traz a palavra 'Doces'-com letras de vários tipos-, a cópia da foto de uma torta, pintada a canetinha, um docinho recortado em uma estampa invernal, acolhido pelo papel para doces...E a descrição do conteúdo do livro: 'Docinhos, Tortas, Sorvetes, Doces'. 

Pois bem, o caderno apareceu por Serendipity, mesmo, enquanto eu buscava outro tal que perdeu a relevância, frente aos achados nas minhas anotações: várias receitas tradicionais, extraídas à beira do fogão, e de cuja existência eu não me lembrava. Foi escrito na mesa da copa, de frente à janela que dava para um gramado viçoso, amplo. A casa era a do Vô Hélio e da Vó Léia, e a Vó Alda, de quem contei no texto anterior sobre a Ambrosia, passava com eles o veraneio. Era fabuloso aquele período, com todos os avós juntos, muita coisa boa na mesa, um monte de conversas, festejos, idas e vindas da beira do mar. 

Na vizinhança, a casa de primos muito chegados, que conviviam conosco na temporada e fora dela. Com esta gente toda disponível, à época, 'entrevistei' as avós, as tias e primas sobre suas especialidades, e registrei nas minhas páginas. Pesquisei outros livros de receita, copiei algumas por escrito (não sei com qual critério, aliás...), fiz cópia de outras para colar, e tantas outras variáveis...De um modo apagado e pouco nítido, lembro disto. Não tinha ideia, no entanto, que ali habitam duas relíquias: as rapadurinhas de leite da Vó Léia e os pãezinhos com goiabada, em formas de bonecos, da Vó Alda. 

No caderno, a 'Nega Maluca', exibida, é a primeira a se mostrar. Seguem as copiadas de obras tradicionais e, por fim, as receitas de família. 

Encontrar estas anotações por acaso foi uma alegria para mim, que descobri ter pedido, sim, o 'como-se-faz' da rapadurinha para a Vó Léia, coisa que eu lamentei por anos não ter feito. E lembrei dos tais 'pãezinhos com goiabada', que a Vó Alda fazia muito: tinham a massa de consistência macia, sabor adocicado e, acima de tudo, eram muito fofos de morder...Melhor ainda: com o recheio da goiabada exultante, saindo lá de dentro! Quando pequena, o que eu adorava também eram as formas das gostosuras: bonecos, lua, estrela, e animais. Receber os pãezinhos era uma experiência lúdica e encantadora, e consigo, ainda hoje,'tocar' na alegria que sentia ao receber um daqueles, recém-feito, saído do forno. De tanto apreciar, 'entevistei' a Vó Alda, e eis aqui o resultado (como está escrito no meu caderno): 


"Para a massa:

4 ovos
2 kg de farinha de trigo
Leite o bastante que dê para amassar
1 xícara bem cheia de banha
1 1/2 xícara de açúcar
2 colheres de fermento granulado

Modo de fazer:

Mistura-se bem a massa, deixa-se descansa 10 minutos. Então, sovar e fazer o pão, inventando as formas que quiser.

Recheie os pãezinhos (ainda como massa) com goiabada, ou qualquer outra coisa. Leve para assar e deixe esfriar. "

A receita não diz a temperatura do forno, o tempo de preparo, as porções...Vale a pena fazer, e ver o que nasce! Depois, me conte!!

Um abraço, e obrigada pela visita!
Betina Mariante Cardoso


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