sexta-feira, 7 de setembro de 2012

'Prática de Laboratório'...

Os chocolates da semana: lembrancinhas de Formatura

Estive ausente esta semana, eu sei...Estava dedicando boa parte do meu tempo à confecção dos chocolates para as lembrancinhas de uma festa de formatura do curso de  Farmácia, que ocorrerá amanhã, e que foram meu presente à formanda. Trabalhei bastante, mas com tanto prazer que nem cansei! 

O que fiz, principalmente, foram os temperados: um processo muito lúdico, um 'laboratório' de misturas, sabores, experiências. Em breve vou postar as fotos e contar mais sobre este episódio. Hoje, no entanto, gostaria de caminhar uns passos para trás, conversando sobre o surgimento da etapa de 'temperar' chocolates, no início de  2002.
Assim como o início de tudo se deu para presentear meu irmão, na Páscoa de 1988, os novos ventos da fabriqueta caseira chegaram através dele, também.

Com este post, aproveito para homenageá-lo pelo 'Dia do Irmão', 05 de setembro! Eu estava em plena atividade, então deixei para escrever hoje, com calma, depois de cumprida a tarefa da semana. 

Estávamos no calorão de Porto Alegre, em meados de fevereiro de 2002. Eu tinha recém revisto o filme 'Chocolate', e a aventura da personagem sempre me entusiasma; sou capturada pela trilha sonora mágica, pelos cenários, pela alquimia dos gostos e formas, pela força do processo criativo e construtivo dos sabores. Naquele mês, meu irmão fazia um curso de foco empresarial, e precisava criar um produto para o desenvolvimento dos aprendizados. Combinamos, sistematizamos a ideia, e fiz os chocolates. Imbuída do espírito inovador do filme, resolvi criar misturas interessantes, que dessem o diferencial à produção. Foi quando nasceram o 'branco com menta e gengibre', 'branco com açafrão e cascas de  laranja', 'amargo com café e cardamomo', 'amargo com cascas de laranja', 'ao leite com canela e crocante de amanteigados', 'bombons Navarone' (pasta de Bolacha Champagne com café e conhaque), 'vento de especiarias' e por aí vai...Foram tantas variedades, na época, criadas no espontâneo da hora, que de algumas nem me lembro. Foi tão vivo o processo, tão prazeroso e desafiador, que entendi, naqueles dias, que a mudança na minha forma de pensar os chocolates viera para ficar.  Minha alegria foi que, mais uma vez, meu irmão foi o motivo das chocolatices. 

O período durou uma semana, dez dias. Contudo, foi tão intensa a algazarra, que a impressão é de ter durado bem mais tempo. Instalava-se, na criação das peças, uma nova lógica: conhecer as combinações possíveis. Usei páprica, descobrindo um resultado imperativo no chocolate branco; no açafrão, para dar a cor amarela, encontrei um belo companheiro para as cascas de laranja açucaradas. Tentei Noz Moscada com café, com coco, ou pura, no amargo; pimenta calabresa em flocos, pimenta preta no amargo, pimenta Cayena. Tudo era válido para despertar novas sensações pelos chocolatinhos. Além dos temperados, outras estrepolias: crocante branco com raspas de limão e coentro, por exemplo.

E assim teve início não apenas um projeto para cumprir a finalidade do curso empresarial que ele realizava, mas uma descoberta minha, interna, do prazer infinito que é a liberdade de criar estes sabores inusitados. Trata-se, acima de qualquer coisa, da permissão para a vivência lúdica, a possibilidade de errar e acertar, num universo de misturas e de combinações 'insólitas'. 

O momento do 'fazer chocolates' é algo tão mágico, por causa desta liberdade, que parece um episódio suspenso no tempo. Ali, me encontro com aromas, cores, sabores e ciclones de criação, embalada pela trilha sonora do filme, ou por músicas que em geral ouço na cozinha. Esta prática de laboratório envolve toda a produção numa atmosfera viva, pulsátil, plena de entusiasmo e de descobertas: cada mistura criada é um nascimento. A exploração de temperos dá ao 'fazer' um tom desafiador, enquanto o encontro de crocantes diversos permite inventar ainda mais combinações.

E, sempre fundamental, o ofício abre espaço para a Serendipity.

E ainda não falei sobre o papel das formas dos chocolates no meu percurso...Bem, esta é uma outra prosa.

Betina Mariante Cardoso

2 comentários:

  1. Fiquei suspensa no ar, no tempo, nos sabores e misturas, completamente encantada! Seu blog está dos deuses! Beijos, querida!

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  2. Querida Fá!!!

    Que bárbaro receber tua visita!!!!!!!!! Que bom que gostaste: agora, volta sempre! Este espaço é importante para mim exatamente pela possibilidade de partilhar as vivências. Fico sempre muito contente a cada visita, a cada novo leitor, a cada leitor assíduo, pois é com o propósito de partilhar que atravesso a 'folha em branco' e registro minhas impressões e experiências ali. Grande beijo, e obrigada pelo comentário!

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Participe! Vou adorar compartilhar emoções culinárias com você! Com carinho, Betina