segunda-feira, 17 de setembro de 2012

As Rapadurinhas de Leite da Vó Léia


Pois é. Quando escrevi o texto "As delícias nos vidros de café", em 02 de Julho, nem imaginava que,  neste meu primeiro caderno de receitas, encontrado por pura Serendipity, estaria a receita das rapadurinhas de leite da Vó Léia...

Havia algo na mordida daquele doce: uma maciez crocante. Fruto de alquimia, talvez. Cortadas em losangos, de uma altura de uns dois centímetros, as porções individuais eram um afago, um abraço apertado, um calor que aquecia a alma da gente. 
A cor? Um ouro escurecido, fosco, um tom que nunca mais vi. 
Os pedaços eram viçosos, pulsantes. 
E esfarelavam, levemente, soltando poeira de festa pela cozinha. 
Espalhavam mágica, purpurina dourada, isto sim!

Prontos, habitavam o pote bege, amplo, voluptuoso. 
Ficavam ali, no armário da copa, esperando as visitas, os gulosos, as conversas amenas de verão, em torno da mesa. Duravam semana ou duas.
Então, a Vó Léia fazia de novo as rapaduras, repondo o aconchego na estante, quando o último losango partia.

Era como se não houvesse fim, como se o pote estivesse sempre repleto, 'convidadeiro', renovando-se para acarinhar família, vizinhos, amigos.
Sempre ali.

Assim, feito a Vó.



Abraço, e obrigada pela visita,
Betina Mariante Cardoso

Leia também: "As delícias nos vidros de café" (02/07/2012)

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