domingo, 26 de agosto de 2012

Revisitando 'Dona Mimi Moro'


Foi de propósito que citei Dona Mimi Moro no post anterior. Entre os leitores, haverá aqueles que ouviram falar nela, outros que viam seu programa na TV, os seguidores de suas receitas...Pois Dona Mimi era madrinha do meu avô, Helio Moro Mariante, o que a tornou alguém muito presente no meu imaginário, desde pequena. Não cheguei a tempo de conhecê-la pessoalmente ou no Programa de Culinária na TV Piratini; assim, o espaço que ela ocupa em minha vida é pelo ouvir contar, tempo afora. E pela receita da Torta de Palmito com Queijo, que passou do caderno de cozinha da Vó Léia para o da mãe, e então para o meu. Com uma mudancinha aqui, outra ali, a receita consta nos cadernos: 'Torta de Palmito da Mimi Moro'! A mãe fez este quitute tantas vezes que solidificou a importância da receita-e da Dona Mimi- em nossas festas. Ah, e a Culinarista marca presença em nossa cozinha, também, pelo prato de servir tortas, pintado por ela para minha mãe.

    Amália Mascarello Moro, ou, como era conhecida Dona Mimi Moro, nasceu em Flores da Cunha,RS, em 21 de outubro de 1894, e faleceu em Porto Alegre, em março de 1977. Foi a primeira apresentadora de culinária na TV do Rio Grande do Sul, a partir de 1959.*

Mas andemos uns passos para trás.

Teve sua educação orientada para as funções de mãe de família e dona de casa; neste percurso, começou aos dez anos de idade seu aprendizado no preparo de alimentos. Veio morar em Porto Alegre em 1930; por mais de 30 anos, dedicou-se ao ofício com rendas e trabalhos com agulha, sem nunca perder o interesse pelas atividades de cozinha. Começou dando aulas de Arte Culinária com propósito beneficiente: seus dois primeiros cursos ocorreram quando Dona Mimi fazia parte do grupo que dirigia a creche Nossa Senhora Auxiliadora, em benefício da creche. Não demorou muito para sua fama como Professora correr pela Porto Alegre daqueles tempos: além do talento para as aulas, tinha vasto domínio em uma grande quantidade de pratos. Recebeu o convite para lecionar Arte Culinária na TV Piratini em 1959, no Programa 'Variedades Geral'; logo após, ganhou um espaço específico: 'Cozinhando com Dona Mimi'.

Dona Mimi, depois de assistir a uma telenovela na Década de 1970, solicitou à produção do Programa uma cadeira, mesa, prato e talheres, para dar lições de etiqueta na TV. Acreditava na função educativa da televisão, considerando necessário ensinar noções de civilidade-na mesa e na tela!

Escreveu alguns livros de receitas, sendo Dona Mimi Moro uma presença obrigatória nas prateleiras de cozinha das donas de casa, nos arredores da década de 70. 

Para mim, era uma figura encantada, que habitava a imaginação, numa atmosfera semelhante àquela que ocupam os personagens de histórias infantis. 'A Madrinha', como chamava o Vô Hélio, era uma figura que emanava, na minha infância, um território de fantasia. 'Dona Mimi Moro', 'Tia Mimi', 'Madrinha' eram dizeres frequentes quando se falava nesta ou naquela receita, na casa da Vó e do Vô, lá em casa, em comemorações de família. E até hoje a sinto deste modo: com fascínio pela imagem dela no fogão, da capa de um dos seus livros (nesta postagem). Eu era criança, começava a aprender os encantos da cozinha, assistindo às preparações de quitutes, e lembro que ela era tema recorrente nas conversas: 'fazia assim, fazia assado, usava tal ingrediente'... Dela, eu sabia que dava aulas de cozinha na TV, que escrevia livros de receitas, que era dotada de grande talento. Sem tê-la conhecido, o que montou sua memória em minha vida foi o papel de professora de cozinha dedicada, Senhora  plena de delicadezas e de aptidões, dinda do vô, apaixonada pelas virtudes da Culinária. Pois bem: imagem composta de relatos, uma vivência imaginada e sentida para mim.

Hoje, sua presença em nossos registros de família fica por conta da Torta de Palmito com Queijo, também patrimônio do meu imaginário: quando planejo uma festa, a Torta está no roteiro, feita pela mãe. Tantas vezes a assisti fazer a receita, reeditando, a seu modo, a elaboração da Dona Mimi. E há sempre uma mágica nestas reproduções; a mágica de um ensinamento que vai passando pelas cozinhas de vó, de mãe, de filha. 

O prato pintado à mão pela Dona Mimi, por sua vez, sempre acolheu minha torta de maçã com castanhas, Clássica de Natal. Recebeu o bolo-caixa de bombons, nos idos de 88, e tantas outras doçuras...

 Descrever a importância desta 'madrinha' nos meus percursos culinários foi algo difícil, por se tratar de alguém que habita, em mim, uma 'memória imaginada'. O texto levou horas... Construir sua figura através de relatos é uma vivência afetiva, e eu nunca tinha escrito sobre estas lembranças e percepções antes. Dona Mimi Moro ocupa um universo de encantos de cozinha, em minha trajetória. Talvez porque ela represente o cozinhar como gosto de senti-lo: com esmero e paixão. Talvez por ela ter realizado suas aspirações com tal empenho que se destacou nos lares e nas cozinhas das décadas de 60 e 70. Seu papel nas famílias da época, no Rio Grande do Sul, foi relevante: ela habita, ainda hoje, a memória coletiva, por seus livros e pelas aulas de cozinha na TV.

E você? Que lembranças tem da Dona Mimi Moro?

Vou adorar se compartilharmos as várias memórias que ela desperta quando falamos de cozinha! Fique à vontade para participar da seção de comentários: você é muito bem-vindo!!!

Abraço, com carinho.
Betina Mariante Cardoso

*Consultas para esta postagem:






3 comentários:

  1. sempre fiz suas receitas, todos em casa ainda lembram como tudo era tão gostoso .deixou saudades.

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    1. Obrigada pelo comentário! Ela era fenomenal, mesmo! Aqui em casa adoramos, também! Abraços, Betina

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  2. Quando eu era bebê, minha mãe (já falecida) ganhou um conjunto de panelas e foi pessoalmente recebê-lo no programa da Dona Mimi. Essa figura também povoa minha imaginação, contudo, não tenho lembranças de seu programa, por ser muito pequeno quando ela faleceu.

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Participe! Vou adorar compartilhar emoções culinárias com você! Com carinho, Betina