terça-feira, 21 de agosto de 2012

O Origami e o Saco de Confeiteiro


Sábado de manhã, antes da Oficina de Origami*,  sugeri que, no almoço daquele dia, formas e cores se entrelaçassem, dando alegria à mesa. Escrevi instintivamente, sem saber que, na prática, este entrelaçamento existe feito mágica nesta Arte. Pois foi o que tivemos naquela manhã: cores e formas que geravam seres em nossas mãos, vidas de papel que nasciam de nossa ligação intensa com cada dobradura. Descobri a alquimia na atividade, uma força que é despertada quando a figura se revela pronta entre nossos dedos. De súbito, está ali a flor, o Tsuru, o peixe. Coloridos, lúdicos, nascentes e plenos de um desejo simples: viver. Já são do mundo quando pousam para a fotografia, enquanto minhas mãos se dedicam ao próximo Origami. 

Tocar no papel, sentir sua textura, percebê-lo transformando-se em algo, e de novo e de novo, me proporcionou uma vivência de força interna, num campo em que eu desconhecia: a folha como matéria-prima. O 'tocar' nela para torná-la um ser. De forma e cor, de identidade, de voz própria. 
Apesar de gostar bastante de trabalhar com as mãos na cozinha, sempre me considerei devagar quando o assunto era usá-las para as Artes Plásticas. Bem, devagar é eufemismo. Considerava-me inapta a qualquer trabalho em que as mãos fossem artistas, exceto em se tratando das Artes Culinárias. Estas sempre foram as únicas a que me dediquei. E a folha? Meu campo aberto para as palavras jogarem-se nele. Nunca me imaginei gostando da prática de uma atividade que requer foco, habilidade manual, destreza, silêncio, como esta prática Oriental...Nunca me imaginei conseguindo dobrar o papel até que chegasse na dimensão de uma flor. E nunca imaginei enxergar, literalmente, formas e cores se entrelaçando para gerar uma vida.

A Artista Plástica e Arte-Educadora Evelise Viganico, ministrante da Oficina, conduziu o trabalho de forma lúdica, com bom-humor e orientações precisas sobre cada peça, sobre cada etapa. Havia, no ambiente, uma atmosfera daquelas Aulas de Artes do Colégio. Pelo toque no papel, pelas cores, pela suavidade ou aspereza das folhas, pela pulsação das figuras, pela entrega dos participantes ao processo. 

Com esta oficina, descobri ser capaz de realizar algo que nunca pensara poder desenvolver. Mais ainda: gostei muito do exercício, em sua plenitude. E pensei no quanto, de fato, existem aptidões a que nem almejo, acreditando serem 'impossíveis' de aprender. É claro que sempre seremos melhores em algumas práticas, piores em outras. Isto é natural, Humano. O importante, a meu ver, é nos propormos ao maior número de possibilidades: ampliamos o leque do que sabemos fazer, do que gostamos de fazer, do que não gostamos, mas somos aptos a fazer. Quando nos desafiamos, conhecemos mais de nós mesmos. Quebramos nossa estagnação, fazendo algo que nunca faríamos, por gosto ou habilidade, e compreendemos que toda nova experiência é parte do nosso percurso de mudança. Incorporamos o novo em nós, passamos a desenvolver um campo de ação diverso, e isto tem implicação em quem somos, em quem nos tornamos a partir de então. 

Na cozinha, sinto isto em relação aos trabalhos com Saco de Confeiteiro. Amo as decorações possíveis com os bicos, mas considero um trabalho de artesania de tal delicadeza que só a mão mais hábil poderia  esculpir com eles. A meu ver, aqui está a preciosidade do desafio: a percepção, dentro de mim, de que realizar a nova tarefa é apenas mais uma vivência, e não um Tribunal. A permissão interna para realizar, errar, aprender, gostar, descobrir, é o que faz com que tenhamos vontade de seguir em frente. 

Trabalhamos com um número cada vez maior de ferramentas para nosso auto-conhecimento. Acredito de fato que sabermos o que fazemos bem feito, e, ao mesmo tempo, desafiarmos o desconhecido, seja um equilíbrio necessário para avançarmos em nossa trajetória. 

Enfim, com Origami ou com Saco de Confeiteiro, tenho em  mãos a possibilidade de gerar mudanças em  minha vida, na visão de mim mesma. E nas próprias aptidões, pela plasticidade cerebral: em toda atividade, quanto mais fizermos, melhor faremos!

Hoje, fico por aqui.

Boa noite!

Betina Mariante Cardoso

*OBS: A Oficina de Origami foi realizada em 18 de Agosto de 2012, na Luminara Escola de Hobby, tendo como ministrante a Artista Plástica e Arte-Educadora Evelise Viganico. 


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