sábado, 11 de agosto de 2012

Fenômeno Paella: Homenagem ao Dia dos Pais!!!


 Das especialidades culinárias do Pai, que são várias, eu destaco a Paella: tem um efeito transbordante na alma dos comensais. Bom, trata-se de uma vivência completa de cozinha a realização do prato. Os convidados acompanham o preparo, observam as etapas, deixam-se envolver pelo perfume de cada ingrediente na receita. 

Comer é uma parte da alquimia, apenas; é o desenvolvimento de todo o processo que desperta o viço do sabor em nós. Tendo assistido ao desenrolar da Paella, às cores vivas dos pimentões, das ervilhas, do Azafran;  tendo seguido, pelo faro, a essência robusta formada pela química entre os compostos, o sujeito se vê em situação de enlevo. Dali em diante, torna-se ingrediente da cena, também, como os camarões, o arroz, os polvos e lulas. A panela tem vida própria: ela pulsa! Existe, ali, a entrega do cozinheiro ao ofício, uma entrega absoluta e recíproca entre ele sua criatura. Estão em uníssono, isto sim. E o sabor é o resultado final, adentrando a alma de quem experimenta. Há sempre o estímulo aos cinco sentidos quando falamos em culinária-alguns com mais, outros com menos força-, mas aqui se sobressai o conjunto da obra, ultrapassando o comer. 

Acompanhar este feito é um prazer da vida toda, algo que conheço com tanta intimidade que, quando o cheiro se avizinha, traz à tona porções da memória física, não apenas da memória cognitiva. A pele se lembra, nos poros, do calor saindo da panela; o nariz lembra; a mordida reconhece o ponto do arroz; os olhos recebem as combinações de cores como se vissem, depois de tempos, uma paisagem guardada lá no fundo da gente. Há a música dos elementos que se tornam parte do conjunto, formando um assobio manso na atmosfera.  E há algo que ultrapassa a exploração sensorial: a identidade culinária. O Pai é parte essencial do gosto da Paella que faz, e não só por ser exímio na execução. Ele é parte da receita, a receita é parte dele. Quando convida para uma Paella, sabemos que será um evento singular: ainda que seu 'como-se-faz' seja pessoal e intransferível, todo episódio é único, pleno de nova existência.

Há também o churrasco, mas este merece um post exclusivo. Devo confessar: existe alguma mágica na Paella do Pai, alguma mágica  carimbada nas minhas memórias mais antigas de cozinha, e que está nos meus registros primitivos de prazer culinário. Arrisco dizer que há um componente 'genético' entre ele e sua paella: ela tem o temperamento solar e agregador do cozinheiro.

E isto faz toda a diferença!!!!

Então, nesta prosa de hoje, faço minha homenagem ao Dia dos Pais!

Betina Mariante Cardoso




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