quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O sussurro das dobraduras

É tarde para dar 'Boa Semana!', já estamos chegando na quinta-feira. Desta vez, me perdi do relógio. Em meio ao tempo corrido, à passagem maluca dos dias, ao trabalho intenso, deixei passar a chegada da Segunda-feira para a prosa na cozinha. 

Mas valeu a pena! Hoje combinei alguns pontos da Oficina de Origami com a Artista Plástica e Arte-Educadora Evelise Viganico, que ministrará o trabalho na Luminara Escola de Hobby, dia 18 de Agosto. Pois achei interessantíssima a forma como a Evelise falou do ofício com o Origami, dizendo que temos que tratar com amor e com gentileza a folha de papel, que faremos dela uma vida, dando-lhe forma e sentido. Esta folha, que dobraremos na composição da figura, será um ser vivo em nossas mãos, esperando para se transformar em criatura a partir de nossos gestos, do cuidado e carinho, da delicadeza no 'trato' do papel. É através da forma como trabalhamos o Origami que obtemos o melhor resultado, mas vai além: o processo das dobraduras envolve concentração, foco, disciplina, persistência, calma, suavidade e firmeza, prazer e, sim, amor. Como disse Evelise, é preciso ter amor pela folha de papel, que nos acompanhará durante a jornada de criação; nossa folha será quem 'moldarmos' com nosso toque e com nosso propósito.

Senti, muitas vezes, na cozinha, a presença deste sentimento de amor e respeito. Pela massa de pão, que recebe a força das mãos; por aquela do bolo, mexida com leveza e atenção...Entretanto, o que mais me fez lembrar deste amor foram os chocolates pintados, que fiz por tanto tempo. Compunha várias tonalidades de cores em chocolate branco, deixava os potinhos na minha frente e pintava, a palito, o interior das formas de chocolate: rostos, vestidos, detalhes, volutas. Havia uma entrega tão grande à tarefa que a pintura à palito, no momento do trabalho, era meu foco máximo. E a realização só era possível  pelo amor aplicado à cada traço, pelo sutil movimento que a mão oferecia ao palito, para que acertasse a medida milimétrica no interior das formas. 

Naquele momento, estava comigo mesma em um silêncio tranquilo, numa concentração intimista e, com certeza, produtiva. E esta é a força de atividades como o Origami, também: colocam-nos em contato com aspectos do nosso 'eu' de modo leve. E profundo! Assim, trabalhamos qualidades que este ofício nos proporciona; vivenciamos nosso contato com o sussurro das dobraduras, com o cheiro do papel, com seu toque liso em nossas mãos, com a imagem que compomos em cor e forma, com o gosto de aventura por conhecer, passo-a-passo, o 'ser-vivo' que geramos na folha.  Então, temos contato conosco, com os cinco sentidos presentes em cada toque, com a intimidade que atingimos com nossa obra. Nossas dobras

E você? Em que tarefa da cozinha vivencia o amor e a gentileza nas mãos?

Para saber mais sobre a Oficina de Origami, visite: http://www.editorialluminara.blogspot.com

Betina Mariante Cardoso

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