sexta-feira, 13 de julho de 2012

Redesenhando o inverno!



Adoro bolar inventices para reuniões com amigos. Estas, por exemplo, são as bandeirinhas dos queijos, de uma das celebrações que fiz há tempos atrás, num inverno portoalegrense. Tudo em cores vivas, traços mirabolantes, imaginação a mil. A montagem começou na semana anterior, com a escolha da atmosfera que desejava imprimir à festa: decidi por algo alegre, colorido, que de acinzentados já bastavam os dias daquele julho. Queria algo criativo, com a vivacidade dos rabiscos de criança; mais ainda: queria uma idéia que trouxesse 
entusiasmo através dos elementos do cenário, 
não apenas dos acepipes. 

Comprei as espátulas para as pastinhas e garfinhos para os frios:
 um de cada cor, optando pelos tons semelhantes aos das bandeiras. Os pratinhos eram brancos; os copos e os guardanapos, de cor laranja. Os passeios de garimpo eram festivos, compor a cena exigia um espírito lúdico, em que a regra fosse o traço livre, e a mistura de cores excluísse qualquer lógica. 

Até então, minhas criações de 'Queijos e Vinhos' eram sóbrias, e os quitutes formais. Quebrei o protocolo, deixando a sala de jantar parecida com uma sala de brinquedos do Pré-Escolar. Deixei bandeirinhas brancas, já montadas, e caixas de lápis de cera à disposição, para que os convidados criassem ali suas idéias para os queijos, as pastinhas, a copa, os salames, as quiches, e assim por diante. Outros componentes, como o jogo de varetas, também entraram na roda: fincadas nos petiscos, as varetas coloridas deram um quê bem divertido. E teve até partida, depois da comilança!

E, é claro, havia o sabor, um território mágico que se espalhava pelos comes-e-bebes, pelos detalhes da decoração, pela alegria, pelas risadas, pelos desenhos dos comensais para os pratos da festa. 

Pois fiz meus patês, que tantas vezes chamo de 'pastinhas'; meu pão- semelhante à Impignolata, pão italiano feito por uma amiga para a Luminara de Pisa, pela receita de sua sogra, italiana; minha chimia de tomates, e outros quitutes.

Um dos patês que cai bem no inverno é o de Azeitonas Azapa com queijo Grana Padano, que nasceu por Serendipity: recebi o queijo numa cesta de presente, e queria experimentar algo com ele: a partir de suas características, escolhi as Azapa. Coloco uma tacinha de Vodka no final. Este toque traz o sabor inteiro à tona... É como se o conjunto despertasse naquele exato instante, e o sabor da bebida tem apenas este fim: não deve ser sentido como elemento, apenas realçar os demais ingredientes.
O desfecho é um lilás-perolado, de aspecto leve, aroma adocicado, mas levemente ácido. Gosto de criar patês em que os integrantes se contrastam. Neste, pico as azeitonas em pedaços bem pequenos; misturo ao cream cheese, trabalho bastante o conjunto, o que o deixa mais cremoso e brilhanteRalo o queijo grana (ralos grossos) e mexo bem com a mistura. Se uso alguma pimenta preta, é bem pouco, pois o sabor da azeitona é bastante forte. Acrescento o creme de leite fresco, duas ou três colheres das de sopa, o que 'unifica' os componentes; além disto, contribui para uma textura aveludada.
Base: cream cheese ou kashmier (não o light); queijo: grana padano; componente principal: azeitonas Azapa. 

Esta receita participa bem no contexto porque, além do sabor ser pungente, a cor lilás partilha com os demais quitutes uma intimidade: promove um estímulo sensorial múltiplo. No caso deste patê, a imaginação o reproduz fielmente tempos depois, inclusive na cor viçosa e no som macio, típicos de quando a espátula passa por ele. 

Noutro dia conto mais dos 'Queijos e Vinhos'!

Betina Mariante Cardoso

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