segunda-feira, 16 de julho de 2012

Louca por Funcho!




 Recebi, há alguns anos, da minha amiga Valéria, a receita da 'Impignolata', pão italiano feito pela sogra dela, italiana. Trata-se de um pão recheado com salame, ou linguicinha, e coberto com sementes de funcho ou erva doce. Fiz várias vezes, mas ainda falta muito para ficar como o pão que a Valéria e o Daniel levaram na festa da Luminara, o que segue a receita tradicional da Itália. Aos poucos, fui encontrando meu modo de desenvolvê-la, mas ainda quero realizar a façanha de seguir o tim-tim por tim-tim da tradição: foi o sabor que conheci, e que me fez ficar louca por funcho.

E é sobre este fascínio que desejo conversar, hoje.

Para mim, o funcho tem um frescor confortável, algo que toca a anima, ao provocar pelo aroma, pelo gosto, pela crocância à mordida, pela delicadeza no aspecto da sementinha. E é interessante o fato de um sabor tornar-se parte da vida da gente...

Seria aceitável se estivéssemos falando sobre o café, ou o chocolate, ou o tomate. Coisas que eu gosto e ponto, não há muito  do que duvidar. Mas o funcho? Eu me pergunto se gosto tanto é pela memória que me transporta a um acontecimento feliz, como a celebração pisana, em que conheci a 'Impignolata'. Talvez a alegria estivesse carimbada nas ranhuras da sementinha, daí meu profundo encanto. Mas vai além. O enlevo começa no cheirinho suave de pátio que sinto, algo que me embala numa atmosfera adocicada e, ao mesmo tempo, num ar terroso.
Há uma magia na experiência de saborear o funcho em várias receitas; coloco no pão, sim, quando, ao invés de rechear com o salame ou outro embutido, rasgo cada fatia deste em pedaços, misturo-os dentro da massa e cubro com as sementes no final.
Mas hoje conto de outras idéias...

Adoro colocar o Spaghetti quentinho e puro no prato, colocar uns três fios de azeite de oliva, extrair a casca de um limão com o zester, e então jogar por cima algumas sementes de funcho.

Outro prato em que adoro colocar as sementinhas é a sopa de legumes, acolhedora nestes dias frios de inverno.

O que vivencio em mim é o conforto que o funcho me traz, apaziguando os cinzas de inverno ou refrescando almoços de verão. Sempre uma quietude, um aroma que desperta um silêncio bom de sentir; para mim, o funcho amansa a tristeza que visita, ou  celebra o contentamento do dia-a-dia. Faz parte de minha rotina, sua semente.

Há sabores e aromas que se tornam nossa pele; existem em nós, pelo prazer ou pelo acalento que nos proporcionam, em momentos diversos da vida, em estações diferentes de nosso ano. Seja por evocarem memórias gratificantes, seja por produzirem emoções tão perenes e singelas, alguns são nosso patrimônio íntimo: servem, simplesmente, para estarmos bem. Sabemos quando e o quanto deles precisamos, no dia exato, no milimétrico ou no nebuloso porquê. Não importa: nos faz bem, e pronto.

O funcho, para mim.

Qual o seu?


Betina Mariante Cardoso









2 comentários:

  1. Muito bem colocado que alguns aromas e sabores se tornam 'nossa pele', é isso mesmo! Mas pra te responder Betina vou exagerar e citar não um, mas alguns que em mim provocam esta sensação agradável... Os meus preferidos são: funcho, manjericão, orégano, gengibre, salsão, hortelã... Que prosa gostosa!

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    1. Gracias, Lena, pelo teu comentário! É verdade, os sabores são tantos!!! Te confesso que amo todos estes que referiste; escrevi do funcho porque me acolhe de um modo único! Que bom compartilhar contigo!!

      Beijos e obrigada pela visita e pelo comentário!
      Betina

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Participe! Vou adorar compartilhar emoções culinárias com você! Com carinho, Betina