segunda-feira, 9 de julho de 2012

A Escrita na Cozinha...

Esta semana vou contar alguns pontos curiosos sobre a escrita culinária, aqui e acolá...No exterior, este campo é chamado 'Food Writing', e há uma riqueza impressionante de materiais disponíveis para estimular a pesquisa. Foi através do blog da autora Dianne Jacob que conheci seu livro, 'Will Write for Food' dirigido àqueles que desejam aprender a escrever sobre comida. culinária e afins. Por hobby ou por profissão. Sim, há diversos escritores com o bastão de 'food writers', fora daqui, e o fomento à escrita de cozinha é intenso, com cursos, conferências e simpósios especializados. Entretanto, há muito tempo esta forma de expressão já existe, sem este título. Um livro conhecido é aquele das meditações de Brillat-Savarin sobre gastronomia, chamado 'A Fisiologia do Gosto', do qual vou escrever um post exclusivo. 

Existem tantos tipos de escrita de cozinha que eu me perderia aqui, contando. O estudo dos autores, das formas de narrativa, dos gêneros textuais, entre tantas outras coisas, me levou a um caminho vibrante: páginas e páginas de uma escrita em que os cinco sentidos abrem a porta e deixam as emoções e as memórias entrarem em cena. Porque todo alimento que colocamos na boca evoca uma resposta que nasce em nossas lembranças, sensações, afetos, e expressar essas forças que o 'comer' desperta é uma partilha gratificante. Se não podemos partilhar o bolo que fizemos, servindo um pedaço, então o fazemos pela escrita do bolo. Esta transmissão supera lonjuras de tempo e de espaço. Então, ao escrever de cozinha, mobilizamos as impressões e as percepções sensoriais do leitor, fazemos com que evoque imagens e vivências próprias, a partir do registro de um sabor, de um prato.

Conheci uma literatura específica, e lindíssima, pela pesquisa, pela leitura de um livro que leva a outro, e ao terceiro. A escrita culinária trabalha sobre uma experiência comum, o comer e suas instâncias (o ofício de cozinhar, o deleite dos sabores, a partilha da mesa, a lembrança das emoções...), e expressa uma linguagem que comunica a todos. Cada um tem seu modo de receber esta linguagem, mas, a meu ver, o fabuloso está na presença do Humano em nós, capaz de 'ler' o que ingere, o que saboreia, o que relembra pelo gosto doce de uma ambrosia. 

E eis que cheguei num capítulo sobre Comida e Linguagem, no livro "Neurogastronomia", minha atual leitura. Bom, essa é uma prosa longa...Deixo para amanhã.

Boa noite!

Betina Mariante Cardoso

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