quinta-feira, 12 de julho de 2012

O papel e a farinha...

Hoje estou em branco. Sem receitas, sem lembranças; fiquei sem tinta para a escrita diária. Entretanto, combinei comigo que, neste mês, escreveria todos os dias. No sábado e no domingo passados eu pulei o acordo, então esta noite decidi escrever, mesmo que fosse a respeito do branco. E pensei que há dias assim na cozinha, também. Dias de me perceber reflexiva na frente do pacote de farinha, na despensa, por vários minutos, sem saber o desfecho: pão ou bolo??? Ou, às vezes, nenhuma alternativa vem à mente. O branco da página em branco. 

Bom, há dias em que as idéias não chegaram. Subiram no trem errado, foram parar lá longe. os ingredientes ficam quietos, atônitos, debruçados sobre a minha inércia. E a vasilha, ali, só me olhando, desafiadora. 'E aí, vai ou não vai?'

Não vou. Há dias de arriscar, outros de não arriscar. E não por medo, simplesmente por falta de inspiração. O impulso criativo pega outra estrada, de manhã, ao sair pro trabalho. A decisão é de aceitar o branco, guardar a vasilha, a farinha, o açúcar...E voltar noutro dia.
Afinal, a criatividade aparece quando quer. O importante é a rotina, o empenho de cada dia, desde o escrever até o preparar do quitute. É preciso estar ali, à postos, abrir a ocasião para a escrita surgir no papel; é essencial estar com as mãos enfarinhadas e bem dispostas, ter  iniciativa para a receita, seja do que for. Deste  modo, damos chance à idéia, para que tenha um caminho a percorrer.

Betina Mariante Cardoso

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