terça-feira, 3 de julho de 2012

A chegada do presente!!!


No dia da Oficina de Narrativas de Viagem, 23 de junho, ganhei um presente adorável da minha amiga Manoela. Sabendo como eu aprecio o lendário 'Moleskine', aquela caderneta de viajante cheia de significados, ela me levou um tipo novo: o 'Diário de Receitas' da coleção. O detalhe: decorou o caderno com um guardanapo petit pois vermelho e branco, combinando com meu avental (o novo- do antigo conto outro dia...), envolveu tudo em plástico transparente. Embrulhou o conjunto em papel alumínio, colocou-o sobre um gracioso pano de prato, com uma colher de pau e, o charme primoroso, organizou todos os elementos naquelas embalagens de alumínio para congelados...Quando entregou, disse-me que tinha levado o 'lanchinho das dez', ou algo assim. Fui abrindo aos poucos cada etapa, naquele entusiasmo de criança, sem saber muito bem o que me aguardava...Amei! 
Com a novidade, veio também o desafio: começar um novo caderno de receitas. E esta aí uma questão.

Revirei minhas idéias pensando em como preservar a função do meu caderno de cozinha antigo, tomado de manchas de café, de massa de bolo, deste ou daquele ingrediente. Não vi como poderia abandoná-lo: meu apego àquelas páginas é sangüíneo. 
E eu queria dar início a uma nova etapa, começar em branco este presente, com os registros de agora

Resolvi usar os dois: manter as receitas antigas no primeiro, pois há história em sua escrita, há lembranças do registro dos acepipes e doçuras, há datas rabiscadas no canto de algumas folhas, há marcas que fazem parte dos meus feitos. E então decidi escrever as receitas atuais no caderno novo, um caderno de presente e do presente. 

Houve uma aproximação apaziguada entre os tempos,  entre as vivências e as memórias preenchidas e aquelas em branco, respeitando o que já existia num universo culinário pleno de significados e dando as boas-vindas às novas invenções, descobertas, experiências. Dando as boas-vindas  aos métodos desafiantes, aos rabiscos copiados de revistas, aos tradicionais pratos de família, às mirabolâncias, aos quitutes 'sem-pé-nem-cabeça', às idéias sem data.

Na estante, vizinhando com os livros de cozinha, já se ouve uma boa prosa entre os cadernos.

Betina Mariante Cardoso


2 comentários:

  1. Que sensibilidade compartilhada , querida Betina... bj com cheiro a bolo saindo do forno...

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  2. Querida Ange!!! Bom mesmo, além do processo de escrita, é a partilha!!! Como nossas conversas de vizinhança de sala, em que as memórias de sabores, de cheiro de bolo, de mapas e de percursos vem acompanhadas de muita alegria! Bjs, Bê

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Participe! Vou adorar compartilhar emoções culinárias com você! Com carinho, Betina