sexta-feira, 22 de junho de 2012

Seguindo as pistas

"Bolo de Melado da Anilda"

Assim escrevi o bolo, enquanto a Anilda ditava os passos. Refletindo, percebo que receber uma receita desconhecida é muito semelhante a receber o mapa de uma cidade estranha: andamos seguindo as pistas, mas não temos a experiência das ruas, exceto pelo desenho de sua disposição. Em ambas as circunstâncias- quer como quituteira, quer como viajante-, vou procurando estabelecer referenciais meus; assim, na próxima visita à cidade ou na próxima execução da receita, lembrarei, com o corpo, dos parâmetros que estabeleci. Afinal, se as mãos reconhecem a textura da  massa, os pés reconhecem os passos em solo já percorrido.

 Em ação, brincam meus cinco sentidos; os registros, gravados na memória, nascem das impressões vívidas do 'percurso/receita', e são chamados quando o desafio é repetir o aprendizado. Curioso é que, mesmo seguindo as pistas, sempre acho que é possível fazer algum novo caminho, criar novas rotas, ainda se num detalhe qualquer. Eu já disse isso antes: "a bem da verdade, há muitas semelhanças na forma como exploro as cidades e na forma como vivencio a cozinha: nas tramas do acaso". Então, sigo as pistas ou dou o salto no escuro, me lançando no inusitado? 
Ambos, cada um a seu tempo.


Bom, basta de prosa. Aqui, a receita.
Desmanchar 500g de melado com 130g de margarina, deixar amornar; acrescentar a esta mistura 4 gotas de essência de amêndoas; unir 1 ovo; adicionar ao conjunto 1 1/2 colheres de chá de cravo moído; 3 colheres de chá de canela em pó; 2 colheres de sopa de chocolate em pó; peneirar 500g de farinha de trigo com 5 colheres de chá de fermento químico; 125g de castanhas picadas; 125g de passas de uva embebidas no rum. A massa deve assar por  30-40 minutos em forno médio. Quando pronto o bolo, polvilhar com açúcar de confeiteiro ou pincelar chocolate em pó desmanchado no rum.

Betina Mariante Cardoso






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