sábado, 30 de junho de 2012

Confissões sobre o Tiramisù...

       E por falar em café...Percorrendo meu 'Moleskine', durante o expresso, cruzei com a receita do Tiramisù, um doce italiano típico, que adoro fazer (e, sim, saborear). Copiei de algum livro, site, revista, ou programa de tevê, já nem lembro mais de onde saiu. Estranho que sempre tomo nota da fonte, passo para meu caderno, faço marcações relevantes...

Daquela vez, escrevi os ingredientes, quantidades, um breve aceno ao 'como-se-faz', em forma de tópicos. Não sei o que me deu, nada disso é do meu feitio. Mais estranho ainda: desenvolvi a receita a meu modo, mudei algumas coisinhas (não resisti), descobri as cores, texturas, aromas de cada etapa, a cremosidade fabulosa do produto final, o sabor do biscoito molhado no leite com café, e não registrei em lugar nenhum. A cada vez que repito, sigo minhas pistas de antes, da memória do 'como-fazer', reconheço os momentos do doce, sinto sua consistência quando movimento a colher, mas nunca escrevi estes detalhes. Então, eis a minha receita, aqui no blog, em primeira mão. Porque estou adorando este compartilhamento de vivências com os leitores!

 Pois foi em 2004 que me aventurei. No retorno de Pisa, para comemorar com os colegas da residência, teríamos uma janta. Eu disse que levaria o Tiramisù mas, verdade seja dita, ainda não sabia fazê-lo na prática. Tinha visto algumas orientações, alguns livros, blogs com fotos. Páginas antes, tinha escrito o 'modo-de-fazer' pelo relato de uma amiga, e comparei as duas versões, para checar semelhanças e diferenças. Parecia tão complexo...Conto por quê: para mim, é mais difícil executar uma receita apenas através da leitura. Sinto a necessidade das dicas, da presença  da voz que conta, da entonação, do gesto que mostra: "mexe assim, mexe assado", e por aí vai. No entanto, resolvi me desafiar a fazer a sobremesa típica, a partir dos rabiscos anotados no meu Moleskine. A ocasião merecia.

É claro que eu comecei já 'inventando moda': dobrei as quantidades! Às vezes, não me contenho em intervir no original.

Até hoje me pergunto como aquela primeira tentativa deu certo. 'Sorte de principiante, deve ser', foi o que eu me disse, assim que provei o resultado. Quando repeti o experimento, mantive o que tinha dado certo, fiz as modificações que guardara de cabeça -e de sentidos-, e assim fui repetindo ao longo dos anos, desde lá. Onde acertei? Para mim, o mais importante é que fiz sem me pressionar aos resultados: fiz, simplesmente. Assim como a criança que brinca, com o foco na própria brincadeira, me propus a executar o desafio. Se desse errado, bolaria outra solução para levar na festa. 

Meu tiramisù: uma das etapas...

Coloquei, na tarefa, a dose de comprometimento necessária para chegar ao Tiramisù no final, fiquei atenta a cada etapa, e meus sentidos estavam ávidos pela magia da nova empreitada. Curiosa que sou, adoro estas possibilidades. Deu certo.


No sábado, meu 'modo de fazer', tim-tim por tim-tim.

Betina Mariante Cardoso



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Participe! Vou adorar compartilhar emoções culinárias com você! Com carinho, Betina