domingo, 3 de junho de 2012

O cardápio conta a história...







Envolvida com a montagem da Oficina de Narrativas de Viagem, produção da Luminara Escola de Hobby com o Viajolândia.com, aplicativo  criado pelo Jornalista Felipe Rech, fiquei pensando nos 'materiais' que a culinária nos proporciona em um percurso de viajante.  Percebi o quanto um cardápio, por exemplo, é uma narrativa do lugar e da cultura que visitamos. E confesso que muitas vezes tenho vontade de trazê-lo para casa, tamanha a riqueza, dentro dele, da história do restaurante. Suas páginas contam o tempo agradável que passamos ali, atravessando todas as possibilidades até chegarmos à outra margem e escolhermos nosso prato. 

Numa viagem, adoro observar- e colar no meu álbum de recortes-, detalhes inusitados, como o menu avulso de um bistrô, o papelzinho do biscoito, o guardanapo de um Café que me arrepia. Estes, para mim, são mapas tão fidedignos quanto um mapa de verdade: afinal de contas,  são elementos que traduzem o caminho. 

Quando olho para eles, nos meus registros, me sinto vivendo novamente a experiência, lembrando os cheiros, as nuances de cor, o som do pisar no chão do bar, o gosto franco do expresso, a textura amena da torta de maçã que pedi. De um cardápio escrito em giz, na lousa, é possível que eu me lembre do cheiro do giz, até. E do cheiro imaginado das empanadas. Mas, a meu ver, o Jogo Americano de papel, com dançarinos de Tango, é também marca de uma passagem. Para sair da rotina, nossa casa de dentro precisa abrir janelas, se expandir, ver o mundo com horizontes e plenitude, e para isto viajamos tanto. E para destinos tão diferentes.


 Nosso cérebro responde  ao novo com surpresa e curiosidade, através do neurotransmissor Dopamina, entusiasmando a pulsão de vida circulante. Até que a novidade se torne cotidiana, sentimos sua força através do  'espírito' dopaminérgico, vivaz e aventureiro. Somos, assim, capazes  de registrar e de evocar impressões emocionais carimbadas como memória, de imaginar cenas e cenários, a partir de nossos incontáveis mecanismos cerebrais. 

No contato com a surpresa, recebemos informações que se tornam emoções, memórias, sentimentos, reflexões: isto ocorre, no primeiro momento, sempre a partir de um estímulo que venha pelo caminho dos cinco sentidos. Daí a importância de colhermos dos trajetos todas as pistas disponíveis, pois, nalgum momento, impressionaram  a visão, seduziram o paladar, atraíram pelo aroma, atiçaram pelo som, provocaram pelo tato...Nalgum momento, fizeram parte de nós, de nosso instante. 

E é esta memória que  o álbum de recortes propicia: nos faz lembrar, criando a imagem a partir do vivenciado, conforme o carimbamos em nós. Nos faz RECRIAR a viagem a partir dos nossos percursos, que podem ser de qualquer ordem. Quando vejo, no meu álbum, o cartão de um bistrô onde comi inesquecivelmente, sinto toda estimulação sensorial ligada ao espaço: um balcão, a foto, os sabores, e assim por diante. E revivo o lugar no meu íntimo. Os detalhes de uma viagem contam uma história, abrem a janela para quem quiser ver, e são a porta de entrada para as recordações. E isto é muito prazeroso!



Saiba mais sobre a Oficina de Narrativas de Viagem da Luminara Escola de Hobby, pelo blog http://www.editorialluminara.blogspot.com

(Num click: basta clicar na caixinha com a Logo da Luminara, 
no canto superior desta página, e chegará no blog da editora, onde estão a programação e as informações.)

Betina Mariante cardoso

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