domingo, 1 de julho de 2012

Encostando no horizonte



Quando vi esta foto, imaginei minha massa de pão encostando no horizonte. Vejo um risco perfeito separando a duna e o céu azul, um contraste vivo entre as cores, as texturas...A consistência firme do bege, sua superfície com relevos e falhas, seus tons mais intensos e mais suaves: em tudo, está a massa de pão já trabalhada, soltando das mãos, descansando até completar o crescimento. Sinto essa amplitude que a areia percorre, essa lonjura macia que se espalha até tocar o risco mágico, essa pele da mistura de farinha, fermento e água. Uma pele preenchida pela força que se expande, desde o interior, pulsando: é o sabor atávico do pão, pronto para receber o calor do forno.

Betina Mariante Cardoso


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