domingo, 10 de junho de 2012

A "Bagna Cauda", uma mesa de alegria!

Escrevendo sobre Fondue, lembrei de compartilhar a receita italiana de uma experiência que, imagino eu, seja semelhante a ele: a 'Bagna Cauda'. Conheci esta idéia em março, quando comecei este blog, numa revista de Gastronomia que circula na Argentina, a 'El Gourmet'. A tal revista, aliás, tem uma expressão visual fantástica, viva, colorida, com fontes muito interessantes, fotografias belíssimas, dimensões maiores. Todos os cinco sentidos deleitam-se, que até o abafado passar das páginas, de uma folha encorpada e de bons ingredientes, soa a invenções na cozinha... Enfim, a leitura é absolutamente lúdica!

Comprei uma logo que cheguei a Buenos Aires, e me surpreendi. Tinha duas delas, de uns cinco ou seis anos atrás, interessantíssimas em conteúdo, mas sem tanta força no design gráfico, nada que chamasse muita atenção. Desta vez, fiquei de todo seduzida pela forma da revista; o conteúdo? fascinante. Saboreei, até o suco, meu exemplar, li e reli. Um dia, no café da manhã, percebi que três edições do ano passado estavam dispostas no balcão, disfarçadas entre os jornais do dia. Melhor ainda: de cada uma, havia um bolinho na parte de baixo. Eu, curiosa (e afoita), me abaixei para verificar se, em cada um deles, haveria mais de uma edição. O responsável pelo café me ofereceu as revistas, uma de cada das três edições 'antigas', que estavam mesmo ali para os hóspedes. E, com a alegria ampla de uma criança que ganha um brinquedo sem mais nem porquê, fui folhear a coleção, ganha naquela manhã. Como eu adorei!

Pois é, foi por esta Serendipity  que conheci a receita da Bagna Cauda, lendo uma destas minhas 'novas' revistas. Pesquisando, depois, conheci algumas de suas raízes profundas: é uma tradição do Piemonte, região italiana, originalmente chamado "Bagna Caòda".  Conta-se que no passado, no Medievo rural, os camponeses da região, instintivamente, faziam um agradecimento pagão às forças da natureza: através do ritualístico preparo de uma receita 'tão singular e diversa', mantinham sua tradição. Ligavam a realização do prato com um conjunto de manifestações que, pelo que entendo, representavam um encontro de alegria à mesa.

Então, não é uma experiência de se consumir com pressa,  desatenção ou entre poucas pessoas; merece, isto sim, uma refeição longa e festiva, em que desempenha o papel de prato único, completo. Em uma 'panelinha' de barro, aquecida em chama contínua (o fojòt, também usado no Fondue) , serve-se uma espécie de 'molho' composto de anchovas, alho, manteiga, azeite de oliva extra virgem e creme de leite fresco. E ali se embebe, alegremente, verduras e legumes coloridos, espalhados sobre a mesa- alguns crus, outros cozidos-, acompanhados de muitos pães e ovos, em uma pitoresca combinação entre ordem e desordem. É uma 'senhora receita' para ser compartilhada  nos dias frios!

Originalmente, a receita era preparada e servida em um continente de terracota, que ficava no centro da mesa e em que todos os comensais colocavam seus legumes para saborear o prato. Este continente era chamado pèila.
O trecho acima é uma livre adaptação do texto encontrado no link:  (http://www.regione.piemonte.it/agri/ita/piemontedoc/ricette/ricetta_bagna.htm)

Do site apresentado acima, extraí as interessantices históricas da receita, Para a original 'Bagna Caòda" piemontesa, aqui vai o link: http://www.regione.piemonte.it/agri/ita/piemontedoc/ricette/bagnacauda.htm .

Outro ponto inusitado: a Argentina foi um país de significativa imigração de piemonteses; a Bagna Cauda, também chamada em espanhol de bañacauda, é um dos resultados desta imigração, pelo que pesquisei. Daí o provável porquê de a receita estar com tamanho destaque nesta revista gastronômica  de referência no país, a 'El Gourmet'. Bom, a Serendipity das revistas no balcão me rendeu uma prazerosa pesquisa, nos sabores, no tempo, e  na cultura  tão simbólica ligada às origens deste prato.

Durante a semana, nova postagem sobre a "Bagna Cauda", do como fazer e suas variantes.

Betina Mariante Cardoso







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