terça-feira, 1 de maio de 2012

Das vicissitudes da Caneca Vermelha


 

Madrugada de tradução, em 2007:
a Caneca Vermelha de Ágata  em pleno trabalho

  Nesses anos todos, sempre esteve
 presente a caneca vermelha de ágata, plena de café.
 Assistindo a tudo. Estudos, relatórios, provas da Faculdade, noites em claro, reuniões de pesquisa, projetos, prova de residência, estudo de italiano, traduções dos livros, seminários de psicoterapia, tudo. Esvaziando-se, e cheia de novo.Continente da minha vigília. Compareceu aos momentos mais enfadonhos, mais intensos, mais frustrantes, mais exaustivos.
Estava ali. Estudou comigo todas as cadeiras da Faculdade de Medicina, e principalmente farmacologia, da qual participou ativamente na busca dos meus conhecimentos...Resumos e resumos coloridos, e a caneca vermelha ali. Medicina Interna, Cirurgia, provas finais do estágio de Doutoranda, reuniões do grupo de estudos. Uma coisa séria, de se respeitar, o papel da caneca.E a minha receita de café batido: forte, negro, doce. Na caneca vermelha de ágata, tinha que ser. O milagre do despertar...
Seis anos de intensa participação. Se formou comigo, a caneca
Tantos e tantos momentos esteve ali
Eu poderia resgatá-la do fundo do armário, estaria ali quando eu precisasse. Mudou-se de lar umas três vezes, e sempre comigo. Assistiu choros, risos, grandes satisfações, aprovações em monitoria, angústias todas. Sempre o café na caneca, quase um mascote de minhas atribulações


Entrou na roda dos personagens tradicionais, o café batido na caneca.
Duas colheres e meia de Nescafé, três colheres de açúcar, e um tantinho de água que pra bater, sem enxarcar a mistura. Bater com vigor, até ficar amarelinho, bege, cremoso. Suntuosa mistura de estimulantes, um creme farto, um profundo deleite. Coloca-se um poucoágua aquecida, uma mexidinha rápida e completa-se com a água até a altura da caneca vermelha de ágata


E essa receita atravessou os tempos, assistiu mudanças, novos empreendimentos. Aos poucos, a caneca foi sendo substituída por xícaras menores, mas eu sempre soube que o café não teria o mesmo gosto. Bom mesmo era o da caneca vermelha de ágata. lascada pelo uso, mas sempre ela. Bom mesmo era ter a sensação de sorver o café forte, doce, quente, pelas bordas queimantes da caneca, bordas pretas, contrastando com o vermelho intenso
A alça da caneca, de cor preta- em forma de alça de caneca, mesmo- também queimava, dando o tom do momento. Lembro, ainda. Abandonar, não abandonei. Em momentos essenciais, a caneca vermelha. Nem xícara, nem qualquer outro continente capaz de guardar meus anseios, em instantes de atividades compenetradas . Tarefas árduas, que requerem de mim um empenho avassalador, essas merecem a caneca vermelha de ágata, um símbolo autêntico dos meus laços mais antigos com o trabalho. Quase uma instituição.


E se parabenizo alguém hoje, pelo Dia do Trabalho, é a minha Caneca Vermelha de Ágata. Essa merece!


Betina Mariante Cardoso

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