domingo, 8 de abril de 2012

Desafiada pelo Tomate Andino

Ontem pela manhã fui à Feirinha Ecológica, na José Bonifácio. Aquele sol, gente caminhando no parque,  na feira, nos arredores, crianças faceiríssimas com a espera do Coelhinho, e uma pulsação de prazer tomando conta de mim. Teve a ver com a caminhada, com a luz vibrante do dia, com a simplicidade do deleite num sábado de manhã em Porto Alegre. Sim, tudo isso. Mas o prazer veio de uma fonte inusitada: minha curiosidade, desafiada a todo instante pelos produtos da feira. Eu sou confessa(e absolvida) curiosa, ávida por desvendar o produto mais estranho que aparecer. E este passeio, num cenário ensolarado e espontâneo, foi o ingrediente necessário para meu espírito investigativo e inquieto ficar atento a cada novo estímulo de cor, textura, cheiro, gosto, melodia: estas vivências  "ligam" nossos cinco sentidos, nossa percepção aos detalhes, e isto é de fato muito saboroso. Desta vez, no entanto, descobri algo no limite desta curiosidade: o medo. Em uma reserva ambivalente, tive um instante de silêncio frente à placa que anuncia "tomate andino".  Com um semblante desconfiado, mas desejoso, havia ali o convite aos sentidos, uma pista fugaz que desperta o ímpeto  de olhar sua forma, levá-lo ao nariz, sentir quem é aquele personagem.
E, então, desenvolve-se um novo atributo, ativado pela curiosidade: a disposição para correr riscos (calculados, é claro). A dona da banca pergunta se quero experimentar o tal tomate andino. Pronto! A curiosidade é refreada, e cede espaço à dúvida, ao discreto medo de conhecer um sabor exótico demais, ou ao cuidado com um produto que isso ou aquilo. Recebo a metade, sinto o cheiro, olho as cores, o aspecto, a higiene, analiso se aquela metadezinha inocente me apetece. Decido correr o risco, e provo! E a história se repete com outras novidades, como o Hibisco, que só conhecia de vista...Ambos deliciosos! 
Na cozinha, em geral, sou de arriscar mais com sabores. Considero fundamental poder desafiar o conhecido e experimentar um novo ingrediente, saboreá-lo, incluí-lo na receita e surpreender o percurso retilíneo. Em viagens sigo a mesma filosofia, (quase)sempre dando chance à Serendipity, então estranhei minha reação aos produtos da feira, ontem. "E se eu não gostar?", "e se me der alguma alergia?", "e se me fizer mal?",  "e se eu deixar de provar, e  for embora me perguntando: e se eu amasse o tomate andino?" Pois é. Exatamente por este motivo arrisquei, e adivinhe? AMEI o tomate andino.
Ser curiosa e arriscar. Duas particularidades que andam lado-a-lado e que desafiam a linearidade, oportunizando descobertas em ruas de uma cidade estranha, ou no desvio de rota de uma sobremesa. Principalmente, duas características que ampliam horizontes, nos fazem conhecer sabores únicos e nos permitem conhecer mais de nós mesmos, quando arriscamos experimentar fazer a receita de um livro, mas do nosso jeito.
Foi o que aconteceu com o Ceviche de frutas, hoje à tarde.
Conto a seguir.

E você: como anda a curiosidade quando vai ao mercado ou à feira?

Betina Mariante Cardoso

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Participe! Vou adorar compartilhar emoções culinárias com você! Com carinho, Betina