quinta-feira, 7 de junho de 2018

Sugestões para celebrar a noite do Dia dos Namorados


Bom, agora vale referir os lugares de Porto Alegre que farão um menu especial para a noite do Dia dos Namorados, além do Lorita, de que escrevi no post anterior. A matéria do 'Destemperados' ficou tão, mas tão boa, que decidi compartilhar o link aqui no blog: os restaurantes com o menu especial para a data ficaram em um grupo; aqueles com o tradicional, noutro. Dá uma olhada aqui! Além disso, eles listaram ideias para a comemoração dos namorados na Serra! Vem ver!
A Vinho & Arte, da enóloga Maria Amélia Duarte Flores, também apresentará programação especial: serão duas possibilidades de jantar, no Plaza São Rafael: Menu Neruda e Menu Maysa. Que tal?

Nós também podemos não dar bola para nada disso. E assim vamos escolher, quem sabe, aquele lugarzinho que é o  nosso favorito, fora das listas, mas dentro da memória. Em se tratando de comemoração, não há regras, protocolos, tem-que. Lembrando: comemorar é lembrar juntos. Assim, acho fundamental que seja um território de afeto para os dois o cenário escolhido, um lugar de lembranças, de coisas boas vividas ali. Jantando fora ou em casa, o mais importante é que tenha significado prazeroso para ambos.

"Mas é só uma data, um pretexto comercial!". Bom, dá pra entender dessa forma também, é uma perspectiva possível e eu diria até respeitável. Há quem curta e considere um ritual, enquanto outros valorizam outras datas, outros dias do ano, a rotina juntos, o jantar fora em uma noite inesperada, e tantas ideias diferentes do que é comemorar, compartilhar. 

Agora, há algo super especial, que combina muito com a ideia de Lentezza, para celebrar a data: cozinharem juntos. Desde a compra dos ingredientes à escolha do vinho pelos dois,  chegando à etapa do preparo do prato e do enfeitar a mesa: essa partilha tem um simbolismo que, para mim, ganha de qualquer outro. É autoral, promove um fazer conjunto e representa uma experiência de criação vivenciada pelo casal, o que grava memórias muito prazerosas. Escrevi sobre isso no ano passado, às vésperas do Dia dos Namorados, e convido você a visitar o link, 'Aqui! E tem mais:  Trechos e etmologia da palavra 'sensual

Vou deixar para escrever sobre o café da manhã na Boulangerie Alban Rossolin em seguidinha. Por enquanto, deixo você com as sugestões de leitura acima.

Uma feliz sexta-feira!
Com carinho,
Betina

quarta-feira, 6 de junho de 2018

O jantar do Dia dos Namorados no Lorita: partilha e 'Lentezza'


Comer é o ato mais individual, e também o mais coletivo. Representa o papel   que cumprimos para nossa sobrevivência; na mesma medida, expressa nossa união com os demais, pelo prazer compartilhado. Reproduz o ritual do cozinhar e do dividir o alimento cozido e o calor do fogo. Manifesta a humanidade que existe em dividirmos nosso calor com quem nos é íntimo, com quem saboreia conosco o alimento e os afetos.

E como a proposta do mês de junho é conversar sobre a Lentezza, em suas diversas expressões, hoje o tema é o jantar do Dia dos Namorados, na próxima terça-feira. Muitos restaurantes de Porto Alegre e da Serra Gaúcha terão um menu exclusivo para a data, mas há algo que ultrapassa o sabor da comida e as harmonizações possíveis, quando pensamos em uma comemoração especial: é o conjunto da obra. E isto, para mim, é traduzido pelo restaurante Lorita, da chef - e colega psiquiatra- Roberta Horn Gomes. Ali, temos o ambiente, a música, a magia, o equilíbrio, a sensação de estar viajando dentro da própria cidade. E a epifania, quando todos esses elementos se unem ao prazer de comer, de brindar, de degustar um bom vinho.

A sintonia com o par  aparece quando, ao mesmo tempo, fechamos os olhos. O silêncio nos absorve, e o único som da mesa é o discreto tocar dos talheres no prato. Engana-se quem pensa que esse silêncio seja por falta de comunicação: muito pelo contrário. Acontece que, naquele momento, o sabor percebido em conjunto é o grande ato de cumplicidade a ser partilhado. Simplesmente porque a entrada, o prato principal ou a sobremesa nos encantam.
 E a tal ponto que até a exatidão da palavra se torna imprecisa: não alcança a força que tem o maravilhamento com algo que experimentamos junto com o outro. 

  Entre o casal, esses instantes de epifania são alternados com boas conversas, e o som do vinho, sendo servido nas taças, é seguido pelos tin-tins que ecoam no cenário. Novos silêncios de saboreio, percepções sobre o jantar, prosas amenas e risos, enquanto a música leve absorve suavemente a nossa atenção. O ambiente acalma, despressuriza as tensões do dia, e em seguida de nossa chegada já perdemos a noção do tempo. Os minutos alargam-se e o que fica é sensação de estarmos nos deleitando com o lugar, com a comida e o vinho, com a companhia um do outro, sem sabermos a real duração do jantar. O tempo parece mais longo, mais demorado, e nossos sentidos se amplificam, se entusiasmam. Os giros do relógio são outros quando se instala o bem-viver, comemorando a vida com quem nos faz bem.

 O filósofo Paul Ricoeur refere que comemorar refere-se ao 'memorar em conjunto', ou seja, partilhar lembranças com as pessoas, em atos festivos. Acredito que essa definição valha para situações já vivenciadas e para aquelas  em que o momento vivido, no instante, logo se transformará em recordação. Essa é uma das alegrias de celebrações como jantares em locais especiais: servem para evocar antigas memórias e para construir novas, brindes que serão feitos no futuro, nos lembrando daquela noite. 

Aqui, me refiro não apenas à noite do Dia dos Namorados, mas aos jantares vivenciados em lugares que nos aquecem. Nos sentidos, no prazer de uma refeição, no equilíbrio entre os elementos da cena e do cenário. No aconchego da presença de quem amamos e com quem nos dividimos. Se a escolha é por celebrar essa partilha na noite dos Namorados, em tempo sem horas a contar, numa atmosfera que nos envolve em seu próprio contar do tempo, o lugar é o Lorita. Porque inspira a Lentezza, porque nos coloca em contato com o espaço físico na mesma medida do espaço simbólico do comer e do partilhar. Porque, além de oferecer sabores de criação da Chef em elaborações de profundo significado e resultantes de pesquisa, expertise e reflexão, o Lorita oferece elementos para todos os nossos cinco sentidos, em uma melodia precisa, harmônica. Para uma noite de celebração, é um território de afeto. Se o frio do sul arrefecer, as mesas do pátio criam uma paisagem única, em que a parreira, as velas e os  tecidos dão ao local uma leveza que combina com a pausa, o deleite e o desfrute que este restaurante oferece.

Serão dois jantares: um na véspera, segunda, 11/06, e outro na própria noite, dia 12/06. Nas imagens, o menu e a proposta de cada dia. Os valores, por pessoa, constam na base de cada card. 
Informações: 51-32646000. E-mail: loritarest@gmail.com

Em consonância com a proposta de 'Lentezza' e de cultivo do blog neste mês de junho, minha recomendação para o par é esta: o cultivo de bons momentos juntos, sem pressa, com silêncios saboreados e olhos cerrados em cumplicidade, de tão bom que está o jantar.

Duas possibilidades de Menu: 

Jantar de 12 de junho, terça-feira



Jantar da véspera: 11 de junho, segunda-feira


Quer uma ideia diferente? Volte para o post de amanhã!
A prosa será minha sugestão de boulangerie para o café da manhã na semana do Dia dos Namorados, numa experiência de 'lentezza' partilhada: 'Alban Rossolin- café e boulangerie'. Espero você na próxima leitura!


Com carinho,
Betina

domingo, 3 de junho de 2018

Atividades de lentezza em junho: com alma e com calma

Uma paisagem que é a expressão da 'lentezza', pra mim.
Em Tossols, Olot, Comarca de La Garrotxa, na provincia de Girona- Catalunha
Foto do parque da cidade que é o cenário de picnic
do restaurante Les Cols, da chef Fina Puigdevall. 
Duas estrelas Michelin e muitas estrelas de 'lentezza'. 
Hoje refleti sobre o uso de 'lentezza' ou da palavra em português, lentidão. E percebi a diferença que o som faz em cada uma delas. Enquanto a primeira é leve, aberta, a segunda é pesada, demora a passar, tem um eco arrastado. Não é desta última que quero falar, aqui no blog.

É de 'Lentezza', no idioma original, que eu quero falar. É como 'il dolce far niente', 'la dolce vita', 'mangia che ti fa bene': expressões que adquirem força única no italiano, são "intraduzíveis". O sentimento da sua tradução nunca seria o mesmo, porque o som da lingua, no original, nos transporta diretamente ao sentido que se quer dar. Imagine como seria sem graça "O doce fazer nada" ou "come, que te faz bem!". Para além do significado, nessas expressões, o que importa é o ritmo, o som, a voz. Pois assim é com 'Lentezza'.

Estou garimpando atividades que tenham a ver com nossa proposta  do mês de junho no blog, que referi no post anterior. Vivências slow, lentezza, cultivo.  Em Porto Alegre e no interior. E de algumas, da próxima semana, já compartilho aqui os links:

Feira no Quintal 7a edição - com arte, veganices, música, cerveja artesanal, brechós, boa prosa e feira orgânica. Uma tarde sem horas-relógio a contar, com a valorização dos produtores, uma rica  possibilidade de conhecer gente que faz, que cultiva, que alegra. Uma festa de manualidades, de artistas, de produtores, de força ancestral traduzida nas expressões de agora. Muito legal! 

Criando uma Boa Xícara de Café - Experiência Alma e BRONCO - Na manhã de domingo, um workshop que convida à desaceleração, à curiosidade e ao fazer com as mãos. Imagine que especial: os participantes vão apreciar o processo de fazer manualmente um café passado, e, além disso, vão fazer o próprio copo ou xícara de café em cerâmica! Essa atividade vai envolver muitos aspectos sensoriais: assistir ao preparo, sentir o aroma do café sendo passado, tocar a argila para fazer a xícara de cerâmica, escutar histórias e contar as suas, saborear o café quentinho, e por aí vai...qual o sabor de uma experiência que nos dá tempo para apreciar o tempo? Vamos participar? 

Show de lançamento do CD Malabarista Aprendiz, de Edu Berdí: belíssimo projeto e realização do querido colega e amigo Eduardo Berdí, médico e artista, que toca, canta e encanta os colegas desde a faculdade! O Berdi juntou a turma em vários de seus shows, e foi responsável pela 'trilha sonora' de muitas alegrias do grupo, nas mesas dos bares onde íamos assistir aos shows. E como não lembrar: tocou violão e cantou 'Emoções', na nossa formatura. Este show de agora traz um novo momento do meu amigo querido e super talentoso, e vai ser uma oportunidade linda de conduzir o tempo pelas cordas da música. Um show de deixar todo mundo encantado e fora do astral corrido da semana. Vale muito assistir!!!

E esta atividade vai ser só dia 16, mas vou divulgar hoje porque as vagas encerram rápido:

Gastroterapia- Sopas aconchegantes- A Gastroterapia da Michele Valent e do Peter Krause, uma vez por mês, apresenta uma programação especial de sábado. O preparo do alimento pelos participantes, desde a horta até a montagem da mesa, a partilha do ato culinário e do saborear, as reflexões e conversas proporcionadas pela fala da Michele: todos são pontos de lentezza e, sem sombra de dúvidas, de cultivo. Na gastroterapia se cultiva o produto, o fazer, e, de uma forma muito vibrante e afetiva, os laços de amizade entre quem participa regularmente dessa aula-celebração. Neste junho frio do Sul, o tema vai ser o aconchego que as sopas nos dão, ao corpo e à alma! Imperdível!

Visite os links, se organize e participe das atividades! Tão bom garimpar e ver as propostas de 'lentezza' espalhadas pelo nosso estado. Em breve, breve, publico outras ideias para junho.

Por enquanto, fico por aqui.
Bom domingo!

Com carinho,
Betina


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Propostas de junho: Lentezza e Cultivo, em várias direções

Figos Cristalizados da Vó Léia: exercício de 'lentezza', para mim:
Reprodução das receitas de avó, daquelas passadas nas 'histórias-do-como-se-faz'.
-Corte uma cruz na base de cada figo, sem aprofundar
-deixe ferver na calda, até o ponto 'certo'
-escorra a calda e deixe-os secar
-Envolva no açúcar cristal.
-Tempo médio de preparo:
 um turno, quiçá um dia inteiro.
Receita do tempo em que a vida tinha outro tempo. 
E chegamos em junho. Qual a palavra do mês para você? Para o blog, são duas: Lentezza e cultivo.
Isto mesmo, vamos homenagear o festival italiano de que falei no post anterior, mas sobretudo vamos embarcar, aqui no Serendipity in Cucina, na reflexão e na prática dessa experiência, a lentezza, a desaceleração, o vagar. Para além disso, vamos conversar sobre o cultivo na vida- a propósito, já pensou o que é o sentido de cultivo para você?

A ideia é fazermos a mescla entre os temas abordados no festival, pela relevância que esses têm para a proposta de uma vida mais 'Slow', e a reflexão de leitores convidados sobre o que são, para eles, os significados de 'lentezza' e de cultivo. E podemos até entender 'lentezza' como lentidão, e pensar sobre o impacto que a palavra gera em nós. Hoje em dia, com um aumento profundo da consciência para uma rotina de qualidade, sabemos que baixar o ritmo é fundamental. Não é só caminhar mais devagar: é tocar na vida com atenção e profundidade, com os cinco sentidos, e não apenas passar correndo pelas demandas da semana. 

O Festival tem muito disso, faz os participantes escutarem, praticarem, viverem a desaceleração. Enquanto não posto aqui a lista das programações, porque a tarefa de traduzir é demoradinha, vou convidando profissionais de diversas áreas para sentarem à mesa conosco e contarem o que são esses significados para eles, e o porquê. 

Ah, claro: e vamos praticar a lentezza, também! Indo a locais leves e onde o tempo brisa, visitando acontecimentos locais como a Feira no Quintal- 7a edição, no quintal do atelier da ceramista Katia Schames, em que artistas, artesãos e produtores se encontram em uma celebração sem horas-relógio a contar. Cafés, padarias e experiências sensoriais também vão fazer parte das nossas prosas. E, surpresa para mim e para a família, o convite para a reedição do livro do Vô Hélio Moro Mariante, 'Medicina Campeira e Povoeira', pela Martins Livreiro Editora. O lançamento será no mesmo dia da homenagem à ele pela Estância da Poesia Crioula, instituição cultural de relevância no Rio Grande do Sul e da qual o vô fazia parte, com muito orgulho. Homenagem às tradições, celebração do fazer poético, encontro de memória e afeto nesta homenagem: tudo isso é parte da lentezza. E do Cultivo! 

Em junho tem o 'Dia dos Namorados', que comemora os rituais do encontro, do amor, do erotismo, do vínculo, da partilha, da construção do afeto. Do cultivo, acima de tudo. Para mim, é isto o amor, também: plantio e colheita, sem dúvidas, mas, sempre e sempre, o cultivo. Em outras palavras, o  durante. Aquele sentimento partilhado que busca, dentro de cada um, a força ancestral da união com o outro e encontra, no caminhar do tempo, a evolução do que se planta com o par. E isso precisa da 'lentezza', também.

Mãos à obra: que comecemos o mês! Não minutando cada tarefa, e sim deixando que cada dia conte sua história. 

Uma dica: em junho, homenagem à lentezza, escreva mais à mão. Um dia, por aqui, vou contar o bem que isso faz para o nosso cérebro e o nosso bem-viver. Enquanto isso, vá treinando! 

Com carinho,
Betina

terça-feira, 29 de maio de 2018

Festival della Lentezza: homenagem ao Cultivo. Da vida!


E o Festival della Lentezza, na Itália, está chegando! Eis o que me traz de volta ao Blog! Refletir e escrever sobre a desaceleração é algo que sempre me encanta, trago isso em mim como leme de vida. Este ano, o foco do festival é o cultivo. Da vida, do bem-estar, do amor, das amizades, dos produtos, das histórias. O cultivo, ponto.
Ponto, não. Vírgula.
Pense em tudo o que representa cultivo para você, organize em narrativa, em lista, em círculo, em labirinto, colagem, como quiser. Verá um horizonte de possibilidades, que nem lembrava. Escreva quem representa 'cultivo' para você. Vá além: onde existe, quando existe, por que existe. Para quê. A lista aumenta, e o sentimento que vem surgindo é de um entusiasmo silencioso, à medida que vai registrando. O sussurro da caneta no papel, a cada ideia que vem somar. Aquele sorriso que a gente abre pra dentro, de si para si, quando lembra de algo ou de alguém que nos traz alegria, afeto, abraço. Cultivo.

Então pense em tudo isso reunido em um evento. Pois este é o Festival della Lentezza deste ano! Olhei a programação e a vontade foi de ir correndo pra lá! Antes de publicar aqui todos os títulos dos encontros, traduzidos ao português, quero partilhar o encanto despertado pelo video de apresentação do festival. Porque em um momento de crise como o que estamos atravessando no país, sobretudo esta semana, é preciso não perder o encanto por aí, enquanto nos debruçamos na incerteza e, pior ainda, naquele vento de desesperança que vem soprando, soprando, soprando.

Assim, na contramão da desesperança,  sentimos o sopro da leveza, da expectativa, da força suave que o desacelerar nos proporciona. Não é aqui, é na Itália, você pode me dizer. Então não vale.
Ah, vale.

Porque, posso falar por mim, saber que existe um movimento como esse festival me dá uma baita paz. É saber que, para além de qualquer nacionalidade, o Humano está progredindo na direção do baixar a velocidade dos giros. O Humano está parando para pensar- e para programar, e realizar- um festival como este. E, graças à Comune de Colorno, que organiza, e a uma série de grupos e de instituições que apoiam, o festival existe desde 2015! Tem, na raiz, a essência do movimento Slow, também italiano. Conta com uma atmosfera mágica, com profissionais reconhecidos, e com participantes querendo construir uma história. Não de lentidão, no sentido pejorativo daquilo que se arrasta no tempo. Não, não é esse o sentido. É, isto sim, um sentido baseado na busca da atenção e da profundidade a cada demanda, a cada tarefa, a cada afeto vivido e partilhado. E isso só se consegue sem pressa, sem correria, sem agitação interna. Desacelerar não é  tanto de fora para dentro como o contrário: é na imensidão íntima que aquietamos a rapidez desmedida. E esta mudança se reflete fora, no mundo ao nosso redor. Nosso microcosmos. E vai ecoando, de forma centrípeta, atingindo limites mais e mais extensos. Devagar.

Assista no link (em negrito, itálico e sublinhado, para não deixar dúvidas! ) o vídeo da edição 2018 do Festival della Lentezza! Abaixo, minha tradução.

"Pegue um poeta, um agricultor, um padeiro, e um sonhador. Coloque todos em uma mesa e observe-os bem. O que eles têm em comum? Cada um desses sabe fazer apenas uma coisa: cultivar. No Hebraico antigo, cultivar significa literalmente 'servir'. É preciso devoção, cuidado, e atenção. Cultivar é um ato de fé, carregado de futuro. Se tentar escutar seu relógio biológico, te indicará o caminho. É o ritmo sábio das estações, das pulsões instintivas. Já cultivou uma emoção? Podemos ser aquilo que quisermos, pensando bem: um poeta, um agricultor, um padeiro ou um sonhador."

O que é  'cultivar', para você?

Por hoje, fico por aqui.
Com carinho,
Betina




quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Cucina in Prosa acontecendo em janeiro! E o que vem por aí...

E ontem tivemos mais uma das aulas do Cucina in Prosa, na Vidal Mercearia + Café, em Porto Alegre. Foi a primeira atividade deste meu projeto em 2018!
O Cucina in Prosa é um misto de escola, pátio de recreio e centro de estudos. Meu foco é promover a escrita de temas gastronômicos e a realização de vivências Slow. Essas  envolvem a prática de passeios e de atividades de imersão, com escritas e leituras, entremeadas a momentos de lazer e convívio do grupo. Sempre estará presente o universo do texto, quer sejam as produções dos participantes, quer sejam leituras feitas em grupo nas oficinas. Um grupo de prática narrativa que terá início este ano é o de relatos de viagem, já com a primeira aula marcada para 05 de fevereiro, dirigida à 'cozinha viajeira': o olhar para a gastronomia durante os percursos do viajante. 

Teremos, em 2018, os seguintes grupos de aula: Passaporte-Sabor, Expresso-Moleskine, Mundos Possíveis, Petisco-clube de revista e Passeio de Campo. E alguma outra classe que eu inventar no caminho! :) 

Primeira aula do Cucina in Prosa na Vidal Mercearia + Café
1- Passaporte-Sabor: aulas de food writing, explorando as potecialidades da escrita de temas ligados ao cozinhar, ao comer, ao beber, ao saborear. São trabalhados textos literários ficcionais e as chamadas 'narrativas do eu', todos com foco na semântica da comida. Atividade teórico-prática, com práticas de leitura e de escrita pelos participantes. Grupos de 8 alunos, aulas de 3 a 4 horas. Cada atividade do 'Passaporte-sabor' é diferente da anterior, para permitir que os participantes construam um percurso de escrita gastronômica ao longo da realização das aulas; duas aulas ao mês, com exercícios preparados para o intervalo entre elas, mantendo a prática ativa.
 O sabor é passaporte para múltiplas experiências, tempos e espaços vividos e por-viver. Nesta classe de aulas, o sabor é passaporte para o embarque na página em branco. 
Em janeiro, as próximas turmas abertas serão em 29/01 ( 'A escrita criativa na cozinha' ) e 31/01 ('A cozinha autobiográfica'). As turmas de 10 e 17 de janeiro já estão com as vagas preenchidas.

2- Expresso Moleskine- Aulas de travel-writing, voltadas para a escrita de temas de viagem, principalmente relatos e entradas de diários e cadernetas de viagem, como os famosos Moleskines. Práticas de leitura de escritores que exploraram o tema serão propostas aos participantes. A narrativa viajística com foco gastronômico também será tema deste grupo de aulas. 
Práticas mensais, com atividades realizadas pelos participantes nos intervalos entre as aulas. Grupos de 8 alunos, aulas teórico-práticas de 3-4 horas.

3- Mundos Possíveis- Grupos de leitura literária com foco em temáticas ligadas à comida. Aulas teórico-práticas com exercícios de leitura  de textos selecionados, além de elementos teóricos sobre a representação dos espaços físico e simbólico da cozinha no texto literário. Ocorrência: bimensal, intercalada com as aulas do clube de revista. Encontros de 2 horas, 6 participantes.

4- Petisco-Clube de revista: Grupos de leitura e discussão de artigos de revistas gastronômicas, nacionais ou estrangeiras. Neste formato, um dos integrantes apresentará um artigo de sua escolha, selecionado previamente e enviado aos demais para a leitura. O encontro será de apresentação do artigo pelo participante e de discussão pelo grupo. Após cada encontro, haverá a proposta de atividades para realizar no intervalo até o próximo.  Ocorrência bimensal, intercalada com as aulas de leitura da atividade 'Mundos possíveis'. Encontros de 2 horas, 6 participantes. 

5- Passeio de Campo- Atividades de visitação a feiras, mercados ou práticas gastronômicas e culinárias, sessões de degustação, práticas de imersão com atividades narrativas, vivências slow e convívio do grupo. A cada 3 meses, máximo de 10 participantes. Poderão ser práticas de um turno, de um dia ou de final de semana, a combinar com antecipação.

Essas são as classes de atividades do projeto Cucina in Prosa! Se quiser saber mais, me envie um email para bemariante@gmail.com, e explico os detalhes! As próximas aulas serão publicadas aqui no blog, em seguidinha!

Com alegria, agradeço a visita!!! 
Abraços,
Betina




quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Feliz 2018!!!

Queridos leitores! Feliz Novo Ano!

 Há tempos não escrevo no blog. Em algumas épocas, deixo a criação do Serendipity in Cucina em silêncio, para descobrir novas janelas. Pois de outubro a agora, foi o que aconteceu. Fiquei bastante envolvida com a realização do meu projeto 'Cucina in Prosa- escritas e vivências Slow em gastronomia', e a entrega para o processo de geração de uma ideia até colocá-la em prática demanda um foco intenso. A energia de concretizar um projeto como este mobiliza transformações, entusiasmo, concentração, atenção plena e desejo de seguir em frente. Na força que move o "vai lá e faz" está a entrega ao propósito, e outros espaços nossos acabam silenciando para dar campo ao novo. Assim, esses três meses me exigiram, sim, mas por uma ótima razão: o Cucina in Prosa é, por assim dizer, a extensão prática do blog, o território em que, através das aulas e atividades, tornaremos real muito do que  escrevo aqui.

Há períodos em que preciso pensar e sentir o que, no coração, quero para o blog, para onde quero ir. O que desejo e percebo que é necessário comunicar. Muitas vezes, nesses quase seis anos, tive o ímpeto de mudar seu estilo, seu pano de fundo, suas cores, suas letras. Seus sabores. Minha essência é dinâmica, e essa vontade de conduzir o Serendipity em suas metamorfoses é algo que acompanha essa característica. Daqui a pouco vou mudar de novo suas formas e cores, mas hoje, ao voltar a criar por aqui, me senti muito aconchegada pelo rústico dessa madeira escura, enquanto o azul claro me trouxe para a leveza do verão. E me dei conta: hoje, o mais importante no blog e na vida é, sim, essa simplicidade mansa do rústico e a leveza das cores claras. Serenidade para sentir e para partilhar, para fazer silêncio e para contar histórias. 

Um bom ano aos queridos amigos e leitores!


Com carinho,
Betina

Seguimos em frente, a vivenciar novos trajetos!
Colinas de Garzón- Uruguay