quarta-feira, 28 de junho de 2017

Aperitivo: algumas curiosidades sobre a cozinha do Piemonte


Fui pesquisar, depois de tanto tempo, a cozinha do Piemonte. E encontrei sites muito interessantes, um dos quais tem como foco buscar ingredientes e receitas históricos e trazê-los ao nosso tempo. A típica cozinha piemontesa pode ser dividida em duas categorias: a de receitas originadas da tradição nobre da Corte de Savoia, de um lado, e aquela das nascidas das tradições camponesas. No primeiro grupo, estão os pratos muito ricos, que eram servidos nos banquetes suntuosos da Corte. Dos camponeses, vinham as receitas realizadas com ingredientes simples, a exemplo da 'Bagna Caoda'. As duas essências do território, a rica, da corte de Savoia, e a pobre, do campo, contribuíram para a grande variedade de sua culinária. As receitas dessa região caracterizam-se sobretudo por seus sabores fortes, que bem são harmonizados com os vinhos do Piemonte. Sobre esses vinhos, aprenderei amanhã, no curso da Vinho & Arte a ser ministrado pela jornalista e Sommeliére Silvia Mascella Rosa. 

Se adentrarmos os tratados de cozinha piemontesa, vamos encontrar velhos conhecidos, como os 'Grissini', por exemplo, além de uma variedade de mais de 60 queijos, entre os frescos e os curados. O Gorgonzola, apesar de ser originário da Lombardia, tem no Piemonte, também, a outra das duas regiões definidas na "Denominação de Origem Protegida" pela legislação ("Consorzio"). No Piemonte, se destaca  como zona produtora  a cidade de Novara, mas outras também estão incluídas. As origens desse queijo podem ser conhecidas aquiO 'Tartufo bianco', os risottos e os doces como o 'Zabaione' e o 'Gianduia' também são parte desse conjunto de receitas e produtos típicos piemonteses. 

E há um grupo de receitas ao qual nunca resisto: os 'antipasti', quitutes e aperitivos que adoro preparar e descobrir. Na tradição do Piemonte, os 'antipasti piemontesi' ocupam lugar de protagonistas, relevância talvez herdada dos banquetes da corte de Savoia. 

Sigo pesquisando...Por enquanto, o deleite fica  neste site, fonte para a escrita do post de hoje.

Amanhã, o curso de vinhos do Piemonte, da Vinho e Arte, com referências sobre a gastronomia e a cultura da região. Imperdível! 

Com carinho,
Betina

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Curso de Vinhos do Piemonte, na Vinho & Arte, com a sommeliére Silvia Mascella Rosa

Piemonte!
Fonte: divulgação Vinho & Arte
Bastou receber o contato da enóloga Maria Amélia Duarte Flores, hoje em torno do meio-dia, para ficar curiosa por reler materiais sobre a gastronomia do Piemonte.  Pesquisei  sobre seus pratos e produtos típicos em junho de 2012, época em que li sobre a "Bagna Caoda", espécie de fondue de anchovas, alho, azeite de oliva e manteiga, típica receita ancestral desta região do norte da Itália. Sobre os vinhos piemonteses, naquele período, li o suficiente para ter noções, mas ficou a vontade de um dia conhecer mais a respeito. Parece que este dia chegou!

Pois bem, o motivo do contato da Maria Amélia foi avisar do curso de vinhos do Piemonte, que acontecerá na Vinho & Arte nesta quinta-feira, 29 de junho de 2017. Lendo  sobre a programação do curso e a respeito de quem o ministrará, não tive dúvidas de que vai ser um aprendizado inesquecível. A bagagem e a expertise da ministrante, a força anímica do território e os vinhos a serem degustados são elementos que aguçam nossa imaginação. 
Abaixo, segue o post sobre o evento. A seguir, em próximas postagens ao longo da semana, o 'aperitivo' sobre os produtos e ingredientes piemonteses e suas tradições. Dos vinhos, provoco a curiosidade dos leitores com o texto da própria Sílvia Mascella Rosa, que terá muito a contar na quinta-feira!   

"Piemonte, Barolo e Barbaresco
Os vinhos dos reis!
Beviamo il Piemonte (brindemos o Piemonte)”

"Durante três anos em sequência viajei ao Piemonte como jornalista/degustadora para um evento chamado ‘Nebbiolo Prima’ - uma semana de degustações de manhã, tarde e noite. Impossível ter a soma exata dos vinhos, mas pelas minhas anotações devem ter sido aproximadamente 600 amostras de Nebbiolo (Barolo, Barbaresco e Roero) durante essas viagens. Isso fora os Barberas, Moscatos e Arneis que entremearam as refeições e visitas.

Assim, vou contar para vocês o que é o sabor do Piemonte, seu povo, sua gastronomia, seus castelos, tradições e paisagens e, é claro, como é a uva Nebbiolo e porque esses vinhos estão entre o
s mais especiais do mundo.

Venha degustar conosco!

Eu sou Silvia Mascella Rosa, sommeliére, bartender e jornalista e estarei com vocês na Vinho & Arte, com minha amiga Maria Amélia, no dia 29 de junho de 2017."

Curso e Degustação Premium - Vinhos do Piemonte
Uvas, DOC, DOCG e muitas curiosidades
Arneis, Dolcetto, Barolo, Barbaresco, Nebbiolo e Langhe.
Destaque para "Sito Moresco", de Angelo Gaja e uma seleção de raridades, algumas não disponíveis no mercado.

Data: 29 de junho, quinta-feira, 19h30 às 22h
Local: Vinho e Arte no Plaza São Rafael (Av Alberto Bins, 514 - Centro Histórico - Porto Alegre)
Valor: R$ 150,00
Incluso curso e certificado, tábuas de frios ao estilo italiano e seis vinhos ícones.


Reservas e informações:
51 99999 3168 - 3023 3345"

Participem vocês também!
Com carinho,
Betina
Edição da 'El Gourmet' sobre a Bagna Caoda, receita ancestral
que celebra as colheitas e a comensalidade
Posts do Serendipity in Cucina sobre a 'Bagna Caoda' e o Piemonte, de junho de 2012:

As novas colunas no Blog: Entrevistas e Autores convidados

A semana que encerra o mês de junho será de prazerosas novidades: primeiras pinceladas sobre as novas colunas no blog, leituras, eventos e links que andei curiosando, e por aí vai.

Bom, começo contando das colunas. A partir de julho, abrirei as portas do blog para receber especialistas em Gastronomia e em enologia,  entre chefs, escritores, enólogos e personagens do mundo do vinho, proprietários de restaurantes e outros protagonistas do universo da cozinha e da adega. Serão dois posts mensais em espaços diversos: um trará o texto integral do autor convidado; o outro será destinado a entrevistas que farei com estes profissionais. De Porto Alegre ou do interior do RS, de outros estados brasileiros ou do exterior, será sempre uma honra e um prazer para o 'Serendipity in Cucina' a oportunidade de fazer essas partilhas. 

Em julho, o entrevistado será  Rodrigo Bellora, Chef e proprietário do restaurante Valle Rústico, no Vale dos Vinhedos, que também conta com o espaço 'escola', onde ministra oficinas gastronômicas; a autora convidada será Michele Valent, médica psiquiatra, Chef e proprietária da Gastroterapia, escola de gastronomia  ( e de bem-viver! ) com sede em Teutônia, também no interior do Rio Grande do Sul. 

Na entrevista e no texto, respectivamente, Rodrigo e Michele contarão de seu ofício na gastronomia, mas, para além disso, o leitor conhecerá a origem da relação que eles têm com a cozinha, o trabalho que vêm realizando e o além-fronteiras, suas descobertas e propósitos. Serão textos livres, abertos, de profissionais que virão dialogar com o blog a respeito de sua cozinha como espaço material e tangível e como espaço simbólico, de rituais, expectativas, desejos e caminhos, entre outros aspectos. Michele falará  também sobre o Hygge, explicando este conceito que se refere à prática da felicidade na Dinamarca, elemento que tem aplicado em suas oficinas e que será o foco da atividade do mês de julho, a Funghi Fest. Adianto apenas esses breves dados, para deixar os nossos leitores  bem curiosos pelo que ela vem contar.  

A respeito da entrevista: perguntarei ao Chef Rodrigo Bellora sobre sua história e seu ofício, o surgimento de sua Cozinha de Natureza e a filosofia do Valle Rústico, sua relação com o movimento Slow Food e sobre outros pontos de sua gastronomia. Essa conversa  será o início do trabalho conjunto que estamos desenvolvendo, com foco na atividade que ocorrerá no XIII Congresso Gaúcho de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, de 16 a 19 de agosto de 2017, em Bento Gonçalves, pela Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. 

As próximas notícias vou contando ao longo da semana. E falarei também sobre a minha motivação para iniciar essas duas colunas, o porquê de escolher o Rodrigo Bellora e a Michele Valent como convidados para iniciar a prosa, e as reflexões a respeito de abrir o blog para mais essas formas de partilha. Como um daqueles convites para as tertúlias na mesa da copa. Ainda faltam os nomes para as colunas, estou aqui mirabolando...

Em breve, boas novas aqui no blog!

Com carinho,
Betina
Portas para outras paisagens e horizontes:
o olhar além-fronteiras nas novas colunas do blog




quinta-feira, 22 de junho de 2017

Por um inverno quente de afetos e de sabores!

Scones para o café da tarde:
com geléias, com manteiga, com 'Dulce de Leche'

Bolo de chocolate amargo com calda de figos

Café e bolinho de chuva com gostinho de aniz 

Pão e vinho, dueto perene no aconchego do inverno

Caneca de café com "Nega Maluca"

E a "Nega Maluca" na receita clássica da minha família,
 quadriculada e com calda tripla!

A lareira: expressão máxima do sentimento de inverno,
que acompanha todos os sabores e aconchegos.

No post, algumas das imagens que me fazem sentir que o inverno chegou.
Para você, qual o sabor dessa estação?

Com carinho,
Betina

terça-feira, 20 de junho de 2017

E por falar em "Lentezza": o Slow Food

Pois o "Festival della Lentezza" se aproxima, e provavelmente se origina, de um movimento que referi no post anterior, o "Giorno della Lentezza", um dia dedicado à conscientização sobre a necessidade de desacelerar. Neste, eram promovidas práticas como a do Passovelox, em que voluntários realizando o papel de "pardal dos passos"  pegavam, rua afora, inquietos, agitados e esbaforidos de plantão.

E o "Giorno della Lentezza" surgiu de onde? Ainda estou lendo a respeito, mas um ponto na raiz deste dia é essencial: a aproximação com outro movimento italiano, este de impacto mundial: o "Slow Food". Essa filosofia surgiu para contrapor o Fast Food, mas foi muito além desse propósito. As ideias e iniciativas do Slow Food têm se enraizado pelo mundo, através do que chamam 'convivia', conjunto dos 'convivium' individuais. A força desse movimento é cada vez maior. Aqui mesmo, no  Rio Grande do Sul,  temos a sorte de contar com excelentes nomes expressando sua voz em uma Gastronomia que ultrapassa o prato e chega na origem dos ingredientes: o produtor, a terra, o mercado.

É com um destes importantes chefs que vou conversar em julho, o Rodrigo Bellora, do restaurante Valle Rústico, em Bento Gonçalves. A prosa com o chef vai inaugurar a coluna de entrevistas do "Serendipituy in Cucina", programada para iniciar no próximo mês. Acompanhar o que ele tem feito em seu restaurante, e em seus projetos, dá una baita esperança na essência da cozinha. Essa  cozinha da ancestralidade, que nos bota em contato com o produto vindo da natureza. Essa cozinha do contato com os produtores, da retomada de rituais, da vida acontecendo nos bastidores da mesa. 

Bom, temos muito o que conversar por aqui!

Quer saber mais?
Em breve, detalhes!

Com carinho,
Betina

Figos: direto do produtor...
Ao mundo da panela...
E à mesa...




domingo, 18 de junho de 2017

Refletindo sobre uma 'lentidão possível'


Compartilho hoje um vídeo que mostra a atmosfera do "Festival della Lentezza", do ano de 2016. O evento preconiza que a lentidão referida não é per se um fenômeno de vagarosidade. Não. No festival, não se fala em caminhar devagar no sentido literal, mas em caminhar com foco no presente, prestando atenção aos sentidos, às respostas do corpo durante o percurso, na interação com os demais, no sentir. Uma das palestrantes, Petra Magoni, aponta: "Não é propriamente sinônimo de algo que se faz lentamente, mas de uma coisa que se faz com atenção e em profundidade". Então, o desacelerar a que os idealizadores e participantes se referem não é tanto um elemento de oposição à rapidez, mas sobretudo à inquietude, aos múltiplos estímulos de distração, ao frêmito de viver tudo de uma só vez sem dar-se a oportunidade de saborear a experiência. A oposição mostra-se mais ao hábito de comer com pressa para voltar ao trabalho (e quantas vezes já fiz isso...), à prática de visitar 15 cidades em sete dias, à necessidade de andar rápido no intervalo apenas por automatismo. E essa palavra define muito do que vivemos, hoje em dia: automatismo, tão oposto à autonomia. Tão algoz da autonomia, aliás. 

A primeira vez que ouvi falar em ' Giorno della Lentezza' foi em uma aula de italiano, quando o professor contou do Passovelox, um 'pardal de passos' feito por voluntários em Milão. Esses paravam os sujeitos que andavam com demasiada rapidez, multando-os com o preço de uma conversa sobre a conscientização, o parar para pensar. Acima de tudo, sobre o parar, o diminuir o ritmo, o perceber que não é preciso andar tão rápido para chegar ao mesmo local, para voltar ao escritório ou à empresa. A correria, acabo me dando conta, é uma pantomima das pernas, dos braços e do rosto, um espetáculo que encenamos para nós mesmos para nos certificarmos que estamos no ritmo esperado, no ritmo certo, que vamos alcançar os objetivos do dia junto com nossos contemporâneos porque, simples assim, essa é a demanda do dia: chegar, alcançar a meta, e rápido.

 No pacote, estão o multifoco, o transbordamento das emoções e do stress, a agitação para ser tão eficaz como todos os agitados. Esta é a razão para que eu fale em pantomima. No Teatro, esse termo se refere à representação de uma história através de gestos, movimentos, expressões faciais.A rapidez cotidiana tem uma fisionomia própria, a aceleração dos passos é típica, a gestualidade dos frenéticos carrega até mesmo um gozo na tensão. E todas essas manifestações físicas são próprias da tal pantomima: não é preciso falar, não há discurso, pois essa é uma correria muda. E mais ainda: solitária. Um comportamento que muito comunica sobre a indisponibilidade para o outro, para as cores do dia, para o sabor da comida, para os sentimentos naturais na jornada rotineira. Na correria, fazemos de conta que somos super-heróis, e 'ai' de quem diga que não. Sabemos de nossas limitações, mas é preciso agilizar, dar conta, atingir deadlines, ignorar as limitações e ultrapassar os limites. Sem espaço para o que nos lembre que, lá no fundo, queremos é ter tempo para um pouco de "La dolce vita".

Até a Gastronomia tem sofrido deste "mal do século" nos últimos tempos. A essência da cozinha, que habita nosso sentir com a calma, o fazer demorado e paciencioso, o resgate ancestral nas receitas preparadas como antes, tudo isso cai por terra em uma contemporaneidade pesada. A a Alta Gastronomia tem representado um alto custo de saúde para os chefs  que precisam correr pela perfeição em padrões de Guia Michelin. Então, até a cozinha perdeu a corrida para a agitação do século XXI. Está reduzido o tempo do 'fogo lento', da delicadeza afetiva no preparo dos pratos, da alma das tradições familiares, das refeições partilhadas cujo propósito é o convívio. Sim, isso tem melhorado, o Slow Food e a tendência de cultivar a 'cozinha das avós', muito em voga no mundo todo, estão fazendo o caminho de volta para a 'lentezza' na culinária, também.

O filme "Paris pode esperar", atualmente em cartaz, mostra este contraponto entre o acelerado e desatento diretor de cinema e seu contrário, o bon-vivant que sabe desfrutar dos prazeres da vida com  o uso dos sentidos, do viver o tempo em sua dimensão real, sem estreitá-lo. O contraste entre eles é nítido, e o filme mostra os efeitos dessa diferença na relação que Annie, a esposa do diretor, vai estabelecendo com Jacques, o sócio bon-vivant de seu marido. Jaques não é lento em suas ações no filme, mas vive cada uma das oportunidades sem a preocupação em 'chegar logo em Paris'. Aos poucos, a própria Annie vai usufruindo da mudança de ritmo, aprendendo que a experiência é uma rica oportunidade de saborear a visão de um campo de lavandas, uma bela refeição, uma dança. 

Continuaremos a viver com pressa, atualizando nossos aplicativos do celular, assoberbados de tarefas. Ou podemos diminuir a marcha e perceber que o resultado na eficácia é ainda maior, por aprendermos a estar plenos de atenção e de nós mesmos. A passos lentos, a felicidade cotidiana consegue se equilibrar sem os tropeços da correria. A lentidão proposta não é uma idealização, uma epifania e nem sequer uma panacéia. Não resolve tudo, e não se propõe a isto. O ponto é a lentidão possível, o empenho em modificar o próprio ritmo nas pequenas atividades do dia, sem que seja necessário ceder ao modo automático para adequar nosso ser. Ingrediente principal, para mim, é o que foi proporcionado pelo movimento do 'Passovelox', de que falei acima: a conscientização. Venho buscando colocar isso em prática nas pequenas e nas grandes coisas da minha semana, e os ganhos, em termos de bem-estar, são valiosos.

Vamos tentar? 


Com carinho,
Betina
Fazer chimia em fogo lento:
experiência plena de desaceleração


Sobre a "Carta Constitucional" do Festival della Lentezza: minha tradução

Original em Italiano
"Il Festival della Lentezza nasce intorno a questa Carta Costituzionale. L’ambizione degli ideatori è quella di mettere in discussione nientemeno che il nostro travagliato rapporto con il tempo, dandoci degli strumenti e delle opportunità di cambiamento possibile.

Presto. E’ ciò che ci insegnano fin da piccoli. Bisogna fare presto. Correre. Muoversi. Accelerare. Il mondo non aspetta, non ha tempo. Cresciamo accumulando ritardi, mentre un senso di colpa latente ci avvolge con una patina quasi impercettibile. La tecnologia, se usata male, non aiuta. Semmai accelera l’affanno, perché moltiplica la nostra connessione con un presente ininterrotto che non ammette, appunto, ritardi. A meno che non la si usi come un mezzo per agevolarci le incombenze quotidiane della vita, per abbattere barriere fisiche e virtuali.

Perché altrimenti il rischio è quello di perdere tutto. Perdiamo il tempo, prima di tutto. Esattamente ciò che serve per agganciarci al traino di un’esistenza felice. Proviamo a pensarci: le relazioni, il godimento delle cose terrene, la contemplazione del mondo intorno a noi. Tutto, ma proprio tutto, richiede tempo, e il tempo concede calma, serenità. Sposta l’asse terrestre della bellezza e rende degno il gioco di esserci."
Sostiene Milan Kundera come ci sia “un legame stretto tra lentezza e memoria, tra velocità e oblio”. Questo festival nasce dall’idea di restituire a noi stessi quel tempo sottratto a cui abbiamo rinunciato, un giorno alla volta. Per prenderci cura del nostro passato e immaginare con freschezza un futuro ancora tutto da scoprire.

Il Festival della Lentezza è promosso dall’Associazione Comuni Virtuosi in collaborazione con il Comune di Colorno e si svolge ogni anno il terzo fine settimana di giugno presso la Reggia Ducale  di Colorno (PR).
Meu caderno de receitas: nas páginas, as marcas
  do tempo e do demorado prazer da cozinha
Minha tradução
O “Festival dela Lentezza”, significando ‘Festival da lentidão”, nasce em torno a esta CartaConstitucional. A ambição dos idealizadores é colocar em discussão nada menos do que nossa atormentada relação com o tempo, dando-nos instrumentos e oportunidades possíveis de mudança.

Rápido. É isso que nos ensinam desde pequenos. Precisa fazer rápido. Correr. Movimentar-se. Acelerar. O mundo não espera, o mundo não tem tempo. Crescemos acumulando atrasos, enquanto um sentimento de culpa latente nos envolve com uma pátina quase imperceptível. A tecnologia, se mal usada, não ajuda. No caso, acelera a inquietude, porque multiplica a nossa conexão com um presente ininterrupto que não admite, de fato, atrasos; a menos que a usemos como um meio para agilizar as incumbências cotidianas da vida, para reduzir barreiras físicas e virtuais.

Porque, de outra forma, o risco é de perder tudo. Perdemos o tempo, acima de tudo. Exatamente aquilo que serve para nos transportar à uma existência feliz. Vamos pensar: as relações, o gozo das coisas terrenas, a contemplação do mundo ao nosso redor. Tudo, mas tudo mesmo, precisa de tempo, e o tempo concede calma, serenidade. Desloca o eixo terrestre da beleza e torna digna a brincadeira de existir.

Defende Milan Kundera que exista “uma ligação estreita entre lentidão e memória, entre velocidade e esquecimento”. Este festival nasce da ideia de restituir a nós mesmos aquele tempo retirado de nós, o tempo a que renunciamos, dia-a-dia. Para cuidar do nosso passado e imaginar com frescor um futuro ainda todo a descobrir.


O Festival dela Lentezza é promovido pela Associazione Comuni Virtuosi em colaboração com a Comune di Colorno e se desenvolve a cada ano no terceiro final de semana de Junho, em local chamado “Reggia Ducale  di Colorno" (PR).


(tradução livre do texto apresentado em Festival della Lentezza)


Com carinho,
Betina