terça-feira, 28 de junho de 2016

E por falar em antipasto: a mesa do Le Bistrot, no Constantino!


Boa noite, queridos leitores! 

Lembrei de contar de outra oferta de antipasti muito especial, em Porto Alegre, o Constantino Café, na Fernando Gomes. Trouxe pra cá algumas fotos apresentadas no Google. No site do restaurante, há imagens lindas, também! 

Fazia muito tempo desde minha última ida, mais de um ano, por incrível que pareça. Correrias da vida, acabei voltando lá na semana passada. Descobri que a mesa de antipasti e saladinhas, que sempre adorei no Le Bistrot, retornou!!! ( O Le Bistrot ficava ao lado do Constantino e  fechou no segundo semestre de 2014, na Fernando Gomes, tendo seguido como Le Bistrot Gourmet, perto da Praça Japão. São dos mesmos proprietários.)

Os almoços de sábado, com amigos, e mesmo em dias de semana, por mais de dez anos foram parte da minha rotina. No findi, o almoço tinha a configuração que sempre me encantou: a mesa de saladas e antipasto, com verdes, terrines, patés, mistos de zucchini, beringela e tomates assados, pães, salada de feijão branco, e tantas outras saborices. O cardápio do dia ficava na mesa, em um retângulo charmoso de papel pardo, com duas opções de pratos quentes e variáveis das sobremesas. Era uma festa, o almoço no "Le", como costumávamos chamar carinhosamente, entre família e amigos. Quando combinávamos entre as amigas, as tardes eram longas de conversas e brindes, sempre uma ocasião. Freqüentei o Le Bistrot desde o verão de 2001, se não me falha a memória, até seus últimos dias na casa da Fernando Gomes: nos passeios ensolarados, ficávamos nas mesinhas da rua; nos dias frios, lá dentro. Em julho e agosto de 2014, quando me recuperava da fratura na mão esquerda, almocei muitas vezes ali em meio aos dias de trabalho, sendo recebida e muito bem atendida pela equipe. 

imagem de um almoço intimista, no Constantino,
lendo "A Fisiologia do Gosto", de Brillat-Savarin
(setembro de 2014)

Quando o "Le" fechou para a reforma, a partir de setembro daquele ano, o Constantino passou a oferecer almoço. Era um cardápio muito bem feito, com pratos elaborados, mas compatíveis com a demanda de rapidez, típica de uma refeição entre os turnos de trabalho. Pelo menos uma vez na semana, eu aparecia por lá, escolhendo sugestões leves. Foi um inverno longo e chuvoso, mas ainda assim o restaurante soube colher o melhor da estação: o ambiente interno, aconchegante, tem a lareira e a atmosfera introspectiva como excelentes atrativos. 

Coisas do tempo que passa, e da gente, que se transforma. Em 2015, com o Mestrado, meu mapa de vida me colocou em outros cenários, principalmente a PUC, onde almoçava antes, depois ou entre as aulas. Estar próxima ao Constantino, durante a semana, ficou difícil, e nos finais de semana as escolhas acabavam apontando para outras direções. Nem sei bem por quê, confesso. Amo o local, adoro comemorar datas ali ou sentar à mesa ao meio-dia ou à noite. Simples assim, a cartografia da rotina me trocou de território.

Semana passada, com correria e tudo, estive lá! E fui surpreendida com o retorno da mesa de antipasto, que tanto marcou um período da minha vida de 2001 a 2014. Sabores, memórias, conversas e reflexões estão associadas às entradinhas do Le. Agora, do Constantino!

Além disso, há  a oferta de sopas e a carta, com opções muito especiais. O jardim fica aquecido, sendo uma possibilidade aconchegante no inverno, também. A lareira e as mesinhas do interno seguem como deliciosa cena para uma refeição partilhada, ou até para um almocinho intimista, conversando consigo mesmo durante o saborear. 

Sugiro a vivência!!! Durante a semana, o Constantino Café fica aberto para o almoço, das 12:00 às  14:30; nos sábados, das 12:00 às 15:30. Conforme me contou a equipe, após esses horários, pratos do cardápio são oferecidos, entre quitutes e principais. Para o jantar, de segunda à quinta, pode-se ir das 18:00 à 00:00; sextas e sábados, das 19:00 à 00:00. 
Fica na Fernando Gomes, 44.
O Telefone é: 55-51- 33468589.

Visitem o site do  Constantino Café!

Aos amigos, um abraço!
Betina


Comemoração de aniversário,
 no jardim do Constantino,
em 14/10/2014






segunda-feira, 27 de junho de 2016

Antipasti: para abrir o apetite!


 Inspirada pelas recordações do Atelier das Massas, fui pesquisar fotos de outros balcões de antipasti: um de São Paulo, no Restaurante Lelis, e dois em Roma: Le Tavernelle, que encontrei por Serendipity  enquanto me perdia nas ruas da cidade, e uma cantina que à época se chamava 
L´Assassino, tema de um dos escritos do meu Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras, "A anima do penne al ragú". Pelo que pude ver pelo Google, hoje esse restaurante tem o nome de Ai vespri siciliani. Será que o casal alegre do balcão ainda está lá? Na minha lembrança, sempre.

Pude ver, pelo site, que o estilo dos pratos permanece muito semelhante ao que conheci, com uma discreta mudança que acompanha a tendência global: o que antes era essencialmente familiar, hoje está gourmetizado. A transformação é inevitável, acompanha o movimento do mundo, mas sinto falta do rústico que vivenciei ali, no meu prato fundo, servido de penne em abundante ragú. A cozinha do restaurante, hoje, traz impulso de inovação, respeitando elementos do cardápio tradicional siciliano, baseado em produtos do mar. Louças e decorações contemporâneas dos ingredientes contam que meu prato fundo, com molho vermelho transbordando, já é passado.

"O Assassino"
Foccaccia
"Aqui, ditadura gastronômica"


Era fevereiro, uns dois graus de temperatura. O balcão de antipasti, lembro bem, estava  rico de sabores cintilando a azeite de oliva local, beringelas, zucchinni, tomates recheados e tantas outras iguarias. Largas massas de foccaccia, queijos e fiambres, azeitonas e outros deleites convidavam meu olhar para o retorno. Voltei, de fato, para umas taças de vinho, o antipasto e uma celebração a dois, no idioma local. Impossível esquecer aquela cantina...

 Resolvi partilhar uma seleção de imagens, sendo a primeira a do nosso típico italiano tão amado pelos portoalegrenses, Atelier das Massas.  É mágico ver como as atmosferas se parecem, em um contexto muito único:  vidros de azeites de oliva e de pimentas, garrafas de vinho, as paredes lotadas de quadros, os balcões de entradinhas plenos de cores e de texturas, tons fortes que nos convidam para a cena.

Bem-vindos às lembranças!




          Quando compartilhamos lembranças de sabores vividos, de certo modo estamos dividindo a mesa. Vocês, aqui, são leitores e, acima de tudo, comensais de memórias saborosas.

Deixo então um abraço carinhoso!
Betina






                                                 


















Entradinhas do Atelier das Massas: um belo Happy Hour de inverno


Queridos leitores! 

Estou em fim de semestre no Mestrado, então, numa correria daquelas...acontece que, mesmo num tempo maluco, consegui, há umas duas semanas, fazer um Happy Hour com amigos, num restaurante que amo em Porto Alegre, o  Atelier das Massas (cliquem no link para ver as fotos!).
O Atelier, é claro, tem massas espetaculares, mas confesso que sempre tive curiosidade e apreço especial pela oferta de antipasti, as entradinhas expostas no balcão.

 Fomos numa sexta-feira, chegando pouco depois das sete da noite, horário de abertura do restaurante para o jantar. Os quitutes, as taças de vinho e os tin-tins, com as devidas risadas e boa prosa, foram divinos; acima de tudo, um presente para os cinco sentidos. Para nós e para todos os clientes, que também curtiam seus pratos e observavam, de soslaio, a concorrência pelas mesas. Em menos de uma hora, estava o local já completo, e a espera, do lado de dentro e de fora da casa, começou a aumentar. Pasmem: com frio intenso e tudo! Excelente foi perceber a atenção dos proprietários e dos garçons com aqueles que aguardavam, oferecendo bebidas, servindo, dando informações e cuidado. 

Não jantamos, pois a ideia era curtir uma boa prosa antes dos compromissos da sexta à noite, mas o cardápio sempre deixa uma expectativa pelo retorno..."da próxima vez, vou pedir este prato!". Saborear as entradas, que são originais, múltiplas e super vibrantes, foi uma experiência deliciosa no Atelier. Em todas as vezes em que fui ao local, escolhi alguma massa típica da casa, mas a vontade de ir pelo antipasto era uma constante. E vos digo: vale a pena, também!!!

O restaurante abre para almoço, das 11:00 às 14:30; para jantar, das 19:00 às 23:30. O telefone é 32251125, e é possível reservar pelo Restorando, no link Restorando Atelier das Massas. E eu descobri, na pesquisa, que eles têm Tele-entrega!!! Telefone: 33258888! O menu online é este aqui do link. O delivery fica aberto nos seguintes horários: 
segunda à sexta, das 19:00- 23:00
Sábados: 11:00-14:30 e das 19:00 às 23:00
Domingos e feriados, fechado.

Bom, com as fotos abaixo, deixo meus comentários de lado. Vocês podem imaginar...Para quem não aparece por lá faz tempo, sugiro renovar as lembranças! Aos frequentadores, fica a partilha de um sentimento delicioso que o lugar propicia, o de estar numa daquelas cantinas típicas e familiares dos italianos. E não é mesmo? O mais incrível é a sensação de ele ser um restaurante com tanta unidade, tão típico por sua proposta, que funcionaria desse mesmo jeito, acolhedor e lúdico, onde estivesse. É como um oásis no centro de Porto Alegre.

Se fosse um texto literário, eu até arriscaria propor a frase  "o Atelier das Massas tem verossimilhança interna". É quase isso, amigos. Trata-se de uma obra  culinária, que vale por seu conjunto: tudo funciona em uma harmonia levemente desordenada, que caracteriza o cenário. Personagens, instantes peculiares, vida pulsando nas entradas e nos pratos criados ali: tudo é próprio da "obra". O que existe lá fora não faz parte das cenas que o interno oferece. Dentro do Atelier é, sem dúvidas, um mundo à parte. 

Vocês resistem? 

Eu, não.
:) 

Com carinho,
Betina
pecaditos possíveis...quem resiste? 
salames, queijos e fiambres, no detalhe
quitutes da casa: cogumelos, azeitonas recheadas, e tantos mais
balcão com queijos, fiambres e quitutes: iluminado à noite
balcão à noite
ofertas de entradinhas criativas
vista geral do restaurante, plano térreo.


(todas as fotografias foram extraídas do site Atelier das Massas. Visite o link e veja quem fez cada foto.)





domingo, 19 de junho de 2016

Chegando o inverno!



Está dada a largada! Em poucas horas, estaremos no inverno, aqui no Hemisfério Sul. E Porto Alegre anda surpreendente no quesito frio. O lado bom são as lareiras, as comidinhas saborosas, a elegância dos trajes, o calor dos (mil) cobertores, o passear juntos, o brindar com vinho tinto, e por aí vai. 
Confesso, já fui mais fã da estação de dias frios e cinzentos, mas tenho buscado curtir. 

Escolhi essa foto porque os mercados sempre são potenciais territórios de criação. Vemos este e aquele ingrediente, preparamos o cenário, e plim!, está feita a festa. Em especial, quando é a dois.
Ao recebermos amigos em casa, muitas vezes as melhores opções são as tradicionais, como queijos e vinhos, fondue, café da noite com pães especiais e a casa aquecida pelo fogo. Manter as tradições é a cara do inverno, aliás. Esperamos por ele para escolher os queijos no mercado, ou para comprar as frutas e o chocolate. Por isso a imagem: as receitas ocorrem espontâneas enquanto caminhamos pelas bancas, à espera de ideias que nos saltem.

E, na cozinha, tradição rima com criação? Sim, sem dúvidas. Podemos seguir receitas invernais clássicas, mas com novos elementos, temperos, inovações. É isto que o passeio pelos corredores do mercado citadino nos oferece: o inusitado, a surpresa, o clique na escolha do queijo desconhecido, da geleia de uma fruta da época e daquele pão rebuscado, que sempre deixamos para  experimentar depois.

Passei pra desejar que os amigos tenham um delicioso friozinho, pleno de tintins, sabores e partilha!
E, claro, com muitas boas prosas e risadas em volta da mesa!

A seguir cenas dos próximos posts:

"Entradinhas do Atelier das Massas: um belo Happy Hour de inverno"

"E por falar em Antipasto"

"O queijo e a gruta"

"O amor é massa-madre"

E posts com dicas de lugares e atividades saborosas para curtir a chegada do frio.

Com carinho,
Betina


domingo, 27 de março de 2016

Carpe!!!


E como amanhã  teremos uma nova segunda-feira cotidiana, passado o feriado de Páscoa, vale uma reflexão: saboreie o dia, para além das guloseimas e dos chocolates recebidos. Este saborear tem origem na ideia de 'aproveite o dia', presente na frase Carpe Diem. 

Trata-se de um aproveitar pleno da vivência das horas, e não apenas um 'passar' do dia, para que logo se vá a segunda, a terça, a quarta, a quinta e chegue, ensolarada, a sexta, e então o sábado, o domingo...e outra segunda. É assim que a vida 'passa', a gente mastigando a comida sem saborear, porque há só uma hora de almoço.

Um exercício de imaginação...Num bolinho de chuva, cada mordidinha traz a maciez, o aconchego da massa bege-clara, o crocante da casquinha, o perfume quente e o carinho que o açúcar  faz na pele, quando abrimos o quitute com as mãos. E tem o expresso, gole a gole: a merenda  nos reporta a memórias trazidas lá do fundo. Lembranças vêm pelo bolinho e pelo cheiro do café, denso e viçoso na xícara branca, mesmo se estivermos desavisados, atentos aos sentidos. E vêm o bem-estar e a gostosura de um intervalo na correria, a pausa de nirvana numa segunda-feira. Pois esse saborear pleno de uma pequena safadeza, bolinho de chuva com café, é o mesmo que podemos aplicar ao nosso dia rotineiro. Isso parte de uma decisão, ao despertarmos.

Quando saboreamos o tempo, cada segunda-feira é prazerosa em sua essência. Mesmo depois de um feriado longo. 

Então, bom finzinho de domingo, e bom começo de semana aos amigos!!

Abraços,
Betina

Parrilla, Francis Mallmann e o sabor como chave: aniversário de quatro anos do Blog!


E por falar em Parrilla, quero contar sobre o chef argentino Francis Mallmann, especialista na  exímia prática do fogo na Gastronomia. Mallmann é o premiado autor dos livros "Terra de Fogos" e "Sete Fogos", além de proprietário do Patagonia Sur, no bairro La Boca (site), em Buenos Aires, do 1884, de Mendoza (site), e do Hotel e Restaurante Garzon, no Uruguai (conheça aqui).


Quando falei no Villa Crespo, ontem, restaurante Porto Alegrense de inspiração portenha, logo em seguida lembrei de contar sobre esse chef. Fiz tal ligação através de dois elementos intrincados: a parrilla e, sem dúvidas, Buenos Aires. Mallmann realiza peripécias parrilleras fenomenais, e é nascido em uma província de Buenos Aires. 

Só depois fui perceber por que estaria abordando esses temas nesse final de semana. São, afinal de contas, assuntos muito vinculados à capital portenha, quase minha cidade natal, cidade que tenho no coração. E por que escrever sobre isso logo agora?

 Hoje o Serendipity in Cucina completa quatro anos, 
tendo nascido no fim da manhã  de 27 de março de 2012, em Buenos Aires.
 Estranho eu não ter me dado conta, mas é claro, agora, que a postagem sobre o Villa Crespo e a decisão de escrever sobre Mallmann vieram das  seguintes palavras-chave dentro de mim: Buenos Aires, Março, Serendipity in Cucina. 

Veja aqui a primeira postagem do blog.

Temos, sim, palavras-chave em nós. Elementos que estão ali, esperando para serem acessados pela via do coração. Quando chegamos a eles, por um gatilho aleatório, abre-se um portão de lembranças e emoções em nosso mundo interno. As palavras-chave nos propiciam um reencontro conosco, com partes guardadas e à espera de um chamado para serem relembradas, revividas, ressignificadas. 

Buenos Aires, Serendipity (serendipidade), Cucina (cozinha) e Serendipity in Cucina: são chaves de encontro e descoberta, em mim. Foi este o papel do nascimento do blog, em 2012, há quatro anos: despertar o (re)encontro com a culinária e seus símbolos em minha história, em primeiro lugar. Em segundo, e também relevante, o papel foi o de transmitir reflexões e descobertas, nos campos de forno-e-fogão, ao leitores e amigos. Cada um de nós, com suas palavras-chave, com este ou aquele gatilho de acesso a sentimentos e percepções.

O que vim descobrindo, com o tempo, nas pesquisas e escritas sobre a cozinha? 
Que os sabores são essenciais no acesso às nossas palavras-chave, no coração. Muitas vezes, para além da palavra, são os sabores que nos permitem chegar às emoções e às memórias mais escondidas. Onde uma palavra não é alcançada para essa ou aquela compreensão, muitas vezes é a comida que abre uma porta de rara fechadura, em nosso interior. 

Saborear é preciso!

Seguirei contando sobre o Francis Mallmann, em mais um ou dois posts. Depois, o foco será a Gastronomia uruguaia, através da experiência no restaurante Lo de Tere, que referi em postagens desse mês.

Agradeço aos leitores pela presença e carinho em nossos quatro anos juntos!

Abraços,
Betina

sábado, 26 de março de 2016

Sabores e sentidos no Villa Crespo, em Porto Alegre

Vista do interno, eis a fachada do Villa Crespo
(até com luminária típica!)
Dia desses, voltei ao Restaurante Villa Crespo, uma buenísima Parrilla Porteña na Av. Teixeira Mendes 1151, em Porto Alegre. Aliás, para quem ainda não sabe onde ir amanhã, domingo de Páscoa, essa é uma saborosa possibilidade! Sugiro reservar ou chegar cedo (tels. 51-9235.68.77 ou 3365.30.00), pois é daqueles lugares concorridos, em finais de semana e feriados. Tinha conhecido o local ano passado, e tomado nota para retornar outras vezes, de tão bom que é. Então, já alinhavando as mudanças no blog, fui há poucos dias, para saborear o cardápio e fotografar detalhes para um post. 

Minha perspectiva, ao falar dos lugares que me agradam, é expressar o todo:  o modo como me senti no ambiente, saboreei os pratos e fui antendida, ouvi a música, vivi o lugar. Por isso, o Villa Crespo chegou ao 'Serendipity in Cucina". Minhas primeiras visitas ao restaurante, em 2015, não poderiam ter sido melhores: em linhas gerais, as escolhas foram um queso parrillero de entrada, com o Chimichurri feito na casa, tempero picante e viçoso na medida, uma cerveza (que não pode faltar), um asado de tira com molhinhos de acompanhamento, uma batata com queijo Roquefort, e, de sobremesa, uma panqueca de dulce de leche...O lugar me fez sentir alegria, pelas deliciosas conversas e risadas daqueles almoços, sem dúvidas, mas também pela atmosfera festiva que existe ali. E foi essa atmosfera que fui buscar, na visita recente deste 2016.

Que tal o cardápio? Clica aqui!

Numa refeição, exercitamos nossos cinco sentidos, e quando todos são contemplados com sucesso, a memória torna-se tão saboreável como a própria ocasião: o Villa Crespo deixa na gente recuerdos assim: a celebração, a partilha, a comida, os cheiros transbordantes, as vozes dos comensais em seu domingo com amigos e família. E foi o que ocorreu, a memória das sensações me inspirou a voltar lá. Esse clima todo é muito bom! 


Há um aspecto interessante quando falamos sobre o saborear na vivência do comer fora: o sabor  não é um sentido, ele está atrelado aos sentidos. Para mim, o sabor é o sentimento do gosto. Num entrecot, num asado de tira ou num queso parrillero, está o prazer do gosto, a tentação do cheirinho típico, o visual convidativo das tábuas à mesa, o Piazzolla tocando ao fundo, a textura perfeita da carne junto à maciez da batata com Roquefort derretido...Tudo isso compõe o sabor. Agora, a coisa vai além: na experiência, está a memória desses elementos,  existe a história deles em minha vida, o meu laço com Buenos Aires, onde essas comidas compuseram meu cardápio de lembranças; estão também presentes as primeiras visitas ao restaurante, a cor de vinho tinto das paredes, as madeiras escuras e as pedras da decoração, todas trazendo aconchego, o som das palavras no cardápio, a cremosidade do dulce de leche, um bege-dourado ultrapassando as fronteiras da massa de panqueca e se espalhando pela louça branca... bom, há tantos simbolismos que compõem o fato de elegermos um local como vivo em nossa carta de sabores pessoais, que é possível citar apenas exemplos, pois cada um de nós visita um restaurante com suas bagagens.

Voltei lá  para o almoço, prestei atenção a elementos do cenário, conversei com o mozo que atendeu a mesa com excelência, o Felipe,  e, através dele, conheci um pouco da história do local. O Villa Crespo tem este nome em homenagem a um bairro de Buenos Aires, o original Villa Crespo (para saber mais, clique no link Barrio Villa Crespo CABA). O proprietário do restaurante é o mesmo do Tirol, renomado pelos filés tradicionais em nossa Porto Alegre, e um local como o Villa Crespo era um sonho seu. Conforme o Felipe, foi feita uma ampla pesquisa nas parrillas porteñas, antes de abrir este, em 03 de dezembro de 2013, e todos os detalhes (cores, atmosfera, luminárias, quadrinhos, cabide de pirulitos, garrafas nas mesas) foram inspirados em parrillas de Buenos Aires. 

E como é bom conhecer a história de um lugar! Este foi um hábito que adquiri com a escrita culinária e com a prática da cocina viajera, atividade de pesquisa (por conta e risco) em que viajo para conhecer a cozinha das paisagens, como fiz na Província de Girona, na Catalunha. Estar em um local, comer os sabores daquela cultura, aprender sobre seus produtos e seus territórios são fatores que se tornam parte da nossa memória e da nossa construção pessoal. Tem sido muito prazeroso viver isso através dos escritos, através do blog e das conversas com os restauradores e funcionários, pois são possibilidades de enriquecer de simbolismo, e de sentimento, uma refeição. Não tenho objetivo de tecer crítica de restaurantes, não sei fazer isso e não é meu escopo: vou num lugar para descobrir como me sentirei ali, com que alegria sairei de sua porta e através de qual memória desejarei retornar à sua mesa. Tendo sentido conforto, prazer e alegria, recomendo aos amigos! 



E o Villa Crespo, com certeza, merece recomendação! 
Para conhecer, clique aqui:Villa Crespo Porto Alegre 

Com carinho, e Feliz Páscoa!!

Betina



Outras fotos!

salada de rúcula com parmesão
detalhes das mesas
pirulitos com inspiração porteña

detalhes das paredes, vindos de Buenos Aires
Detalhes das paredes, vindos de Buenos Aires